Flor
Comprei o abacaxi que minha vó pediu e estou entrando em casa.
- Mãe? - entro chamando ela.
- Oi filha, trouxe o abacaxi?
- Trouxe - respondo colocando na cozinha.
(...)
Deito na cama pra ler os "acordos" que tem nesse contrato.
• Você não pode conversar amorosamente com outros homens.
• Você não pode beijar ou ter ato s****l com outros homens.
• Você me terá como figura de autoridade.
• Você ganhará um salário de 9 mil reais por mês.
• Suas contas de água/ luz/ Internet serão pagas por mim, seu salário será gasto apenas com você.
• Você terá que dormir no mínimo 3 dias na minha casa, tendo exceções de dias, de acordo com minha agenda.
• Meu trabalho não é algo que você deve questionar ou comentar sobre.
• Por mais que você tenha algumas regalias, ainda serei seu chefe.
Esse homem é louco, querendo que eu seja uma esposa troféu, sendo que nem sei o que é ele exatamente, uma pessoa que só trabalha na marinha não tem tudo isso que ele tem. Mas pensando pro outro lado é uma proposta que deve se pensar, não é todo dia que alguém te ofere 9 mil, e por mês ainda.
Vou dormir pensando nisso, esse dinheiro mudaria minha vida, não só a minha, mas a da minha vó também. Ela já está com 69 anos e ainda trabalha justamente porque não consigo bancar a casa sozinha, e só tem nós duas, uma pela outra .
Esse dinheiro faria ela finalmente largar aquela casa, parar de ser escrava daquela mulher e viver a vida dela, sem precisar se humilhar pra ninguém e nem tá servido ninguém.
Mas também eu vou está sendo praticamente uma g****************a, pois vou está me vendendo para aquele homem. Porém não aguento mais ser humilhada naquele restaurante, mas eu posso arrumar outro emprego digno, sem precisar me vender pra ninguém, mas é tão difícil.
Tento esquecer todas essas coisas e vou dormir, amanhã ainda tenho que ir trabalhar, que Deus me mostre o caminho certo.
(...)
- Bom dia mãe - falo sentando no balcão da cozinha.
- Bom dia minha filha
- Que cara é essa? - vejo que ela está estranha.
- As coisas vão apertar agora minha filha
- Ué porque? Não estamos devendo nada
- Eu fui demitida - diz com um semblante triste
- Ué, como assim?
- A dona Raquel me ligou, e disse que eu tava dispensada, que tinha arrumado alguém melhor
- Aquela v***a - falo sem nem raciocinar.
- Filha olha a boca
- Perdão vó, mas não se demite ninguém assim, ainda mais por telefone, ela vai ter que pagar todos os seus anos sendo escrava naquela casa.
- Vou ficar desempregada por enquanto, mas não se preocupa filha,eu vou da um jeito de arrumar um bico ou alguma coisa pra não deixar pesar pra você esse mês - diz com um semblante triste, da pra ver que ela está preocupada, ela nessa idade nem era pra está trabalhando mais.
- Vo, fica tranquila tá bom? aproveita que a senhora está livre daquele inferno, e descansa um pouco, vou arranjar um emprego melhor e se tudo der certo, você não vai precisar trabalhar.
- Você vai sair do restaurante? - me questiona.
- Sim, lá não está dando pra mim, mas arranjei um proposta melhor, e com toda certeza vou ganhar bem mais.
- Sério filha, onde? - me pergunta com um sorriso.
- Em uma empresa, o dono é podre de rico vó
- Você vai fazer o que lá? - dar vó, vou dar e receber dinheiro, que ponto eu cheguei.
- Vou ser secretária - minto.
- Que chique minha filha, tá vendo que Deus sempre abençoa quem não desiste?
- Realmente, a senhora tem razão - falo olhando pro nada, será que realmente estou lendo o sinal certo?
(...)
- Nem sei porque você volta ainda, só chega
atrasada - olho no relógio e estou 15 minutos adiantada.
- Bom dia - falo somente e vou direto fazer o que vim fazer aqui, trabalhar.
A hora do almoço aqui é bem corrida, o restaurante fica cheio, como ele é no centro e bem perto de empresas, geralmente alguns funcionários ou até mesmo ou CEOs vem almoçar aqui, mas geralmente são os chefões.
- Já é a segunda vez que reclamo disso aqui, você não está vendo que está frio? - a mesma mulher de ontem de novo com essa m***a desse molho.
- Como a senhora solicitou, acabamos de
esquentar - explico com o fio de paciência que me resta, ela quase agrediu a Isabel hoje, teve a palhaçada de ontem, e agora o Cléber mandou eu vim aqui, não sirvo pra nada. Mas quando da errado eu que venho.
- Ver se está realmente quente - diz e joga o molho no meu rosto, sim ... NO MEU ROSTO DE NOVO,DOIS DIAS SEGUIDOS, MEIO DIA E EU TO SENDO HUMILHADA DE NOVO, E pra piorar esse está quente.
Sinto a temperatura quente na minha pele e sem pensar duas vezes pego o prato que está em sua mesa e derramo nela, vou ficar ouvindo desaforo nada e sendo humilhada por gente que eu nem conheço não.
Saio de lá e vou direto pra cozinha...
- Você esta demitida - o Cleber diz alterado.
- Não se preocupe eu que não quero ficar nesse inferno - corro pro banheiro e lavo meu rosto, sou preta, mas ainda sim vejo manchas vermelhas pela temperatura do molho que aquela nojenta jogou, pego minha bolsa e saio daquele lugar.
Quando estou no meio do centro ainda de uniforme, com algumas partes do uniforme sujo de molho, sinto uma vontade imensa de chorar, hoje não está sendo um dia bom, primeiro minha vó e agora eu.
Pego o cartão do Sr Lee na minha bolsa, e talvez essa seja a pior decisão da minha vida, mas do jeito que está, não tem como piorar mais, ou tem?...
Peço um táxi e vou direto pra sua casa, onde nos encontramos aquele dia.
Assim que o táxi encosta o segurança já se aproxima atento e com a mão preparada na sua arma, abaixo o vidro do carro.
- Oi boa tarde, queria falar com o Senhor lee, fala que é a Ana flor - ele fala em uma espécie de rádio.
- Desce e entra... o táxi não pode entrar - diz sério me olhando e filtrando o motorista.
- Ok - pago o taxista e desço
O portão se abre e entro, o segurança me acompanha até a porta principal e logo ela é aberta.
- Olá senhorita Flor - diz pra mim sorridente.
- Olá Berna - respondo sorrindo - o senhor Lee
esta? - questiono - queria muito falar com ele.
- Ele seria eu? - vejo ele no topo da escada e dessa vez com uma roupa informal, blusa e calça moletom cinza, cabelo bagunçado naturalmente... olhando assim ele era bem bonito.