Voltei do posto já de noite, os pés pesados, o corpo exausto, mas o coração um pouco mais calmo. Caique dormia no meu colo, encostado no meu peito, os soluços dele espaçados como se tivesse chorado até não ter mais forças. Eu o acariciava devagar, ainda com as palavras da enfermeira ecoando na mente: é cólica, vai passar, você não está sozinha. Quando virei a esquina da minha rua, vi a sombra primeiro. Encostado na porta da minha casa, braços cruzados, olhar fixo no chão, estava ele. Tiago. Meu coração deu um pulo no peito. Ele ergueu o rosto quando me viu, e os olhos negros vieram direto nos meus, firmes, sérios, mas com algo diferente. Não era só dureza, havia preocupação. — Que p***a foi essa, Mariana? — a voz dele saiu grave, mas não fria. — Ouvi no beco que o moleque tava passando

