Ela não pensou em desistir. Isso foi a primeira coisa que ficou clara depois da ligação. Não houve debate interno. Não houve “e se”. A ideia de não seguir adiante simplesmente não existiu. O que existiu foi medo. Muito medo. Mas medo não era novidade. Ela tinha crescido com ele grudado na pele. O problema agora era outro: sobreviver sem perder tudo. A bolsa de estudos. O emprego. O pouco de chão que tinha conquistado fora do morro. Ela passou dias fingindo normalidade com uma precisão assustadora. Acordava cedo, ia às aulas, trabalhava, sorria quando precisava. Enjoo controlado à força. Corpo pedindo pausa e cabeça mandando seguir. Comprava roupas mais largas. Sentava sempre de lado. Evitava qualquer toque, qualquer comentário. — Você tá diferente — disse uma colega um dia. — T

