Como resistir a algo que me hipnotiza só de olhar?
Quero resistir a ele, ao seu charme masculino, mas é impossível. Basta sentir as suas mãos na minha pele, os seus lábios pressionando os meus, o seu corpo pressionado contra o meu, e aquela ma*ldita voz para me fazer abrir as pernas e me tornar sua p*uta.
Toco os meus lábios enquanto estou deitada na cama e sussurro o seu nome: "Eduard".
Nunca senti essa sensação sufocante no peito, essa necessidade de ter alguém como sinto agora. É tão forte, chegou como uma avalanche, daquelas que deixam um rastro de destruição.
Estou tão perdida nas lembranças da noite passada e de hoje que esqueço o que a empregada me disse sobre a minha mãe estar esperando no escritório.
Visto-me às pressas e desço as escadas, com os cabelos ainda úmidos. Entro no escritório e vejo a minha mãe sentada atrás da mesa, com um copo na mão. Quando me vê, ela sorri timidamente.
Desviei o olhar, sentindo a culpa me invadir. — Brig, desde que você chegou, não te dei a chance de passar um dia inteiro comigo. Então chamei você para planejarmos o que fazer amanhã, já que é fim de semana.
— Eu... eu ia para a escola amanhã...
— Bem, cancele isso, porque amanhã vamos ter um belo dia em família.
— Família? Você quer dizer você e eu?
— Não, eu quero dizer nós três, Eduard, você e eu. Somos uma família, não somos?
Deixei a minha saliva escorrer, porque acho que não consigo suportar passar um dia inteiro com aquele homem sem querer. Além disso, com a minha mãe por perto, seria muito, muito constrangedor.
— É que eu estou começando agora e...
— É por isso, querida. Você está começando agora, então não tem problema se você perder.
— Bem... eu prometi ir. Se eu não for, eles vão pensar que eu não gostei e podem dar a minha vaga para outra pessoa.
— Você está dando desculpas para não passar um tempo com a sua mãe? Eu balanço a cabeça negativamente. — E daí? Você sabe que se já pagou, eles não podem dar a sua vaga para outra pessoa. Além disso, nenhuma escola de teatro expulsa alguém assim, e mesmo que expulsassem, você poderia estudar na nossa. Eu poderia arranjar uma vaga para você...
— Não, não precisa. Digo nervosamente. — Eu já tenho uma vaga e não vou tirar a de outra pessoa. E você tem razão, eu não vou perdê-la se faltar um dia.
Era melhor passar o dia inteiro com eles do que ter que vê-los todos os dias naquela escola. Droga, eram só oito horas, eu aguentaria. Eu realmente aguentaria.
...
A manhã começa intensa, com um café da manhã que me deixa nervosa. A mão de Eduard está debaixo da mesa, tocando a minha perna esquerda, enquanto minha mãe fala sobre tudo o que faremos hoje.
Dou um sorriso nervoso quando minha mãe me olha. — Ou você gostaria de acrescentar alguma coisa à viagem?
— Nada. Está ótimo assim.
Levo a xícara de chá aos lábios, tomando um gole devagar para aliviar a tensão.
— E você, querida? Gostaria de acrescentar mais alguma coisa?
— Um passeio de iate até Alcatraz.
— Certo, eu adiciono.
Depois de terminar o café da manhã, subo para pegar a minha mala, conferindo se não esqueci nada. Ao sair, encontro Eduard no corredor. O seu olhar me queima; baixo o meu e desço apressadamente do segundo andar. Vou até o carro e espero por eles lá.
Acho que não teremos motorista, porque o Sr. Richardson decidiu demitir o que tínhamos. Pensei que fosse isso, que Eduard dirigiria, mas, em vez disso, aparece um homem mais velho, muito acima do peso, com uma barba que quase cobre o rosto.
Ele não podia ter contratado alguém como Lino?
Entro no carro, olhando para o meu celular enquanto os vejo sair. Ele gentilmente abre a porta para minha mãe, entra e o seu perfume requintado preenche os meus pulmões, fazendo-me soltar suspiros silenciosos.
Continuo conversando com Gean durante todo o caminho. É tão bom conversar com ele, porque ele geralmente me faz sorrir. Sentir o toque dos seus dedos no meu braço me faz olhar para ele. Quando os nossos olhares se encontram, um arrepio percorre o meu peito e uma dor profunda me obriga a desviar o olhar, já que ele está segurando a minha mãe adormecida.
Paramos num museu, entramos e começamos a explorar. Os meus olhos brilham enquanto observo cada figura e ouço a sua história e origem.
Saindo do museu, visitamos mais lugares e, ao meio-dia, embarcamos num iate onde almoçamos enquanto navegamos pelas águas.
Depois do almoço, eles entram na cabine e saem alguns minutos depois, já de maiô. O meu olhar se detém no corpo escultural de Eduard, mas, sabendo que a minha mãe está ao lado dele, desvio o olhar e me concentro nela.
O corpo dele é incrivelmente perfeito. Muitas mulheres da idade dele já estão acima do peso, com barriga saliente e cabelos grisalhos. Minha mãe não. Ela parece muito jovem. É por isso que, quando estão com Eduard, a diferença não é perceptível.
— Por que você não se trocou?
— Não, eu não trouxe maiô...
— Mas por que não trouxe?
— Bem, eu tenho medo de água.
Ele parece se lembrar de algo sobre isso, porque a minha fobia de lugares com água é forte. — Agora me lembro.
— Você deveria ter dito isso, e nós não teríamos vindo para cá. Diz ele.
Sem olhar para ele, eu digo: Não se preocupe comigo. Divirtam-se.
Viro-me para sair, mas ouço a sua voz rouca.
— Viemos aqui para passar o dia em família, então vamos passar o dia em família.
— O que isso significa? Pergunta minha mãe. Eu também quero saber, por que por que ele está mandando o capitão voltar?
— Não é necessário, na verdade. Eu poderia observar vocês se divertindo daqui. Gosto de estar no barco, mas não vou pular na água.
Explico, porque não quero estragar este dia.
Eduard pensa por um instante e acena com a cabeça. Depois de um "ok", ele pula na água com a minha mãe, e eles trocam um beijo que me obriga a desviar o olhar. Quando olho de volta, ele está segurando-a, com o olhar fixo em mim. Ele sorri, como se o que estivesse acontecendo fosse engraçado. Talvez seja para ele, mas para mim é muito doloroso, então decido sair dali e ir para a proa.
Mordo o lábio enquanto contemplo a vista espetacular. Algo dentro de mim dói, como um espinho perfurando um músculo do meu corpo.
Um passeio em família?
Eu vejo mais como um passeio de casal, porque tudo o que eles fizeram foi estar juntos, cheios de carinho, expressando o seu lindo amor.
É assim que são os passeios em família?
Não sei, porque nunca tive um passeio em família. Desde que me lembro, quando minha mãe ainda morava com meu pai, ela estava sempre viajando. Nos poucos dias que passava em casa, eles se reuniam com amigos, onde as crianças não eram convidadas. E durante o tempo em que morei com meu pai, ele nunca me convidou para um passeio em família.
Esta é a coisa mais próxima de um passeio em família que já tive. Mas é tão diferente dos passeios para os quais meus amigos me convidavam com as suas famílias. Não tem nada a ver com o que eu via nas famílias dos meus amigos.