POV DE BRIGITTE.
No momento em que a comida é colocada na mesa, o cheiro invade as minhas narinas e me causa uma sensação horrível no estômago. Peço licença e saio da sala de jantar. Vou ao banheiro do andar de baixo e encho a boca com água, sentindo a saliva inundá-la em segundos. Não vomito. É apenas aquela repentina ânsia.
Volto para a sala de jantar. Ao entrar, todos os olhares se voltam para mim, mas olho na direção deles e, no segundo seguinte, desvio o olhar para minha mãe, que pergunta:
— Está tudo bem? Assinto com a cabeça.
— Sim.
Retiro as cebolas fritas da carne, pois foi aquele cheiro que me deu náuseas. Nunca gostei delas. Sempre as detestei. Acho que foi por isso que senti vontade de vomitar.
O almoço é tenso, principalmente para mim, pois é muito desconfortável estar no mesmo lugar que ele, sentindo como se ele estivesse me petrificando com o seu olhar.
Minha mãe está conversando com Lisandro, e eu sorrio com as coisas engraçadas que Lisandro está dizendo. Quanto a Eduard, ele não disse uma palavra sequer; permaneceu em silêncio, lançando-me um olhar fulminante de repente, com os olhos faiscando.
Ele é o primeiro a terminar. — Estarei no ateliê de arte, não me incomode. Diz ele, saindo.
Depois do almoço, levo Lisandro até a saída. Lá fora, me despeço e peço desculpas. — Sinto muito pela indiferença do meu padrasto. Ele é meio...
— Arrogante. Ele diz com um sorriso. — Não se preocupe, não é a primeira vez que encontro pessoas assim. Eu simplesmente finjo que elas não existem. Eu tinha ouvido dizer que o Sr. Richardson era um deles, mas nunca tive o prazer de conhecê-lo, muito menos pensei que isso aconteceria. Mas uma tarde, fui deixar meu amigo em casa e descobri que ele era… — Enteado de Easton Richardson — o CEO mais antipático do Vale do Silício. — Nunca diga isso na frente dele, porque a sua carreira pode estar arruinada.
— Certo, obrigada por me lembrar. Sorrimos e nos despedimos novamente. — Até amanhã, linda.
Observo-o sair. Depois que ele desaparece na porta, o motorista se aproxima. — O senhor está esperando por você no estúdio. Olho para ele, surpresa, porque não consigo acreditar que esse homem saiba sobre mim e Eduard. — É melhor você se apressar. Ele é muito impaciente.
— Diga ao senhor que eu não estarei lá. Não posso simplesmente ir e interferir quando minha mãe está em casa.
Sem dizer mais nada, entro, subo para o meu quarto e, quando estou prestes a entrar, vejo a minha mãe sair. — Vou ficar fora por algumas horas. Surgiu um problema na empresa e preciso resolvê-lo.
— Isso não é responsabilidade do seu marido?
— Sim, mas quando ele está no estúdio, não gosta de interrupções, e é para isso que estou aqui, para resolver problemas quando ele está ocupado. Ela diz isso e sai, me dando um beijo na testa.
Fico parada no corredor, olhando para o nada, pensando que Eduard está lá fora, me esperando, que a partida da minha mãe não foi uma coincidência, que ele quer me ver, me quer, mas hoje não será esse dia, não estarei à sua disposição sempre que ele quiser.
Tranco-me no meu quarto, trancando todas as portas e janelas que ele poderia usar para entrar. O meu coração dispara quando ouço o som dos seus sapatos.
Recuo quando ouço o tilintar das chaves. As minhas costas batem na grande janela de vidro quando o vejo entrar e caminhar na minha direção. O seu olhar furioso me mantém imóvel, como se um ímã me prendesse.
Quando ele está bem na minha frente, solto um suspiro, meus lábios tremendo, e sussurro:
— Eduard...
— Você ousou me desobedecer. Diz ele, prendendo o meu rosto na sua mão grande e me forçando a olhar nos seus olhos. — Por quê? Não está animada para me ver depois de um mês?
