Nicole não foi procurar Caio naquele dia esperando mudança. Essa era a diferença. Antes, toda vez que se aproximava, ainda existia dentro dela uma expectativa mínima, quase inconsciente, de que ele pudesse olhar diferente, dizer algo que não dissesse antes, falhar no controle por um segundo. Agora, não. Agora ela ia para terminar algo. O corpo ainda estava tenso, mas a cabeça estava clara. Não havia mais confusão. Só havia verdade acumulada demais para continuar guardada. Ela o encontrou no início da noite, perto de onde ele costumava resolver coisas importantes. Caio estava sozinho, falando ao telefone, a voz baixa e firme. Quando desligou e a viu, não demonstrou surpresa. — Você de novo — disse. Não foi agressivo. Foi cansado. — É a última vez — Nicole respondeu. Ele a observou

