Episódio 14

1581 Palavras
POV DE BRIGITTE. Eu ansiava que a minha mãe cuidasse de mim com a mesma devoção que demonstra hoje. E agora que ela cuida, sinto-me estranha, mas inegavelmente feliz. Ver como ela se preocupa com a minha saúde me deixa muito feliz. Nunca imaginei que teria que passar uma semana inteira descansando por causa de uma indigestão. Quero ir para a escola de teatro, mas minha mãe não deixa. Não estou entediada, porém, porque ela faz de tudo para me entreter. — Você já ficou com um rapaz? A pergunta dela me dá um nó na garganta. — Por que pergunta? — É só uma pergunta que uma mãe faria à filha que acabou de completar dezoito anos. Permaneço em silêncio, lembrando-me das vezes em que estive com Eduard. Sinto um rubor subir ao meu rosto por estar pensando descaradamente no namorado da minha mãe na frente dela. — Pelo menos você usou proteção? Ela pergunta depois de alguns segundos. Foi negligência minha não ter usado proteção com Eduard. Nos últimos três anos, acostumei-me com garotos que se cuidavam e se protegiam. Mas Eduard não. Ele não usou nenhum tipo de proteção. — Sim, estou usando proteção. Minto descaradamente. Ela me olha estranhamente, como se o que eu disse não a convencesse. — Ah, é mesmo? E qual você está usando? Pode me dizer o nome do anticoncepcional? Mordo o lábio enquanto penso nos nomes de todos os anticoncepcionais que a professora mencionou. Nenhum dos quais eu jamais comprei, já que a camisinha sempre nos protegeu. — É necessário? — Sim, porque muitos anticoncepcionais são prejudiciais. E se você quer ser mãe um dia, precisa saber o que está colocando no seu corpo. Porque você quer ser mãe, não é? — Sim. Mas depois dos trinta. Vejo-a morder o lábio e me olhar de um jeito indecifrável. — Quero conhecer o rapaz com quem você está saindo... Engulo em seco ao ouvir o pedido. — Não estou saindo com ninguém daqui. — Tem certeza? Assinto com a cabeça. Nesse instante, a campainha toca. Uma das empregadas vem me avisar que alguns jovens estão me procurando. Ela me dá os nomes deles e eu peço que os deixe entrar. Um pouco depois, eles estão no meu quarto. Apresento-os à minha mãe e, após as saudações, eles perguntam sobre a minha saúde. Minha mãe sai para que eu possa conversar com eles a sós. Explico que é apenas uma pergunta sobre algo que me deixou doente. Eles questionam se algo assim deveria me manter na cama. Dizem que sentem muita saudade, que as semanas que passaram comigo foram inesquecíveis. Não os conheço há muito tempo, mas eles vêm me visitar desde que contei que estava doente. E não é o único dia em que vieram. Durante a semana, eles vieram passar uma hora comigo, e eu realmente agradeço, porque significa que são bons amigos, que estarão comigo nos bons e maus momentos, assim como meus amigos em Orlando estiveram. Passei uma semana na cama. Depois dos cuidados constantes da minha mãe e das visitas dos amigos, eu estava pronta para voltar para a escola. Mas minha mãe me convidou para um cruzeiro de duas semanas. Penso em Eduard, que ainda não voltou da viagem. Ele certamente estará comigo nesta viagem. No entanto, minha mãe insistiu que seríamos só nós duas. — Vamos lá, querida, não me diga não. Eu queria passar um tempo com você há anos, e agora que tenho você, não quero perder um minuto sequer. Mas ela deixou passar quase um mês. Porque quando cheguei, ela me ignorou. Só depois que Eduard partiu para a viagem é que ela me deu atenção. Olho para as passagens à minha frente. Me vejo num dilema interno. Amo a minha carreira e estou ansiosa para estar com os meus novos amigos, aprendendo a cada dia sobre o que farei no futuro. Mas também quero passar um tempo com a minha mãe. É algo que sempre quis, e agora que está acontecendo, não vou desperdiçar. Concordo em ir. Ela está feliz, e eu não consigo evitar ficar feliz também. Passar duas semanas sozinha com a minha mãe me dará tempo para refletir sobre o que estou fazendo com o marido dela. Durante o cruzeiro, fazemos algumas atividades, que não me entediam nem um pouco, e as duas semanas passam voando. Quando me dou conta, já estamos de volta em casa. Ao sair do carro, tremo, porque acho que Eduard estará em casa quando eu chegar, mas ele ainda não voltou. Ele não me manda mensagem, nem