O dia tinha tudo pra ser normal. Acordei, tomei café com a vó Cida — que, por sinal, passou a manhã toda implicando comigo porque eu não sorria nem quando o pão de queijo explodia quente no café. Cheguei na loja e mergulhei no trabalho, tentando não pensar em nada. Era isso: rotina. Venda, planilha, cliente. Nada de amor, nada de Clara, nada de lembranças. Pelo menos era o que eu achava. O relógio marcava quase onze da manhã quando o Djalma apareceu na minha frente com os olhos arregalados. — Beto… — disse ele, piscando rápido. — Eu acho que tu tem visita. Levantei os olhos do computador. — Visita? — É. — Ele fez um gesto meio teatral. — Uma galera ali na porta. — Djalma, eu tô ocupado, fala pra eles que— — Não, não, tu vai querer ver. — Ele fez suspense, apontando pro vidro.

