O carro tinha acabado de sair com ela, e a casa ficou num silêncio estranho. Eu não era homem de silêncio. Sempre teve barulho na minha vida: rádio ligado na boca, gente gritando na rua, moto subindo o beco, tiro estourando. Mas ali, naquela sala, só tinha eu e o moleque. Caique resmungava no berço. Não era choro forte, ainda, mas eu já aprendi em um mês que se eu não agisse rápido, vinha tempestade. Passei a mão na cabeça dele, tentando acalmar. Não adiantou muito. — Tá com fome, né, pivete? — murmurei, e ele respondeu com um berro tão alto que parecia me desafiar. Soltei um palavrão baixo, fui até a bolsa de Mariana e peguei uma das mamadeiras. Eu nunca fui homem de cozinha, e muito menos de cuidar de bebê, mas já tinha observado ela mil vezes. Abri a lata de leite em pó, coloquei dua

