Depois da sobremesa, a sala ficou mergulhada num silêncio quase íntimo. A árvore piscava devagar, iluminando o rosto de Tiago e o corpinho de Caique que ainda dormia pesado no colo dele. Por um instante, eu pensei que ele fosse se levantar e ir embora sem dizer nada, mas não. Ele ficou ali, olhando para o bebê como se não conseguisse soltar. Até que, devagar, ele se levantou. Eu o segui com os olhos, sem me mover, enquanto ele atravessava a sala e entrava no quarto do menino. Ajeitou Caique no berço com um cuidado que eu não sabia que ele tinha. Não foi duro, nem rápido, foi paciente. O cobriu com a manta branca, passou a mão pesada na cabeça miúda, e ficou ali por alguns segundos, só observando. Depois voltou para a sala. Sentou-se na cadeira perto da janela, acendeu um cigarro sem pres

