Pré-visualização gratuita Capítulo Um.
Betina
Hoje faz uma semana que nos mudamos de Uberlândia para São Paulo. Meu pai foi transferido, é delegado da Polícia Federal, Doutor Sérgio Medeiros. Minha mãe é dentista, Dra. Eliza, e já montou seu consultório, começa a trabalhar hoje. Tem algumas amizades na cidade, isso facilitou bastante as coisas.
Tenho dois irmãos. Rogério, vulgo Roger, tem 28 anos, é formado em Direito, trabalha na Hans Incorporadora de Construção Civil, e o Rafael tem 25 anos, para os amigos, Rafa, trabalha em uma agência de assuntos econômicos, formado em economia. Moram aqui em São Paulo há cinco anos, eles têm cabelos pretos e olhos azuis, porém os do Roger são mais escuros. Os dois são bonitos, fazem exercícios e têm um belo físico. Sempre safados, namoraram muito lá na nossa cidade. Aqui ainda não sei como andam as coisas, mas estou pronta para descobrir.
Eu sou Betina, todos me chamam por Tina. Tenho 21 anos, baixa estatura, diferentemente dos meus irmãos, cabelo bem preto e longo até a altura da cintura, sempre gostei dele nesse comprimento. Tenho coxas grossas e uma b***a grande, meus olhos são verdes como os da minha mãe. Meus amigos dizem que sou bonita, e até gosto do que vejo, menos hoje, que estou atrasada e m*l consigo me maquiar. Puxo um r**o de cavalo, uso gloss, rímel e me olho uma última vez no espelho. Com tudo pronto, pego a minha bolsa e desço a escada apressada. Meus pais provavelmente devem estar na cozinha.
Hoje inicio meu primeiro dia na faculdade. Estou no penúltimo período de Arquitetura. Meu sonho é ver um projeto assinado por mim nesta cidade enorme.
― Bom dia, querida! Preparada?
― Bom dia, pai! Sempre. ― Beijo a sua testa antes de me sentar à mesa posta do café da manhã.
― Aqui o trânsito é uma loucura filha, você vai precisar sair antes para não se atrasar. ― Seu Sérgio, como sempre, com sua mania de controle.
― Eu vou ver quanto tempo levo hoje.
― Sua mãe já foi, toma seu café. ― Me passa uma xícara. ― Também estou de saída.
― Vamos juntos, então? ― pergunta e me beija. Ele é charmoso, tem olhos azuis intensos, porte atlético e é muito preocupado com a saúde, frequenta academia quase todos os dias.
Ganhei um carro deles ontem, para me locomover. Um HB20 da Hyundai na cor preta. Dirijo desde os 18 anos, meu pai me ensinou. Saímos logo em seguida, e realmente, o trânsito aqui é c***l! Que loucura são as marginais de São Paulo! Para onde vão todos estes carros?
Assim que chego estaciono na vaga e saio em disparada porque estou atrasada. Encontro meu prédio e logo localizo minha sala. Há várias garotas e rapazes, todos bem vestidos. O dia vai seguindo normalmente. No intervalo olho meu celular, tem uma ligação do Rafa, retorno.
― Fala Tina, minha princesa! ― sorrio. Meus irmãos são muito carinhosos comigo, mas o Rafa é mais amoroso e calmo.
― Oi, gatão!
― Almoça com a gente hoje?
― Onde? ― sondo ansiosa.
― Em um restaurante perto da empresa onde o mano trabalha, envio o endereço. Chega lá às 13h.
― Ok.
― Beijos princesa.
― Beijo.
A última aula termina, não teve nada de tão complicado. No estacionamento tem uma garota de cabelo ruivo, brigando com as chaves na fechadura de um carro.
― Não quer abrir? ― ao me aproximar questiono.
― Oi! Não! Este carro só me dá dor de cabeça, preciso ir a uma entrevista e vou perder por causa dessa porcaria. ― Percebo como está tensa, por isso decido ajudar.
― Onde fica?
― Cinco quarteirões daqui.
― Te deixo lá, vamos?
― Sério? Não vai te atrapalhar? ― pergunta aliviada.
― Não! Estou indo almoçar com meus irmãos, eles me passaram este endereço... ― Mostro a ela o celular.
― Vai ser caminho. A propósito, meu nome é Melissa, mas gosto que me chamem de Mel.
― O meu é Betina, mas todos me chamam de Tina. Eu gostei de você.
― Eu também. ― Entramos no carro, e Mel foi me direcionando o caminho. Estive em São Paulo por várias vezes visitando os meus irmãos, por isso sei me situar em alguns locais.
― Obrigada Tina, você salvou minha vida. Nos vemos amanhã. Deixe-me salvar seu contato.
― Vai lá, boa sorte! ― Com os contatos trocados nos despedimos.
Com o endereço no GPS e as dicas que ela me passou, vejo que não é longe, ainda tenho 10 minutos. Chego ao local, estaciono e sigo para a entrada.
― Boa tarde! ― A hostess dá boas-vindas.
