Passei o dia com um peso no peito que não descia. Eu tentei disfarçar, lavei roupa, ajeitei as coisas de Caique, até brinquei com ele, mas dentro de mim ainda ecoava a voz da minha mãe na porta. "Eu te coloquei nesse mundo e faço questão de te tirar, sua vagabunda." Aquelas palavras tinham grudado na minha pele como veneno. Quando a noite caiu, a casa ficou mais silenciosa do que nunca. Caique dormia pesado no berço, o resmungo suave de bebê no ar. Eu sentei na beira da cama, abraçando as pernas, olhando pro nada. A despensa estava cheia, a mesa não tinha mais vazio, mas por dentro eu ainda me sentia como antes: sozinha, desamparada, com medo. O barulho de passos firmes subindo a escada me arrancou dos pensamentos. O coração acelerou sem querer. A campainha tocou curta, depois o som da c

