Flor
São 08:58 e tem um carro buzinando na minha porta, eu já estou pronta, só estava passando um gloss.
- Filha tem um carro enorme na porta buzinando, é pra você? - minha diz olhando na brecha da janela.
- É sim vó
- É ubi ou namorado? - dou risada.
- É uber vó, vou na rua resolver uma coisa - não vou contar pra ela isso né.
- Viu, filha se for passar no centro traz abacaxi
- Viu vó, pode deixar ... ja vou indo tá bom?
- Certo, juízo... Deus acompanhe.
- Amém - dou um beijo nela e saio, um homem que deve ter quase minha idade sai do carro - Bom dia - o cumprimento.
- Bom dia, Ana Flor?
- Isso - ele abre a porta traseira, entro como uma diva, o povo não quer parar no sinal para eu atravessar na faixa de pedestres, imagine abri porta de carro.
(...)
Demorou cerca de 10 minutos, e chegamos em uma casa enorme... isso aqui não é escritório.
O portão se abre e vejo que tem um segurança de butuca, um capitão da marinha precisa de segurança?
O carro estaciona, o motorista abre a porta do carro para eu descer e logo depois abre a porta da casa, meu Deus quanta gentileza.
- Obrigado - falo entrando e vem uma senhora sorrindo e retribuo o sorriso.
- Bom dia senhorita Ana Flor - porque todo mundo sabe meu nome aqui?
- Bom dia, seu nome é?
- Berna, sou a governanta da casa - só vejo governanta na TV, o cara é rico mesmo - É um prazer conhecer a senhorita.
- O prazer é meu - retribuo sem graça.
- Vem, vou te levar até a sala do senhor Lee - ela vai na frente e vou atrás, o que estou fazendo meu Deus, ela para em frente a uma porta enorme e bate, escuto um "entra" - pode ficar a vontade, licença - diz e sai.
Entro discreta, morrendo de vergonha... medo, tudo junto.
- Bom dia Flor - ele me cumprimenta sentado atrás da mesa
- Bom dia - respondo
- Não precisa ficar acanhada,
senta - e assim eu faço - vou terminar de enviar um documento aqui, já tomou café? - esse é o mesmo cara do restaurante ?
- Já tomei sim, senhor
- Não precisa me chamar de senhor aqui, deixa pra outro momento - Que outro momento?
- Achei que iriamos conversar no seu escritório - comento.
- Aqui é um dos meus escritórios - ele se refere a sala.
- Você entendeu - falo, ele sabe o que estou tentando dizer, vejo seu sorriso.
- Acabei, vem... vamos comer - diz levantando.
- Eu já comi, gostaria de conversar logo.
- Pra que essa pressa, vamos - fala saindo da sala, não me dando alternativa, a não ser ir também.
Passando por um corredor e paramos em uma sala de jantar, que está repleta de comida na mesa, quantas pessoas será que comem aqui?
- Sente - se - fala puxando a cadeira pra mim - se tiver alguma coisa que não gosta é só falar - que proposta de emprego é essa que dá essa mordomia toda.
Começando a comer e os funcionários que nos serviram já saíram, só está nos dois em um total silêncio
- Sua família é grande? - ele quebra o silêncio.
- Não, sou só eu e minha vó
- Cadê seus pais? - e lá vamos nós.
- Meu pai eu não faço a mínima ideia, e minha mãe está morta.
- Sinto muito - diz de uma forma sincera.
- Não sinta - respondo com a mesma sinceridade.
- A quanto tempo é so você e sua vó? - o que isso muda no meu trabalho?
- 12 anos - vejo sua feição surpresa.
- Vocês se dão bem? - ele questiona enquanto come.
- Eu e minha vó? sim
- Não senti confiança nesse sim não
- Fui sincera, nos respeitamos muito e nos amamos muito, mas como qualquer mãe e filha tem suas desavenças.
- Você que paga as contas de casa? - Eita que está questionador.
- Também... dividimos tudo, essa já é minha entrevista? - questiono curiosa e ele rir.
- Não, so curiosidade minha mesmo.
- Vai demorar? tipo... eu gostaria muito de falar logo sobre a proposta de emprego - falando assim acabou de perder o emprego que nem conseguiu.
- Entendo sua presa... vamos voltar pro escritório - diz levantando e faço o mesmo, e coloco a uva que estava comendo de vonta mesa - se quiser
levar... - ele diz ao perceber meu ato.
- Não, precisa não
- Então vamos
(...)
Entramos no escritório, ele dessa vez não senta na cadeira e sim se encosta na mesa e observa sentar.
- Bom... primeiramente o valor da proposta vai ser 6 mil.
- Por mês? - pergunto chocada.
- Sim, por mês
- E eu trabalharia aonde? na casa???
- Quase isso
- Um faz tudo, arruma, serve? é isso
- Não - ele diz e sorrir... eu não estou entendendo é nada mais.
- E qual vai ser minha função aqui?
- Ser minha - ele responde sério.
- O que? - pergunto chocada.
- Você ouviu
- Eu não sou p********a tá, me da
licença - falo levantando para sair e ele segura meu braço.
- Espera, vamos conversar
- Conversar o que? você está me chamando de p********a, ou melhor achando que sou uma, me oferecendo dinheiro em troca de s**o - falo tirando meu braço da sua mão.
- Eu? não disse nada disso.
- E porque está oferecendo 6 mil pra t*****r com você? estou ate valendo muito - ele rir.
- Não estou lhe oferecendo 6 mil pra t*****r com você, esta recebendo um salário mínimo pra trabalhar 8 horas, ser humilhada e rebaixada de segunda a segunda, e estou lhe dando a oportunidade de ficar comigo, sem trabalhar, sem humilhação, e recebendo seu dinheiro.
- Que tipo de proposta é essa? - pergunto
chocada - quem oferece a uma estranha 6 mil por mês, pra ser esposa troféu?
- Ué ... eu
- E qual os acordos desse contrato??
- Estava esperando por essa
pergunta - diz tirando um envelope da gaveta - pode ler com calma depois.
- Eu posso ir?
- Se quiser pode sim... você tem meu número, qualquer coisa pode ligar ou mandar mensagem.
- Já vou, tchau - falo indo em direção a porta.
- Ana - ele me chama e viro em direção a ele - pensa com carinho tá - não digo nada e fecho a porta.
(...)
Eu ainda estou no ônibus incrédula com a proposta que eu recebi, nem sou bonita assim, tipo seila... o que aquele homem viu em mim.