Episódio 8

1759 Palavras
Não consigo olhar a minha mãe nos olhos, então permaneço em silêncio, levando a colher à boca apressadamente, sentindo a tensão no ar. Meu Deus, por que fiz isso? Por que deixei isso acontecer? Me repreendo por ser tão fraca, por não respeitar a mulher que me deu a vida e, acima de tudo, me deu a oportunidade de vir morar aqui. Dou um pulo ao ouvi-lo falar comigo. — Por que tanta pressa para comer assim? Minha mãe sorri e pergunta o que há de errado comigo, me fazendo pular. — Reservei uma vaga para continuar os meus estudos de teatro. Digo, levando o chá aos lábios. — Tenho que estar lá em uma hora. — Você estuda teatro? Ela demonstra curiosidade sobre o que eu estudo, algo que a minha mãe não fazia desde que cheguei. Contei a ela sobre a universidade, e ela nunca mencionou o que eu estudava ou o quão boa eu era nisso. Ela simplesmente disse que não tinha tempo para ir comigo. Não a culpo por isso, porque ela é claramente uma mulher muito ocupada, mas acho que qualquer mãe que não vê a filha há cinco anos daria tudo para se reencontrar, não é? Ou talvez eu esteja exagerando. — Temos uma escola de teatro para aspirantes a atores, você poderia... — Não há mais vagas. Diz a minha mãe. Olho para Eduard e o vejo estreitar os olhos com a interrupção repentina da minha mãe. — Os últimos candidatos inscreveram-se ontem. Por que você não me disse que estava estudando cinema? Eu teria reservado uma vaga para você. Acho que se eu tivesse mencionado isso quando contei a ela sobre a universidade, ela teria sabido o que eu fazia da vida. — Bem, se as vagas estiverem preenchidas, vamos criar uma e dar para ela. — Não é necessário. Digo. — Eu também não quero estudar naquela escola. — Será feito assim, como eu disse. Ele conclui, mudando de assunto, mas eu a interrompo. — Agradeço a sua gentileza, Sr. Richardson, mas não vou ocupar o lugar de ninguém. Vejo o seu maxilar se tensionar, mas ele imediatamente sorri e diz: tudo bem, tanto faz. Desvio o olhar dele e olho para minha mãe. — Será apenas um curso antes de começar a universidade. Digo, para que eles não se sintam m*al por eu estar recusando a sua oferta. — Irei à reunião agendada. Volto em algumas horas. Digo à minha mãe enquanto me despeço. Não me atrevo a olhar para ele, porque sinto que, se o fizer, serei exposta. Depois de cruzar a porta, acelero o passo e corro para o carro. Longe de casa, consigo respirar; consigo me sentir calma. Ao sair do carro, recebo uma mensagem dele. Quem lhe disse que você pode recusar as minhas ordens? Mordo o lábio inferior e o deixo no vácuo. Respiro fundo e me endireito, porque só uma mensagem dele já me deixa tensa. Chego à recepção e um rapaz me cumprimenta e gentilmente me leva até o escritório. Ele me deixa sozinha com a diretora, que me explica tudo. No final, ela pergunta: você começa agora ou na semana que vem? — Posso começar agora? — Claro. Ainda é cedo, então você pode se juntar ao grupo agora mesmo, se quiser. — Sim, eu quero! Respondo animada. Isso me distrai e tira da minha cabeça o meu padrasto e tudo o que fiz com ele na noite passada. Preciso manter a minha mente ocupada, socializar com outras pessoas, para não continuar cometendo esses pecados. Eles me levam ao cinema, onde há outros jovens da minha idade, ou um pouco mais velhos. Todos me recebem bem e me dou bem com todos, porque o meu rosto inocente é muito cativante para quem me conhece. Sou como a mosca inocente que agita as coisas. Passei a manhã inteira no colégio preparatório e, quando saí, decidi dar uma volta com alguns dos meninos e meninas com quem me dava melhor. E foi assim que a tarde passou. Me despedi deles, garantindo que nos veríamos novamente na segunda-feira. Me diverti tanto com eles que voltei para casa com um sorriso enorme. Mas assim que cruzei o portão, tudo ficou tenso de novo, principalmente quando vi aquela figura alta no terraço. Ele parecia um vigia de um cartel de drogas, observando do alto da mansão. — Por que você está voltando para casa agora? Perguntou minha mãe quando me viu entrar. Ela tinha um copo de bebida na mão e o bebeu de um só gole. — Eles me aceitaram e eu decidi ficar. Depois saí com uns amigos. — Amigos? Você já tem amigos? Ela perguntou enquanto eu me sentava ao lado dela. — Sim, fiz alguns no teatro. Vi ela encher o copo de bebida novamente. — Aconteceu alguma coisa? Ela leva as mãos aos lábios e balança a cabeça negativamente. — Por que você não me conta o que está acontecendo? Ela não diz nada, apenas bebe e bebe. — Qual o sentido de te contar? Você vai me ajudar? Não entendi a pergunta, mas assenti. — Você me ajudaria a ter um filho, Brig? Você faria isso pela sua mãe? Fiquei sem palavras. Estava