LINHA MORTA

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Nicole descobriu numa terça-feira comum. Nada de pressentimento. Nada de filme passando na cabeça. Foi no intervalo entre uma aula e outra, sentada num banheiro apertado, com azulejo branco demais e silêncio demais. Dois meses fora. Dois meses tentando fingir que o corpo ainda obedecia como antes. O atraso ela vinha empurrando com desculpas. Estresse. Mudança. Vida nova. Mentira. O enjoo começou fraco. Um gosto estranho na boca. Um cansaço que não batia com a rotina. O corpo avisando antes da cabeça aceitar. Ela comprou o teste sem olhar ninguém no rosto. Pagou em dinheiro. Entrou no banheiro da faculdade como quem entra em trincheira. Esperou. Sentada na tampa fechada do vaso. O coração batendo errado. As mãos suadas. Quando olhou, não teve choque. Teve certeza. Duas

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