74. Mariana

1092 Palavras

Eu ainda estava secando os pratos quando ouvi o barulho dele puxando a gaveta do criado-mudo no quarto. Olhei de relance e vi Tiago voltando, com Caique aninhado em um braço e um maço de dinheiro na outra mão. O contraste era quase cômico: o homem mais temido do morro, que carregava pistola na cintura como extensão do corpo, agora equilibrava um bebê de um mês enquanto abanava notas como se fosse nada. — Toma. — estendeu o dinheiro pra mim, firme, sem cerimônia. Fiquei parada, meio sem reação. — Pra quê tudo isso? — Pra fazer compra decente. — A voz dele saiu grossa, autoritária, como se fosse óbvio. — Fralda, leite, comida... tudo. E não quero ver você voltando com o carrinho pela metade, Mariana. Olhei para o bolo de notas, um frio na barriga. Devia ter ali o que eu levaria meses p

Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR