A PROPOSTA

1149 Palavras
Flor São 08:58 e tem um carro buzinando na minha porta, eu já estou pronta, só estava passando um gloss. - Filha tem um carro enorme na porta buzinando, é pra você? - minha diz olhando na brecha da janela. - É sim vó - É ubi ou namorado? - dou risada. - É uber vó, vou na rua resolver uma coisa - não vou contar pra ela isso né. - Viu, filha se for passar no centro traz abacaxi - Viu vó, pode deixar ... ja vou indo tá bom? - Certo, juízo... Deus acompanhe. - Amém - dou um beijo nela e saio, um homem que deve ter quase minha idade sai do carro - Bom dia - o cumprimento. - Bom dia, Ana Flor? - Isso - ele abre a porta traseira, entro como uma diva, o povo não quer parar no sinal para eu atravessar na faixa de pedestres, imagine abri porta de carro. (...) Demorou cerca de 10 minutos, e chegamos em uma casa enorme... isso aqui não é escritório. O portão se abre e vejo que tem um segurança de butuca, um capitão da marinha precisa de segurança? O carro estaciona, o motorista abre a porta do carro para eu descer e logo depois abre a porta da casa, meu Deus quanta gentileza. - Obrigado - falo entrando e vem uma senhora sorrindo e retribuo o sorriso. - Bom dia senhorita Ana Flor - porque todo mundo sabe meu nome aqui? - Bom dia, seu nome é? - Berna, sou a governanta da casa - só vejo governanta na TV, o cara é rico mesmo - É um prazer conhecer a senhorita. - O prazer é meu - retribuo sem graça. - Vem, vou te levar até a sala do senhor Lee - ela vai na frente e vou atrás, o que estou fazendo meu Deus, ela para em frente a uma porta enorme e bate, escuto um "entra" - pode ficar a vontade, licença - diz e sai. Entro discreta, morrendo de vergonha... medo, tudo junto. - Bom dia Flor - ele me cumprimenta sentado atrás da mesa - Bom dia - respondo - Não precisa ficar acanhada, senta - e assim eu faço - vou terminar de enviar um documento aqui, já tomou café? - esse é o mesmo cara do restaurante ? - Já tomei sim, senhor - Não precisa me chamar de senhor aqui, deixa pra outro momento - Que outro momento? - Achei que iriamos conversar no seu escritório - comento. - Aqui é um dos meus escritórios - ele se refere a sala. - Você entendeu - falo, ele sabe o que estou tentando dizer, vejo seu sorriso. - Acabei, vem... vamos comer - diz levantando. - Eu já comi, gostaria de conversar logo. - Pra que essa pressa, vamos - fala saindo da sala, não me dando alternativa, a não ser ir também. Passando por um corredor e paramos em uma sala de jantar, que está repleta de comida na mesa, quantas pessoas será que comem aqui? - Sente - se - fala puxando a cadeira pra mim - se tiver alguma coisa que não gosta é só falar - que proposta de emprego é essa que dá essa mordomia toda. Começando a comer e os funcionários que nos serviram já saíram, só está nos dois em um total silêncio - Sua família é grande? - ele quebra o silêncio. - Não, sou só eu e minha vó - Cadê seus pais? - e lá vamos nós. - Meu pai eu não faço a mínima ideia, e minha mãe está morta. - Sinto muito - diz de uma forma sincera. - Não sinta - respondo com a mesma sinceridade. - A quanto tempo é so você e sua vó? - o que isso muda no meu trabalho? - 12 anos - vejo sua feição surpresa. - Vocês se dão bem? - ele questiona enquanto come. - Eu e minha vó? sim - Não senti confiança nesse sim não - Fui sincera, nos respeitamos muito e nos amamos muito, mas como qualquer mãe e filha tem suas desavenças. - Você que paga as contas de casa? - Eita que está questionador. - Também... dividimos tudo, essa já é minha entrevista? - questiono curiosa e ele rir. - Não, so curiosidade minha mesmo. - Vai demorar? tipo... eu gostaria muito de falar logo sobre a proposta de emprego - falando assim acabou de perder o emprego que nem conseguiu. - Entendo sua presa... vamos voltar pro escritório - diz levantando e faço o mesmo, e coloco a uva que estava comendo de vonta mesa - se quiser levar... - ele diz ao perceber meu ato. - Não, precisa não - Então vamos (...) Entramos no escritório, ele dessa vez não senta na cadeira e sim se encosta na mesa e observa sentar. - Bom... primeiramente o valor da proposta vai ser 6 mil. - Por mês? - pergunto chocada. - Sim, por mês - E eu trabalharia aonde? na casa??? - Quase isso - Um faz tudo, arruma, serve? é isso - Não - ele diz e sorrir... eu não estou entendendo é nada mais. - E qual vai ser minha função aqui? - Ser minha - ele responde sério. - O que? - pergunto chocada. - Você ouviu - Eu não sou p********a tá, me da licença - falo levantando para sair e ele segura meu braço. - Espera, vamos conversar - Conversar o que? você está me chamando de p********a, ou melhor achando que sou uma, me oferecendo dinheiro em troca de s**o - falo tirando meu braço da sua mão. - Eu? não disse nada disso. - E porque está oferecendo 6 mil pra t*****r com você? estou ate valendo muito - ele rir. - Não estou lhe oferecendo 6 mil pra t*****r com você, esta recebendo um salário mínimo pra trabalhar 8 horas, ser humilhada e rebaixada de segunda a segunda, e estou lhe dando a oportunidade de ficar comigo, sem trabalhar, sem humilhação, e recebendo seu dinheiro. - Que tipo de proposta é essa? - pergunto chocada - quem oferece a uma estranha 6 mil por mês, pra ser esposa troféu? - Ué ... eu - E qual os acordos desse contrato?? - Estava esperando por essa pergunta - diz tirando um envelope da gaveta - pode ler com calma depois. - Eu posso ir? - Se quiser pode sim... você tem meu número, qualquer coisa pode ligar ou mandar mensagem. - Já vou, tchau - falo indo em direção a porta. - Ana - ele me chama e viro em direção a ele - pensa com carinho tá - não digo nada e fecho a porta. (...) Eu ainda estou no ônibus incrédula com a proposta que eu recebi, nem sou bonita assim, tipo seila... o que aquele homem viu em mim.
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