Os dias foram passando, e quando me dei conta, já tinham se transformado em meses. O tempo, antes marcado por faltas e ausências, agora corria de outra forma dentro daquela casa. A cada manhã, eu acordava e via Caique maior, mais esperto, sorrindo fácil, reconhecendo meu rosto e de um jeito que sempre me surpreendia, reconhecendo a voz do pai. O morro também parecia diferente. Não que tivesse deixado de ser perigoso, nunca deixaria, mas a minha vida dentro dele já não era a mesma. Onde antes eu passava despercebida, agora as pessoas me olhavam de outro jeito. Com respeito, com medo, com curiosidade. Eu, que já cheguei a implorar para catar latinha, agora era vista como a mulher do Caveira. Tiago, por sua vez, continuava sendo quem era. Duas faces de um mesmo homem. Para os outros, era o

