Pela manhã estava tudo nublado, o céu coberto por um cinza pesado que parecia refletir o estado da alma de Lucas. Ele estava diante do espelho, ajeitando o paletó com movimentos automáticos. O rosto, cansado. As olheiras, profundas. E o olhar, distante — como se ainda estivesse preso na noite anterior. Sofia o observava da porta, silenciosa. O cheiro do café se espalhava pela cozinha, mas ele parecia alheio a tudo. — Você dormiu? — perguntou ela, baixinho. — Um pouco. — Ele respondeu sem olhar. — E você? — Tentei. — A voz dela saía calma, porém trêmula. — Você tem certeza que quer ir sozinho? Lucas ajeitou a gravata, respirando fundo. — É melhor assim. Sofia se aproximou. — “Melhor assim” é o que você sempre diz antes de se fechar de novo. Ele parou, encarando-a pelo reflexo do espe

