79. Mariana

533 Palavras

Minha mão ainda segurava a porta, mas a cada segundo que passava eu sentia a força da minha mãe se tornar mais agressiva. Os olhos dela estavam vidrados, vermelhos, e o suor escorria pelo rosto, pingando no chão. Ela não queria falar comigo, queria me usar. E, quando percebeu que aqui não ia conseguir nada, a máscara caiu de vez. — Eu sou sua mãe, p***a! — gritou, empurrando de novo, com os braços finos mas cheios de raiva. — Eu te coloquei nesse mundo, Mariana! O peito me apertou, e por um instante vi um clarão de lembrança: ela sorrindo, anos atrás, ainda sóbria, me levando pra escola de mão dada. Mas essa mulher não existia mais. Na minha frente estava alguém corroída pelo vício, que só via em mim uma carteira de pagamento. — Isso não te dá o direito de acabar com a minha vida também

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