O sol da tarde entrava pela janela, quente demais dentro de casa. Eu já tinha aproveitado pra colocar a máquina de lavar pra rodar cedo, e agora era hora de estender as roupas no varal na laje. Deixei a cesta na cozinha e olhei pro tapetinho onde Tiago ainda estava com Caique. — Vou estender as roupas. Fica de olho nele, tá? — falei, simples. — Tá achando que eu não dou conta, Mariana? Vai logo. — Ele ergueu o rosto, ofendido, como se eu tivesse duvidado da capacidade dele. Revirei os olhos e saí com a cesta de roupas. Subi até a laje, o vento quente batendo no rosto, e comecei a pendurar as peças uma a uma. Era uma das poucas rotinas que me davam paz, ver as roupas limpas balançando, sinal de que as coisas estavam em ordem. Enquanto isso, lá embaixo, o silêncio foi quebrado por um cho

