71. Caveira

1045 Palavras

A claridade da manhã entrou devagar pela janela m*l vedada, mas eu já estava acordado há muito tempo. O sono nunca foi generoso comigo. A vida me ensinou que dormir pesado é pedir pra morrer, e eu não cheguei onde cheguei sendo i****a. Mariana respirava fundo contra o meu peito, como se tivesse encontrado algum tipo de paz nos meus braços. E aquilo me corroía. Porque eu não era paz. Eu era guerra. Eu era sangue derramado, tiro no beco, dívida cobrada na marra. Eu era Caveira. Passei os olhos pelo rosto dela. Jovem demais. Frágil demais. Tão limpa que parecia não caber no meu mundo. E ainda assim, ali estava ela, aninhada como se eu fosse porto seguro. A ponta dos meus dedos roçou os fios do cabelo dela. Macios. A sensação me irritou porque despertava um lado meu que eu mato todo dia: o

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