perdida em pensamentos quando ouvi o som dos seus passos. Levantei-me rapidamente. Saí antes que ele chegasse. Ao cruzar a porta, ouvi-o dizer: bebendo de novo. Escutei a conversa deles. — O álcool alivia essa tristeza. Ouvi ela suspirar. Estava prestes a sair quando ele disse: eu já te disse que, com ou sem filho, nunca vou te deixar. Você já se sentiu como se estivesse morrendo ao ouvir o cara de quem você gosta confessar os seus sentimentos para outra pessoa? Bem, você pode imaginar como me sinto. Corri para o meu quarto, sentindo uma lágrima escorrer pela minha bochecha. Enxuguei-a. Já dentro de casa, sorri sem ânimo, sabendo que é bobagem chorar por alguém que m*al conheço. Mas existem pessoas que deixam uma marca, que deixam uma impressão indelével. Foi o que aconteceu com Renzo, aquele garoto que roubou a minha inocência, que me ensinou o que era amar intensamente e ser amada, mas, infelizmente, um dia ele saiu da minha vida e eu nunca mais o vi. Ele parou de ir à escola, não atendia as minhas ligações e, com o tempo, eu o esqueci, nos braços de outra pessoa. Eu preciso fazer o mesmo, porque não posso continuar pensando no marido da minha mãe. Preciso tirar Eduard Richardson da minha cabeça e seguir em frente com a minha vida, com alguém da minha idade. Tento não derramar uma única lágrima, substituir aquela pequena dor que se apoderou do meu coração por um pouco de felicidade. Estou feliz porque tenho novos amigos, um lugar para me divertir, e é nisso que vou concentrar a minha atenção. Deixando de lado tudo o que me oprime, ligo o chuveiro, até mesmo a música. Não deixo muito alto, caso aquela pessoa, cujo nome não quero mencionar, muito menos pensar nela, fique chateada. Entro no chuveiro e, enquanto a música toca, esfrego o cabelo. Gosto do meu cabelo coberto de espuma, então massageio bastante até conseguir o resultado desejado. Enxugo a espuma que escorreu pelo meu rosto e, quando abro os olhos, vejo-o ali, na minha frente. Os meus lábios tremem e o medo me paralisa, porque a sua presença me deixa em transe. Estou prestes a fechar a torneira quando ele me puxa contra a parede e, com um olhar gélido, murmura: primeiro ato de desobediência, Chapeuzinho Vermelho, e você merece ser punida. — Sr... Sr. Richardson, o que... o que o senhor está fazendo aqui? As suas mãos deslizam pelo meu corpo molhado. O meu peito sobe e desce enquanto sinto o seu me*mbro pressionando a minha barriga. Ele está nu. Entrou no meu quarto nu. — O que você acha? Ele abre as minhas pernas e coloca as suas entre as minhas. Estou tão ansiosa pensando que a minha mãe pode entrar a qualquer momento que digo: saia daqui. Isso só o faz rir. — Não vai acontecer de novo. Não posso fazer isso com a minha mãe. Seu riso cessa. Ele me encara e me lembra do dia anterior. — Você não entendeu quando eu disse que não havia volta? Ele me levanta num movimento rápido. Abro a boca quando a ponta do seu pên*is repousa contra o meu centro. As suas mãos grandes me seguram pelas pernas. — Chapeuzinho Vermelho, você nunca vai se livrar de mim. Ele me deixa virar um pouco, depois me acomoda, enterrando o seu me*mbro fundo dentro de mim. Abro a boca para gritar de prazer, mas ele a tapa imediatamente, devorando-a como um louco, penetrando-me ao mesmo tempo, fazendo as minhas costas caírem sobre o piso frio. A música toca suavemente, e estamos presos num ciclo rítmico de estocadas quando ouço um dos funcionários: senhorita, a senhora está aí? Quero me afastar de Eduard, mas ele continua com força. Abro a boca para gemer, mas ele a tapa e continua a estocar, mordendo a minha orelha e rosnando baixinho: sua mãe está esperando por você no escritório. A funcionária diz, e eu mordo o lábio. — S-sim... estou indo. Consigo dizer quando ele para. Ele me deita no chão úmido, penetrando-me novamente com uma estocada poderosa, enquanto mordisca sutilmente minha orelha. Aperto os meus lábios com força para abafar um grito quando os espasmos me atingem. Eduard se afasta, lava o pên*is e sai. Eu o sigo, abro a porta e vejo que não há ninguém no vestiário ou no quarto. Volto ao banheiro e vejo Eduard se secando. — Se você ama a minha mãe, por que vem aqui? Ele me olha friamente enquanto enrola a toalha em volta do torso. — Isso é uma reclamação? — Sim, mas estou fingindo que não. Eu ouvi você dizer a ela que a amava, e se isso for verdade, não entendo por que você a está traindo. — Bem, o meu coração pertence a ela, mas isto. Ele aponta para o pê*nis. — Pertence a todos nós. — A todos nós? — Sim, o que você pensou? Que você era a única? ‍​‌‌​​‌​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​​‌‌​​‌​​‌​​​‌​​​‌​​‌​‌​‌‌‍
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