O ano virou sem fogos por aqui. Não porque não tivesse barulho no céu, teve sim. Foguetes, rojões, música alta. As casas ao redor se encheram de gritos e risadas. Mas dentro da minha pequena casa, a virada foi silenciosa. Só eu e Caique. Ele mamando no peito enquanto eu acariciava os cabelinhos finos dele e sentia as lágrimas escorrerem sem aviso. Era como se meu corpo todo respirasse alívio por ter sobrevivido ao ano anterior... e, ao mesmo tempo, medo do que vinha pela frente. Agora, já era a primeira semana de janeiro, e os dias escorriam em ritmo morno. O calor era sufocante, e eu me dividia entre limpar a casa, cuidar de Caique e tentar não me perder nos próprios pensamentos. A casinha simples onde Tiago nos colocou continuava arrumada, com tudo que precisávamos, mas ele... ele sum

