Tiago ainda estava com Caique no colo, e eu via nos olhos dele uma coisa que não era comum: emoção crua, sem máscara, sem armadura. O bebê repetia "papa" como se fosse música, rindo alto, e o peito dele subia e descia pesado, como se tentasse segurar o impacto. Quando finalmente levantou o olhar e me encontrou, o ar pareceu tremer entre nós. Ele caminhou até onde eu estava encostada, as passadas firmes enchendo a sala de silêncio. Caique ainda agarrado no pescoço dele, sorrindo, sem ter ideia do que aquele momento significava. Ele parou na minha frente, tão perto que senti o calor da pele dele misturado ao cheiro de rua, de cigarro e da vida perigosa que carregava nos ombros. Sem dizer nada, Tiago me encarou fundo, como se procurasse alguma resposta dentro de mim. E então, sem aviso, in