― Boa tarde! Vou aguardar uma pessoa.
― Pode esperar ali se quiser. ― Aponta para um bar, sento-me.O banco é de couro vermelho, balcão em madeira escura, revestida em vidro. Os garçons estão todos de preto e as mesas quase todas ocupadas.
― Princesa! ― Rafa me cumprimenta beijando a bochecha. ― Distraída observando o ambiente, nem vejo meu irmão chegar.
― Oi, gatão! ― ele sorri.
― O Roger está estacionando e dois amigos estão com ele, pois sempre almoçam conosco.
― Tudo bem.
― Vem, vamos para a mesa. ― Me conduz apoiando uma das mãos nas minhas costas. A hostess pergunta a ele quantas pessoas e nos leva a uma mesa com os assentos suficientes, com olhar direcionado ao meu irmão, que está usando um terno preto e gravata cinza.
― Vou até o banheiro lavar minhas mãos, já volto! ― explico.Sigo pelo corredor ― lavo as minhas mãos, retoco meu gloss, lápis nos olhos e ajeito os s***s. ― Gostosa! ― digo ao meu reflexo no espelho.
Quando volto reparo em Roger, no seu modo “advogado sério” ― sorrio do seu jeito todo centrado. Levanta quando chego, abraça e beija minha bochecha.
― Minha princesa! Você está linda!
― Obrigada, Fera. ― Levanta a sobrancelha, demostrando que não gostou do apelido carinhoso na frente dos amigos. No entanto finjo demência, ele parece mesmo a Fera, só está faltando uma Bela em sua vida. Não posso chamá-lo de gato, está sempre carrancudo e é extremamente territorial, igual a um tigre. Vejo que os amigos que estavam sentados se levantam para me cumprimentar.
― Nando, essa é a Betina, nossa irmã. ― Roger nos apresenta. Meu coração dispara ao ver este moreno de olhos verdes escuros, com a mesma estatura dos meus irmãos e com o terno alinhado em seu corpo, que me faz engolir a saliva, ao mesmo tempo em que minhas pernas ficam bambas. Ele tem um rosto incrivelmente lindo e covinhas perfeitas. Provavelmente percebe minha reação, já deve estar acostumado com este comportamento das mulheres.
― Prazer princesa. Seu súdito, Nando. ― Pega minha mão e leva aos lábios.
― Pode parar Nando. Nem vem com estas cantadas baratas pra cima da minha irmã. ― Roger esbraveja.
― Não é cantada, ela é uma bela princesa. ― Seu amigo rebate.
― É sim, mas não para seu bico. Vitor, minha irmã Betina.
― Prazer! Pode me chamar de Tina. ― Acenam, confirmando com a cabeça.
Vou até o Rafa, sento-me ao seu lado, que por sinal é de frente com o gato de covinhas. Nem vou conseguir comer, com esses olhos me observando.
― Gostou da faculdade princesa?
― Gostei sim, Rafa.
― O que você está cursando Betina?
― Arquitetura, Nando. ― Meu nome fica muito sexy, saindo de seus lábios. Que boca!
― Vamos pedir? Aqui tem um salmão do jeito que você gosta. ― Ergo as sobrancelhas para o meu irmão.
― Posso pedir pra você? ― Roger me pergunta.
― Pode e quero uma... ― Começo, mas ele termina.
― Já sei! Tônica. ― Completa minha frase gargalhando.
― Sim espertão.
― Mana, quer conhecer a academia que frequentamos? Podemos fazer juntos.
― Vou adorar. Que dia?
― Amanhã, pois hoje jogamos futebol. A Tina joga bem pra caramba, Nando. ― Rafa me elogia.
― Vou gostar de ver isso. ― Tudo que sai de sua boca tem efeito direto em mim.
― Vai nada, cai fora! ― reclama.
― Deixa o Ogro para mais tarde, Roger. ― Todos riem dele.
― Essa minha irmã é uma abusada. ― Roger fala rindo.
― Este meu irmão é troglodita. ― Sopro um beijo em sua direção.
― Lá tem jogo para as garotas também! ― eu e meus irmãos gargalhamos. ― O que foi, falei besteira? ― Nando pergunta confuso.
― Ela jogava com os marmanjões lá em Uberlândia, os caras a disputavam para o time. ― Rafa explica.
― Vai jogar com a gente hoje? Não acredito que uma garota possa suportar jogar com os homens. ― Nando desafia, mas gosto da sua intenção em me querer por perto.
― Com certeza! ― respondo convicta do que sou capaz numa partida.
― Está convidada! Preciso ver como isso vai funcionar. ― Vitor se anima.
― Você quer ir Tina?
― Vou adorar, Rafa. Me envia o endereço, quando sairmos daqui.
― Não precisa! Faço isso agora. ― Nando se apressa, e quero muito que sua gentileza seja por mim e não por meus irmãos.
― Nada disso, Nando! Não vai conseguir o número dela assim tão fácil. ― Roger diz irritado. Quero socar a cara dele neste momento.
