Ana Flor
Estou descendo as escadas porque a Berna avisou que o Rodrigo chegou.
Quando estou na no final da escada vejo que ele não está de terno, e sim de com uma roupa casual, assim ele fica mais diferente do Lee Hoo, ele é mais forte mesmo e mais baixo.
- O que eu devo a honra dessa visita? - falo me aproximando.
- Tava de bobeira, e lembrei que possivelmente você também estava de bobeira, e vim pra gente ficar de bobeira juntos.
- Cara você não já cansou de mim não? A semana toda juntos.
- Eu aguento seu marido chato, você é fichinha, vamos tomar sorvete?
- No shopping? - pergunto.
- Pode ser - diz
- Vou me trocar, espera - subo as escadas, eu acho que nunca fui pro shopping assim do nada tomar um sorvete, eu trabalho tanto desde de cedo, que isso era um luxo.
Coloco um vestido branco florido rodado, e calço uma rasteira e já desço.
- Que rapidez, tudo isso por um sorvete? - me questiona com a sobrancelha erguida.
- Mas é claro, vamos?
Assim que saímos na porta, Filipe e dois seguranças já aparecem de prontidão.
- Não precisa, a gente vai no carro do
Rodrigo - falo
- Senhora não é recomendado, precisamos seguir ordens.
- Vai no carro atrás então, sei que o chefe de vocês é chato, e com certeza vai brigar se
saber - falo o óbvio.
- Tá certo então senhora - falo e o Rodrigo abre a porta para eu entrar.
...
Eu e o Rodrigo chegamos no shopping e não está cheio, fomos direto comprar sorvete e estamos sentados na praça de alimentação.
- Você e o Lee Hoo sempre foram próximos? A ponto dele confiar a empresa do pai a você?
- Entre idas e vindas ao Brasil a gente tinha contato, mesmo depois que fui embora fazíamos de uma forma pra esse contato permanecer, mesmo a distância, depois que eu e meu pai voltamos oficialmente pro Brasil, desfrutamos da relação que a gente criou "a distância".
- Ele não se dava bem com os pais dele
né? - ele rir - o que foi?
- Você já tentou conversar com ele? seria bom você conhecer a história dele por ele mesmo.
- O Lee Hoo jamais vai me dar a ousadia de uma conversa assim, por isso pergunto a você.
- Ah então quer dizer que sou cobaia - finge está indignado.
- Não, você é minha fonte de estudo
- Então tá bom né... mas respondendo sua pergunta, não, eles tinham ideais bem diferentes, e de pensar que ele saiu daqueles dois e ainda assim é do jeito que é, é quase um milagre.
- Por isso ele disse que esperava que eles estivessem no inferno - ele rir
- Eu não esperava outra resposta do Lee Hoo
- E você em?
- O que tem eu? - me pergunta confuso.
- O que um cara como você está fazendo sozinho em um sábado à tarde, e tomando sorvete com a "mulher" do seu primo? isso é um m*l sinal.
- Está tão na cara assim é?
- Com certeza, você não tem amigos?
- Não, tenho conhecidos só e pelo visto você também não, estava em uma mansão sozinha largada.
- Tenho mesmo não, infelizmente
- Você queria?
- Sim, claro... tem coisas que eu queria contar, conversar, querer opinião, e tem coisas que minha vó não entende, até porque ela é uma senhora né.
- E você não tem amiga porque??
- Eu comecei a trabalhar desde cedo, não conseguia fazer manutenção das minhas amizades, eles iam pra um lugar e eu não podia, não tinha tempo, não tinha dinheiro e acabou que foram se afastando e hoje ninguém se fala mais, aconteceu muitas coisas na minha vida enfim...
- Você é velha né?
- Como assim? 21 anos é velha?
- Não - diz rindo - não estou falando isso, velha tipo já passou muitas coisas na vida, muitos desafios, então uma pessoa da sua idade que não passou por nada disso não tem a mente que você tem.
- Ah entendi, e realmente... e você? porque não tem amigos?
- Cara pode não parecer, mas eu sofria muito bullying quando eu vim pro Brasil, os caras só me zuavam sabe, brincadeirinha de asiático, e um tempo eu ficava só pra ter uma galera, mas depois me cansei, não tava com paciência pra essa coisas, aí me afastei de todo mundo, e nenhum também fez questão, aí virei essa pessoa aqui... desamigada - diz rindo.
- Antes só do que m*l acompanhado né - falo
- Penso isso, por isso estou aqui, dependendo de uma menina de 21 anos para me fazer companhia
-É o fim da picada - imito o meme e ele rir.
Ficamos conversando um pouco, ganhei um gloss do Rodrigo e estamos indo pra casa.
(...)
Assim que chegamos em casa, avistamos o Lee Hoo descendo de um carro, ele nos olha de cima a baixo, mais de uma vez, e entra sem dizer nem se quer uma palavra.
O Rodrigo respira tão fundo, que do outro lado do país deve ter ouvido.
- O que foi? - questiono.
- Eu estou fudido demais - diz passando a mão no cabelo.
- Porque?
- Cara você viu a cara do Lee Hoo, o que esse homem não vai falar no pé do meu ouvido não está escrito.
- Relaxa, a gente não estava fazendo nada demais, e fora que vocês são primos né, tem nem porque - falo e ele rir, não entendi.
- Você não o conhece ainda, bom... já está entregue, vou indo, se caso você precisar de ajuda, qualquer coisa, aí você me liga.
- Tá certo, e obrigado pelo sorvete, pela companhia e por isso aqui - mostro o gloss e ele sorrir.
- Por nada Ana, fica com Deus - ele dá um beijo na minha testa e sai.
Entro em casa e nenhum sinal do Lee Hoo, e casa já estava vazia com os funcionários, está mais ainda agora, subo as escadas e coloco o ouvido no quarto dele e tudo em silêncio, ele não tomou banho ? será foi descansar?
Paro de curiar o quarto dos outras e vou pro meu, assim que entro dou de cara com o Lee Hoo , sentado na minha cama.
- Que susto - falo vendo ele igual alma penada ali, falo e ele simplesmente não reage, fica parado olhando para minha cara.