mesmo para dizer "bom dia". Mas ele conversa com a minha mãe. Ouço-os tendo longas conversas todos os dias. E isso me deixa melancólica. Embora me entristeça que ele não me escreva nem me ligue, é para o melhor, porque será mais fácil não pensar nele e não sentir saudades. Na manhã seguinte, fui para a escola de teatro. Assim que meus amigos me viram, receberam-me de braços abertos. Sentir falta deste lugar e destas pessoas tinha sido uma tortura, mas eu estava ali, pronta para perseguir os meus objetivos. Os dias se passaram e, durante os ensaios, senti uma tontura que me deixou tonta. Precisei sentar e fechar os olhos para passar. — Você está bem? Perguntou meu amigo Lisandro. — Foi só uma tontura passageira. Mas já passou. Dei de ombros e continuei com os ensaios. Em cada um deles, esforcei-me ao máximo para que todos pudessem ver o meu talento. Lisandro decidiu me levar para casa porque, segundo ele, eu parecia um pouco pálida e ele queria ter certeza de que eu chegaria em segurança. Assim que chegamos em casa, convidei-o para entrar e fizemos um tour pela mansão. Ficamos sentados um tempo à mesa perto da piscina. Enquanto conversávamos e sorríamos, levantei os olhos e o vi no topo da mansão, com uma toalha enrolada na metade do corpo e um olhar frio no rosto. Ele chegou e a primeira coisa que fez foi levar a minha mãe. Gostaria que isso não me afetasse, mas é impossível não sentir dor. Não sei se consigo suportar essa dor. Depois disso, nada mais foi como antes. Caminhar pelos jardins com Lisandro tornou-se entediante, e ele percebeu.— Quer que eu vá embora agora? — Não. Você pode ficar para o almoço, se quiser. — Tem certeza? — Absoluta certeza. Assenti com a cabeça e peguei no seu braço. Deixei claro que gostava da sua companhia e que a minha mãe não se importaria que ele almoçasse conosco. Talvez outra pessoa se irritasse, mas eu não ligava. Ou pelo menos era o que eu pensava. A garçonete nos avisou que o almoço estava pronto. Fomos os primeiros a chegar ao salão. Conversei e sorri para Lisandro enquanto esperava a sua figura alta aparecer. Quando ele chegou, senti um nó na garganta, prendi a respiração e baixei o olhar, pois a sua aparência era ao mesmo tempo petrificante e abrasadora. — Quem bom que você ficou para o jantar Lisandro. Minha mãe cumprimentou Lisandro e o apresentou a Eduard como um amigo muito próximo. Ele não o cumprimentou, o deixou esperando com a mão estendida e saiu. Ele para na soleira da porta e olha para mim, fazendo um gesto para que eu e a minha mãe saíssemos. — Bem. É só um minuto Lisandro... Peço desculpas a Lisandro e saio com a minha mãe. Quando chegamos à sala de estar, Eduard está de costas para nós e, ao nos perceber, resmunga entre dentes cerrados. — Você não disse à sua filha que eu não gosto de estranhos em casa? — Lisandro não é um estranho. Digo baixinho. — Querido, ele é um amigo próximo de Brig. Conheço-o há um mês. — Mas eu não o conheço! Ele diz, virando-se e me encarando. — Então, peça para ele ir embora. Sinto algo terrível por dentro. Não consigo me obrigar a pedir para Lisandro ir embora; seria extremamente constrangedor. — Mas Eduard, ele já está na sala de jantar. — Não me importa se ele já está comendo. Não o quero na minha casa. Ele insiste. Respirando fundo, digo: Tudo bem. Vou dizer a ele que vamos comer lá fora. Viro-me para sair, mas sua voz áspera me impede. — Pare! Eu disse que ele deveria ir embora, não você. Estou de costas para ele, prendendo a respiração. Viro-me e encontro o seu olhar. — Sr. Richardson, não vou levar meu amigo para fora. Se ele for embora, eu vou embora também... Sua testa se franze. Sei que ele está controlando a raiva porque a minha mãe está lá, então, sem esperar que ele diga mais alguma coisa, vou até a sala de jantar. Ao entrar, Lisandro sorri para mim. Estou prestes a dizer a ele que vamos comer em outro lugar quando eles chegam. — Por favor, sente-se. O almoço será servido. Diz a minha mãe com um sorriso. Eduard ajeita o guardanapo, coloca-o entre as pernas e olha para cima, com o olhar fixo em mim. É só por um segundo, mas é o suficiente para saber que ele está furioso. ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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