Levo a minha mão direita ao seu pulso, tentando me soltar, mas ele segura o meu rosto com muita força, e digo com raiva: — Me solta! Não quero que você me toque! Ele estreita os olhos e m*al move a cabeça para me olhar de soslaio.
— O que você disse?
— O que você ouviu. Não quero que você me toque.
Ele sorri por um instante e então solta o meu rosto. Sem qualquer preâmbulo, ele me abraça pela cintura e me puxa para perto. Ele tenta me beijar, mas arqueio as costas, impedindo que a sua boca encontre a minha, porque sei que, se isso acontecer, não conseguirei resistir.
— Não vou dormir com você depois de você ter dormido com a minha mãe há menos de duas horas.
Empurro-o para longe do seu peito, tentando me libertar, mas seu aperto forte me impede.
— Ela é minha esposa e eu durmo com ela quando quero. Você não tem o direito de me dizer o que fazer, porque deixei isso bem claro para você desde o primeiro dia.
Sinto o meu coração se partir, o canal lacrimal arde, um sinal de que as lágrimas estão prestes a rolar.
Respiro fundo, controlando a vontade de soluçar incontrolavelmente, de me jogar no chão e fazer um escândalo como uma criança mimada até que ele concorde em me amar, e digo: bem, se eu não tenho o direito de exigir nada de você, você também não tem direito sobre mim. O seu maxilar se contrai novamente, os seus olhos faiscam. — Sou uma pessoa livre e faço se*xo quando quero, e agora não quero fazer s*exo com você.
Uso toda a minha força e o empurro, conseguindo me libertar do seu aperto. — Saia do meu quarto!
— Brigitte Mitchell, você abdicou dos seus direitos quando decidiu ser minha amante. Ele vem na minha direção novamente. Recuo a cada passo que ele dá. Quando penso em fugir, ele me agarra pela cintura e me joga na cama.
Sentei-me imediatamente, mas ele colocou as mãos no colchão, prendendo-me entre elas. Seu olhar era como um ímã, deixando-me imóvel, incapaz de piscar por um segundo sequer. — Você é minha, Brigitte, só minha.
Ele tentou me beijar, mas virei o rosto, fazendo com que os seus lábios se chocassem contra os meus. O meu peito subiu e desceu, acelerado, batendo tão forte que parecia que ia explodir.
— Eu não sou sua. Não pertenço a ninguém. Sou minha.
Eduard sorriu enquanto roçava o nariz no meu rosto. Fechei os olhos quando ele chegou à minha orelha. — Você não deveria estar brava, Chapeuzinho Vermelho. Eu é que deveria estar bravo com você por ter trazido aquele idi*ota para a minha casa, mas ficar bravo com você é impossível, porque você só desperta desejo. Ele mordeu a minha orelha. Olhei com desconfiança para seus carinhos. Estava prestes a ceder aos seus encantos, mas me controlei.
— Não posso dizer o mesmo de você. Ele afasta os lábios da minha orelha, olhando-me atentamente. — Neste momento, não te desejo, Eduard. Sinto apenas nojo só de imaginar você dormindo com a minha mãe antes de eu chegar.
Ele sorri, segura o meu rosto com a mão e começa a me beijar. A sua língua luta para entrar na minha boca. Ele consegue me empurrar para a cama, ficando completamente sobre mim. Mas eu não abro a boca. Empurro-o para longe do meu peito com as mãos e, quando finalmente consigo me livrar dele, digo: você vai abusar de mim? Vai me fazer sua contra a minha vontade? Se fizer isso, vou te repudiar para o resto da vida, Eduard Richardson. Digo firmemente, mantendo o olhar fixo nele.
Ele me encara por um instante e depois se afasta. Quando ele se levanta, olha para mim e diz: — Tudo bem, você não quer? Não vou te forçar, mas não reclame depois quando eu estiver dormindo com a sua mãe bem na sua frente.
Ele sai e bate a porta. Quando ele se vai, deixo as lágrimas rolarem, soluço no travesseiro, alto, mas não tão alto a ponto de não ecoar pelas paredes daquele quarto.