73. Mariana

1131 Palavras

O arroz já estava quase pronto. A panela chiava, o cheiro simples se espalhando pela cozinha pequena. Eu mexia a colher de p*u tentando fingir normalidade, mas meus olhos não paravam de se virar pra sala. Tiago estava sentado no sofá, com Caique deitado no colo dele. Uma cena que, se eu contasse pra alguém, ninguém acreditaria. O homem que todos chamavam de Caveira, o dono do morro, ali, com meu filho no colo, tentando brincar. — Para de olhar assim — resmungou sem levantar a cabeça. — Vai queimar a comida. Mordi o sorriso e voltei pros grãos na panela. Mas ainda escutava. — Olha aqui, moleque... — a voz dele era grave, quase um sussurro. — Tu vai crescer e vai obedecer teu pai, entendeu? Nada de choro de madrugada. Homem não faz escândalo. Caique deu um resmungo, chutou as perninhas.

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