Capítulo 12 — A Corrente Invisível

1074 Palavras
Beatriz não sabia mais o que estava acontecendo com ela. A confusão na mente era imensa, mas o que mais a assustava era o que estava acontecendo com seu corpo. Desde o beijo, algo dentro dela parecia ter despertado — uma necessidade incontrolável, um fogo que não se apagava. Ela se viu, mais uma vez, de volta ao escritório do advogado. A casa vazia, o telefone silencioso, ela sentada na cadeira com os documentos à sua frente, mas sem conseguir focar no que estava ali. O papel em branco na sua mão parecia estar mais sujo do que a própria assinatura de divórcio. Era uma piada, na verdade. Uma tentativa de fazer algo que, no fundo, ela sabia que não conseguiria. O telefone vibrou. Eduardo. Beatriz olhou para ele, mas não atendeu. Sabia que ele estava tentando fazê-la ceder, da mesma forma que ele sempre fazia. Ele conhecia o ponto fraco dela — e, ao contrário do que ela pensava, não era mais a indiferença dele que a afligia. Era o jeito como ele havia começado a invadir seus pensamentos. Ele não a deixava em paz. Ela apertou os olhos, tentando se concentrar novamente, mas logo o telefone vibrou de novo. Atenda. Era como uma ordem não dita, mas sentida. Beatriz engoliu seco, suspirou, e finalmente atendeu. — Você vai mesmo fazer isso? — a voz de Eduardo, mais baixa do que o habitual, soou do outro lado. Ela respirou fundo. — Já fiz. — E o que você espera disso? — perguntou ele, com um tom mais suave. Era difícil de acreditar, mas a suavidade estava ali, disfarçada pela intensidade da voz. — Você acha que vai conseguir fugir disso? Beatriz mordeu o lábio. — Eu já disse o que precisava dizer. Não tem mais volta. Eduardo riu, mas não era o riso de antes, o riso cínico. Era uma risada carregada de algo muito mais profundo, quase ameaçadora. — Você realmente acredita nisso? Que pode sair, fugir de mim, da gente? Ela fechou os olhos, tentando resistir. O sentimento de fraqueza já estava lá, batendo com força, como uma onda prestes a engoli-la. — Eu não estou fugindo de você — ela disse, a voz trêmula. — Eu estou indo embora porque preciso. A risada dele parou de repente. — Você está indo embora porque sente medo de ficar, Beatriz. Ela não respondeu. — Você sabe que não consegue ficar longe de mim. — O tom de Eduardo se tornou mais grave, mais próximo. — Eu te disse que não havia volta. Você não pode sair de mim. Aquelas palavras a atingiram mais forte do que ela queria admitir. Ela engoliu em seco. — Não é assim que funciona. — Não é? — perguntou ele, a tensão crescente na sua voz. — O que você vai fazer quando me ver na sua porta de novo? O que vai fazer quando precisar de mim? Quando você souber que não pode mais viver sem mim? Ela se levantou, tentando controlar a respiração. — Eu vou… — Ela não sabia o que ia fazer. Não sabia mais o que fazer, na verdade. — Eu não vou voltar atrás. — Vamos ver, Beatriz — ele disse, com uma calma perigosa. — Vamos ver quanto tempo você aguenta. Eu não sou fácil de ignorar, e você vai descobrir isso em breve. O silêncio no telefone foi esmagador. Beatriz sentiu uma pressão no peito, mas não foi a pressão do medo. Era outra coisa, algo mais quente, mais intenso, como uma corrente invisível puxando-a para ele. — Eu sei o que você está sentindo — disse Eduardo, como se tivesse lido sua mente. — E eu sei que você está começando a querer voltar. E não é mais sobre você ou eu. É sobre nós. O destino vai se cumprir, Beatriz. Acredite nisso. Ela desligou o telefone, mas o coração ainda estava acelerado, e o pensamento de Eduardo continuava preso à sua mente. Não importava o que ela fizesse, a obsessão dele estava tomando forma, e ela sabia que ele não a deixaria partir facilmente. Naquela noite, Beatriz estava deitada na cama do hotel, tentando afastar o pensamento de Eduardo. Mas como poderia? A conexão entre eles parecia estar além de sua compreensão. De repente, a porta do quarto foi aberta sem aviso. Ela se levantou rapidamente, mas não foi surpresa. Era Eduardo. Não havia como ele ter chegado ali sem que ela soubesse. Ele sempre parecia um passo à frente. Ele entrou, sem uma palavra, e fechou a porta atrás de si. — Você está me seguindo agora? — Beatriz perguntou, tentando esconder o medo que estava começando a tomar conta dela. Ele não respondeu. Em vez disso, se aproximou, seus olhos fixos nela, escuros e profundos. — Você não entende, Beatriz. — Ele a olhou com uma intensidade que parecia atravessar sua alma. — Eu não sou uma escolha. Eu sou uma necessidade. Ela queria falar, queria gritar que aquilo não era verdade, mas as palavras se calaram em sua garganta. Eduardo deu um passo mais perto, e então mais um. Beatriz estava paralisada, a distância entre eles desaparecendo com cada segundo. Ele parecia absorver a energia dela, dominar o espaço ao seu redor, e quando ele chegou finalmente até ela, seu toque foi suave, mas implacável. A mão dele tocou sua face, e ela sentiu um calor percorrer seu corpo. — O que você está fazendo? — ela perguntou, tentando manter a compostura. Ele a puxou para mais perto, até seus lábios estarem a poucos centímetros dos dela. — Estou te mostrando que você não pode fugir de mim. Não mais. Beatriz não sabia como reagir. O desejo estava lá, começando a consumir tudo. Ela tentou recuar, mas a mão de Eduardo segurou sua nuca com firmeza. — Não tente resistir — ele sussurrou, antes de beijá-la. O beijo foi quente, urgente. E, apesar de todos os seus esforços para manter a distância, Beatriz se viu cedendo. O corpo dela respondeu ao dele de uma forma que ela não conseguia controlar, como se o próprio ar estivesse carregado de eletricidade. Ela tentou afastá-lo, mas ele não permitiu. A necessidade dele, a obsessão que começava a invadir seus próprios pensamentos, a puxava de volta para ele. O que começou como uma tentativa de resistência logo se transformou em algo muito mais intenso. E quando Beatriz percebeu, não havia mais saída. Ela estava exatamente onde ele queria.
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