― Nando, grava o seu número no meu ― passo o celular para ele. ― Você também Vitor. Vou levar uma amiga comigo, tudo bem?
― Claro ― rio, pois a resposta é unânime.
― Deixe-me perguntar se ela quer ir. ― Pego meu celular das mãos do Vitor e envio uma mensagem para Mel.
Tina: Futebol com meus irmãos às 19h, topa?Mel: Preciso de carona.Tina: Onde mora?Mel: Perto do shopping Villa Lobos.Tina: Te pego. Sei onde fica. Meus irmãos moram perto, eu moro no Treviso.Mel: Eu tb gata kkkk.Tina: Perfeito então, me passa o endereço.Mel: Rua Alameda das orquídeas, 102.Deixo o celular de lado e comento.
― Ela vai. Encontro com vocês lá.
― Rafa, você é fogo, fica incentivando a Tina. Pode ir arrumando uma desculpa, sabe que a mãe vai ficar brava. ― Reviro os olhos. Por que sempre temos um irmão que gosta de acabar com a diversão?
― Ele não fez nada, é só um jogo. Com a mãe eu me entendo depois. ― Pisco para o Rafa.
― Espertinha. Sabe que não sei te negar nada.
― Nem pode, cara. Com uma irmã linda, também não saberia. ― Nando me exalta e pisca para mim.
― Cara! Já falei, menos elogio, e a amizade continua. ― Roger rosna.
Neste momento uma loira siliconada e bonita para na mesa e, chamando a atenção de todos, se dirige ao Nando.
― Você aqui? ― Ele levanta dá um beijo no rosto dela.Sinto um misto de inveja, por vê-la tocando-o de modo tão íntimo, demorando tempo demais ao beijá-lo nas bochechas.
― Como vai, Ingrid? ― Ele não perde a chance em olhá-la com total interesse.
― Com saudades, você não ligou mais. ― A tal mulher usa uma voz melosa e faz bico para falar. Não gostei dela.
― Estou ocupado na empresa, te ligo assim que conseguir e a gente marca algo.
― Vou esperar ansiosa. ― Sorri para a tal e ela sai. Nando senta e finjo não ter prestado atenção na conversa.
― Princesa, você vai querer sobremesa?
― Ela sempre quer Roger, por que pergunta?
― Talvez agora na faculdade Tina deixe de ser gulosa.
― Engraçadinho, vou pedir a maior e mais cara pra você pagar. ― Pisco para ele. Roger tem essa mania de me tratar como criança.
― Estão vendo como é bom ter irmã mais nova?
― Estou vendo muito bem. ― Vitor fala com um olhar divertido.
― Então manera! ― O Roger manda. Chama o garçom, olho o cardápio e peço uma torta com dois tipos de chocolate. Enquanto espero, mexo no celular... os homens falam sobre trabalho. Alguns minutos depois, apenas eu sou servida.
― Estão servidos, meninos? ― pergunto olhando para todos. Vejo um olhar malicioso do “molhador de calcinha”.
― Posso experimentar? ― Nando pergunta. Entendo como duplo sentindo seu pedido. Com a colher, retiro um pedaço da minha torta de chocolate lentamente e passo-lhe.
― c*****o! Está passando dos limites. ― Roger está bravo, sem necessidade. Como me irrita esse espírito protetor.
― Deixa de ser i****a, é um pedaço de torta. ― Com o maxilar serrado, nem me responde e começa uma conversa com Vitor.
― Perfeita! ― Nando lambe os lábios. Sorrio em resposta. Devia ser proibido ser lindo desse jeito. Os olhos dele são de pura cobiça, desnudando-me mentalmente. Termino a minha sobremesa e resolvo ir embora para adiantar minhas coisas.
― Preciso ir.
― Vai aonde, mana? ― Que chato isso! É outra mania que não muda. Sempre quer controlar minha vida. Mesmo quando eu morava em Uberlândia, ele questionava as minhas saídas e rotina. Mas o perdoo pois sei que é excesso de cuidado.
― Tenho umas pesquisas pra fazer e alguns relatórios das aulas de hoje, tudo para amanhã. Nos vemos no jogo.
― Você vai jogar mesmo, Betina? ― Nando parece incrédulo.
― Claro! Qual o problema?
― Nando, entenda uma coisa ― Rafa me olha com carinho enquanto chama a atenção para si ― essa garota aprendeu a praticar esportes com a gente. Nós a ensinamos a pilotar moto, andar a cavalo, jogar futebol e nadar em cachoeira. Nossos amigos eram acostumados com sua presença, como a mascote da turma. Sempre foi bem-vinda entre eles e todos a queriam como parceira na trucada. ― Nando dá uma gargalhada.
― Você é impressionante Betina.
― Nando, no seu caso, menos é mais... menos elogio e mais respeito. ― ignora o ciúme do meu irmão mais velho.
― A gente se vê. ― Saio sem olhar para trás, pois aqueles olhos verdes não me deixaram respirar direito. Nossa! O meu cérebro se desintegrou. Estou perdida. Nunca um homem teve esse efeito em mim.