Episódio 12

1257 Palavras
— Estou indo embora agora. Digo, olhando para o chão, enquanto começo a sair. Assim que cruzo a soleira, ouço-o dizer: — Espere, Brigitte. Eu congelo. — Fique com isso. Sinto-o atrás de mim. Lentamente, me viro e vejo as blusas que a minha mãe me trouxe. — Sua mãe as comprou com tanto amor para você. — Obrigada. Digo, pegando-as sem olhar para ele. Dou apenas uma olhada rápida para minha mãe por cima do ombro de Eduard. — Obrigada, mãe. — De nada, querida. Sem dizer mais nada, viro-me e saio. Chegando ao quarto, me encosto na porta, expiro e toco a minha testa, que começa a suar em questão de segundos. Droga. Isso foi intenso. Por um momento, pensei que não conseguiria sair sozinha. Levanto as minhas costas da porta e caminho em direção à cama com um sorriso. Quando se está apaixonado, repara-se nos mínimos detalhes. E reparei que Eduard não deu o beijo de sempre na minha mãe quando ela chega em casa. Será que era isso que ele queria dizer quando falou que, se eu me comportasse, muita coisa ia mudar? Abracei a cama, animada, imaginando mil coisas com ele. Droga, sinto-me uma adolescente apaixonada, sonhando acordada como fazia com o Renzo. Saí do meu devaneio quando chegou uma mensagem. Abri para ver se era de algum amigo, mas não era. Verifiquei as solicitações de mensagens e encontrei uma que dizia: "Saia dessa casa antes que seja tarde demais." E essa mensagem me assombrou por dias. Dias em que não vi Eduard, porque ele tinha viajado de novo, dessa vez sozinho. Minha mãe voltava para casa todos os dias e passávamos as tardes juntos, compartilhando momentos que eu sempre sonhei em viver. É em momentos como esses que sinto vontade de terminar tudo o que tenho com o Eduard. Porque vim para esta cidade para compensar o tempo perdido com a minha mãe, mas estraguei tudo me envolvendo com o marido dela, que é incrivelmente atraente. Esta manhã, minha mãe convidou-me para um restaurante depois da academia, dizendo que eles servem cafés da manhã deliciosos. E ela não estava mentindo. O café da manhã estava divino. De todos os lugares onde comi, este foi o melhor. Comi tão rápido que o meu estômago começou a doer. — Aconteceu alguma coisa? Você está pálida. Perguntou ela enquanto dirigia. — Não sei, acho que vou vomitar... Ela parou o carro, eu pulei para fora, afastei-me e vomitei. Mamãe veio até mim, acariciou o meu cabelo e sugeriu: — Vamos ao médico. — Não... Estou bem agora. — Vamos sim. Você não está bem. Sem dizer mais nada, ela me levou até o carro. Lá dentro, mordi o lábio, pensando no pior. Cubro o rosto, pensando que talvez esteja grávida dele. Droga, isso não pode estar acontecendo comigo, não agora, e certamente não assim. Me*rda, eu sou a enteada, não posso estar grávida do meu padrasto. — A comida deve ter te feito m*al. Digo a mim mesma, tentando me animar. — É, deve ser isso. RELATO DA AUTORA Ao chegar ao hospital, Brig é internada. Ela passa por alguns exames que considera desnecessários, mas o médico diz que são essenciais. Depois, ela é levada para uma sala, onde começa a fechar os olhos lentamente. Enquanto isso, Barbara espera na sala de espera, nervosa e ansiosa. Ao ver o médico, ela o segue até o seu consultório, onde têm outra conversa. — Dr. Garcia, como foram os resultados dos exames? — Está tudo bem. Sua filha tem um útero muito saudável, cheio de óvulos; ela está no período fértil. — Mas eu não quero que seja com os óvulos dela. Tem que ser com os meus. — Barbara, podemos fazer a inseminação hoje, contanto que seja apenas com o esperma do Eduard. Barbara franziu a testa, demonstrando a sua discordância. — Apenas o esperma do Eduard? Por que não podemos usar o meu óvulo? — Usar o seu óvulo exigiria um processo de estimulação hormonal e extração que levaria tempo. Além disso, não há garantia de que a fertilização seria bem-sucedida. Por outro lado, se usarmos apenas o esperma do Eduard, podemos prosseguir com a inseminação de forma mais rápida e eficiente. Além disso, ela já está se perguntando por que tantos exames estão sendo feitos. Se continuarmos fazendo mais, ela começará a suspeitar de algo. Ela suspirou e continuou: — Você me disse que a convenceria, mas vem aqui dizendo que estou fazendo tudo isso sem que ela saiba. O que aconteceu? — Ela tem planos de se tornar uma grande estrela de Hollywood. Estudar é o objetivo dela, e filhos não estão nos planos. — Você sabe que ela está tendo relações se*xuais? Ela negou, sem saber que isso estava acontecendo. Até onde ela sabia, seu namorado ainda estava em Orlando. — Bem, ela está. E eu não encontrei nenhum vestígio de contraceptivo no organismo dela. Talvez ela esteja usando proteção. O problema é que, se ela fizer se*xo hoje em dia, pode engravidar, e você terá que encontrar outro útero ou esperar ainda mais. — Não vou esperar mais. Faça agora. Afinal, a única coisa que importava para ela era ter o filho do Eduard. Assim, ela poderia fazê-lo acreditar que a criança era deles. Quando Eduard descobrisse que seu filho estava a caminho, ele não a abandonaria por nada, nem mesmo quando recuperasse a memória. Assim que Brigitte estava pronta e confortável na mesa de exame, a equipe médica prosseguiu com o procedimento de inseminação. Com o máximo cuidado, o especialista inseriu o cateter com o esperma selecionado no útero de Brigitte, garantindo que o material genético chegasse ao local correto para a fertilização. Durante o processo, ela permaneceu dormindo, pois se tratava de uma inseminação contra a sua vontade. Após a inserção do esperma, ela foi levada para uma sala onde foi instruída a descansar pelo resto da tarde. — Mas por que descansar? — Realizamos uma lavagem gástrica, então você precisa descansar por algumas horas. Brigitte assentiu e agradeceu ao médico. Ela passou a tarde inteira sob os cuidados da mãe, que de repente ficou preocupada e não a deixava se mexer. — Foi só uma indigestão, não é nada demais. — Eu sei, querida. Mas deixe-me cuidar de você. Eu não pude quando você era criança, mas agora eu quero. — Tudo bem, mas você não acha que está exagerando ao não me deixar me mexer? — De jeito nenhum. Quando você for mãe, saberá do que uma mãe é capaz por um filho que ama e deseja. Brigitte sorriu. Ela não imaginava que aquilo fosse tão importante para sua mãe. Não sabia que ela estava falando do bebê que possivelmente crescia dentro dela. Era muito importante para ela ter o filho de Eduard. Com isso, e com a culpa que sentia pelo que acontecera anos atrás, ele jamais a deixaria. Ele era dela, e nenhuma vad*ia poderia tirá-lo dela. Ela o teria, seu dinheiro, tudo o que pertencia aos Richardsons, porque tudo deveria ter sido dela desde o dia em que uniu a sua vida àquele velho decrépito. No entanto, aquele miserável morreu, deixando o seu único neto como herdeiro. ‍​‌‌​​‌​‌​​​‌​​​​​​​​​​​​​​‌​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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