80. Caveira

849 Palavras

Sentei na poltrona do meu canto favorito, o lugar onde ninguém ousava se aproximar sem ser chamado. Na mesa, larguei a pasta preta que um dos meus homens trouxe. Tranquei a porta atrás de mim e fiquei sozinho. Abri devagar, como se fosse presente de aniversário. Lá dentro, um b.ozão, o registro contábil da boca. Caderno surrado, anotações rabiscadas, contas de venda, nomes riscados, dívidas pagas e a movimentação do dinheiro que corre todos os dias pelo morro. O caderno que o Marreco, meu braço direito, deveria ter entregue direto nas minhas mãos. Mas não entregou. Levou junto uma parte gorda do dinheiro. Passei as páginas, devagar, soltando uma gargalhada seca quando vi o rombo. Centenas de milhares, talvez mais. Pra qualquer outro, seria a ruína. Pra mim, não passava de migalha. — Es

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