ÀS COISAS NÃO ESTÃO BOAS

1108 Palavras
Flor Chego em casa já 23:00 horas e minha vó já está no 10° sono, tento fazer o mínimo de barulho. Vou direto pro banheiro tomar um banho,e depois descer pra comer, porque por mais que eu trabalhe em um restaurante, eu sempre chego morrendo de fome, já que não podemos comer nada lá. (...) Depois de tomar banho, estou comentando meu bom e velho cuscuz, e pensando na proposta daquele louco, será que ele quer que eu seja sua garçonete particular? restaurantes ele não tem, se tivesse não estaria comendo lá. Vou caçar meu celular e pesquisar o nome dele. Meu Deus... vejo que ele é capitão da marinha, tem 41 anos, o que um cara da marinha vai querer comigo? Eu só sou uma jovem de 21 anos que serve mesa, nada além disso. Olho o cartão dele e fico pensando se eu deveria arriscar ou não. Me tirando dos meus pensamentos,meu telefone toca, olho e é o Caíque. - Oi - Venha amanhã. - Amanhã é minha folga. - Não é mais, esteja aqui amanhã no mesmo horário- diz e desliga. O cara além de me ligar fora do horário de trabalho, ainda tira minha folga... meu Deus, sei que antes da vitória, tem que ter a prova, mas que luta viu. Coloco meu prato na pia, pois está sem água e vou deitar. (...) São 12:29 e eu ainda não fui almoçar porque o restaurante está cheio, o só tem eu e Isabel. Aqui é um restaurante de alto padrão, mas os funcionários são como escravos, trabalhamos bem mais de 12 horas por dia, é tanto "extra" que precisamos fazer, que se deixar trabalhamos 24 horas. Como um restaurante que só uma porta paga uma entrada de uma casa, só tem 2 garçonetes trabalhando, só nesse restaurante. - Com licença, tudo bem com seu prato? deseja mais alguma coisa? - falo sorrindo, vindo em uma cliente que a Isabel estava atendendo. - Não, Eu estou esperando essa gororoba que vocês chamam de molho ser trocada - diz de forma totalmente rude. - Me desculpe, qual é o problema com o molho, senhora? - era que me faltava, continuo seguindo o protocolo. - O problema? O problema é que isso aqui está aguado e sem gosto. Vocês deveriam ter vergonha de servir algo assim… e sinceramente, esperava mais de um lugar como este - Agora o que eu tenho com isso? Nem sou eu que faço, eu só sirvo. - Entendo, posso providenciar um novo imediatamente. - Não, não quero mais, perdi a fome, e francamente, vocês demoraram demais para vir até aqui - vocês? eu nem estava servindo essa mulher, vim pra fazer um favor - Não sei o que passa na cabeça do Cleber ao contratar... - me olha de cima a baixo- ... pessoas como você para atender clientes - pessoas como eu? o que essa v*******a velha está falando. - Eu entendo a sua frustração senhora, não vai querer mesmo trocar o prato? irei retirar e fechar a conta. Faço menção de pegar o prato do molho para retirar e ela segura o prato, me impedindo de pegar, em um piscar de olhos, ela simplesmente joga o molho todinho em mim, sim essa veia dos infernos acabou de jogar molho na minha cara, no meu uniforme. - Pronto, limpa isso logo, e da próxima vez, seja mais eficiente e saiba o seu lugar. Eu fico incrédula que 12:30 da tarde tem molho na minha cara. Não digo mais nada, me retiro e vou em direção a cozinha. - Vai lá chama quem você quiser, tenho certeza que vão concordar que a culpa é sua - diz gritando enquanto me afasto. Entro na cozinha e o Cleber está mexendo nas panelas, andando pra lá e pra cá. - Cléber, você precisa fazer alguma coisa! A cliente... ela jogou molho em mim, na minha cara pra ser mais exata, e ainda foi racista pra fechar o pacote - falo indignada procurando um pano pra limpar meu rosto. - Pelo amor de Deus, Ana flor, eu estou ocupado. de novo você arrumando problema? sempre você, e agora todo esse drama pra que? - Drama, Cléber? Olhe para mim! Eu estou toda suja - Sim e o que você fez para provocar isso? Porque clientes aqui não atiram comida em funcionários do nada. - Eu fui perfeitamente profissional! eu nem estava atendendo ela, fui somente conferir se estava tudo bem com os pratos como a Isabel me pediu, porém ela reclamou do molho, e depois começou a me ofender, e jogou o molho na minha cara. - E vai dizer que foi racismo né ? tudo é racismo hoje em dia. Escuta,nós trabalhamos com o público, o cliente está sempre tem razão, mesmo quando não tendo, seu trabalho é somente servir as meses e sorrir. - Então você está dizendo que eu posso ser tratada de qualquer forma e ficar calada? - Esse homem é h******l. - Estou dizendo que você precisa aprender a lidar com as situações, se o molho estava r**m, você devia ter corrido para resolver… agora , vá trocar esse uniforme e volte pra sua função, Se isso virar uma grande confusão, só vai assustar a clientela, vou eu mesmo resolver isso, como sempre vocês não fazendo o simples, o próprio trabalho de vocês - diz saindo. Respiro fundo e vou pro vestiário trocar de uniforme pra continuar trabalhando. (...) Chego em casa e penso no que aconteceu hoje, eu não mereço passar por isso, meu salário não vale isso. Vejo o cartão do marinheiro lá em cima da mesa quando chego em casa, e resolvo ligar, nunca vou saber o que é, se eu não testar. Sento no sofá e a ligação fica chamando e ninguém atende, quando vou desligar alguém atende. * Alô? quem me incomoda? - ouço uma voz grossa de sono, pelo horário, deve realmente estar dormindo. * Oi, é... você me deu o seu cartão - ele fica em silêncio, meu Deus que nervoso - No restaurante. * Ja entendi Flor, você aceitou a proposta? - Ele lembra meu nome, meu Deus * Eu liguei pra saber qual proposta, não posso aceitar algo que não sei - ouço ele rindo. * Vem no meu escritório amanhã e conversamos. * Onde é seu escritório? * Não se preocupe, eu peço pra alguém e lhe buscar. * Não precisa, dou um jeito * Amanhã as 09:00 esteja pronta, e me passe seu endereço por mensagem - ele acha que manda em mim é? - agora vou precisar desligar, tchau querida, até amanhã. * Tchau - falo somente.
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