Curiosidade

1363 Palavras
Narrado por Ryan "Não deixes o ontem ocupar muito do hoje" Ando com a Daisy já há algum tempo, mas cada vez gosto menos das suas atitudes. Ela tem se mostrado uma garota com muita mania da superioridade e por vezes isso me irrita. Penso na Maggie, ela é bem mais bonita do que quer transparecer, esconde-se por trás daquelas roupas sem graça nenhuma e daqueles enormes óculos de armação preta, mas hoje olhei bem para os seus lindos olhos verdes, um verde tão claro, que parece água cristalina. Nunca vi uns olhos tão bonitos e expressivos. — Que pensativo que estamos. Olho para o lado e vejo ali o meu irmão. — Ethan, não te ouvi chegar, estás aí há muito tempo? — pergunto a virar o meu rosto para o trabalho de casa que tenho à minha frente, em cima da secretária. — Tempo suficiente para perceber que não estás a fazer trabalho nenhum. — ele fala. — Que se passa que estás tão distraído! — Nada demais, estou aqui a pensar no jogo de sábado. — minto. — Hum, está bem então. — ele vai em direção à porta. — Ethan? — ele se vira para trás. — O que é que tu achas da Maggie? — Da Maggie? — ele pergunta surpreso. — Sim, a Maggie Campbell. Ele semicerra o seu olhar. — Porque me perguntas isso? Não estou a entender. — Curiosidade, Ethan, apenas isso. Ela é estranha, mas parece fazer de tudo para todos pensarem isso dela. Porque será? Ele encolhe os ombros. — Talvez para passar despercebida e ninguém se meter com ela, sei lá! — Mas isso acaba por fazer o efeito contrário! — respiro fundo. — Hoje apanhei a Daisy e as amigas dela a tratarem a Maggie e a amiga m*l. — Sério? Bem que ela me disse que elas o faziam! — ele fala mais para ele do que para mim. Me surpreendo. — Mas tu falas com a Maggie? — pergunto surpreso. — Falamos no outro dia no supermercado, mas ela afastou-se logo de mim, sem me dar muita conversa. — ele cala-se. — Bem, vou à praia surfar, vais querer vir? — ele me convida. — Vou sim, preciso de me distrair. Vou Estar Mais Atento Narrado por Ethan "É bom estar perdido na direção certa" Visto o meu *Wetsuit, (*roupa de borracha ou neoprene) prendo a minha *Leash ao meu tornozelo (*Leash, é a corda que fica com uma ponta fixada à prancha e a outra ao tornozelo), pego na prancha e entro no mar. Aqui dentro consigo pensar, colocar as ideias no lugar, arranjar soluções e tudo o mais. Estou aqui eu, o meu irmão Ryan e mais uns amigos. Cada um a apanhar as suas ondas. Afasto-me um pouco deles, mas não muito para não perceberem, e sento-me em cima da minha prancha, com uma perna para cada lado a contemplar o pôr do sol. Penso na Maggie, a minha pequena paixão secreta por ela tem vindo a aumentar, cada dia mais um bocadinho. Maggie esconde a sua beleza, mas eu consigo ver o quanto ela é linda e uma pessoa maravilhosa, por baixo de toda aquela roupa estranha que ela usa, cabelo sempre desalinhado e apanhado num coque todo bagunçado e os óculos descabidos que ela teima em usar. Qualquer um que olhe para ela, não fixa o olhar, porque à primeira vista ela não tem nenhuma graça, nenhuma beleza, nenhum encanto. Mas eu vejo tudo isso e muito mais na Maggie Campbell. Mas achei muito estranho e tive um pressentimento bem esquisito, quando hoje cedo o meu irmão Ryan perguntou o que eu achava dela. Mas que p***a de pergunta foi aquela? Que interesse tem o Ryan na Maggie? Não percebi e não percebo o súbito interesse do meu irmão por ela. Mas tenho um estranho pressentimento que algo vai acontecer. Espero estar errado e espero que a doida da Daisy, se mantenha quieta, porque agora que eu sei que ela anda a fazer bullying com a Maggie, eu vou estar mais atento às suas atitudes de maluca. Visitas Narrado por Maggie "Pés no chão, cabeça erguida e fé na vida" Estou aborrecida de morte, faço zapping na TV, mas nem vejo realmente o que está a dar. — Vais passar o dia todo enfiada nesse sofá, Maggie? — a minha mãe pergunta ao passar pela sala. Bufo chateada. — Vou mãe. — digo apenas. Ela fica na minha frente com as mãos na cintura. — Porque não sais um pouco filha! Vai ao shopping, ou a praia passear, mas por favor vai apanhar um ar. — Apanho o ar toda a semana quando vou para a escola! — falo. — Importas-te de sair da frente da TV, por favor? — Como tu queres ter amigos se não sais? Maggie — E quem te disse que eu quero mais amigos? Os que tenho chegam perfeitamente. Ela afina o seu olhar. — Os teus únicos amigos são a Lou e o Ben. Devias conhecer mais pessoas, dar-te com outras pessoas filha! — ela olha para o que eu tenho vestido. — E mudar um pouco esse teu vestuário, não achas? Eu faço uma careta. — Ai mãe, qual o problema com a minha roupa, eu gosto dela assim. Ela suspira e vem se sentar ao meu lado. — Filha! — faz um carinho na minha cabeça. — Tu és tão bonita, tão delicada, porque te escondes por baixo de tudo isso? O teu cabelo, tu não cuidas dele e sabes bem o quanto ele tem uns caracóis perfeitos, mas tu não cuidas e tens ai um cabelo sem vida, sem brilho, sem nenhuma beleza, estás sempre com o pobre coitado sempre amarrado. — Mãe, respeita a minha vontade, por favor. Eu apenas quero que me deixem em paz, de preferência que nem dêem pela minha presença em lado nenhum. — falo sincera. — Mas porque isso minha filha? Porquê esconder o quanto tu és bonita e especial? — Porque eu quero e pronto mãe. — respondo aborrecida. Será possível que seja assim tão difícil me deixarem em paz? Deixarem-me ser o que eu quero, sem cobranças? Levanto-me do sofá. — Vou um pouco lá fora para o jardim. Vou buscar o meu bloco de desenhos, os meus lápis e venho para a mesa do jardim. Perco a noção do tempo quando estou a desenhar. Adoro desenhar roupa, acessórios e lingerie. É a minha paixão. Faço também outro desenho, diferente do que gosto de desenhar. Um rosto. Afasto um pouco o desenho a ver como ficou e está perfeito, sorrio ao perceber como está tão parecido. Ryan Smith está bem desenhado neste papel. Ouço o barulho da porta da cozinha a abrir e apresso-me a colocar o desenho do Ryan no meio dos outros, o escondendo de olhares indiscretos. — Maggie, tens visitas! — ela fala com um enorme sorriso no rosto. Visitas?? Só pode ser ou a Lou ou o Ben, mais ninguém me visita. — Vou já, mãe! — digo a ela, que volta a entrar em casa. Arrumo o material de desenho e os meus desenhos numa pasta. Entro com a pasta na mão e a coloco em cima da mesa da cozinha e vou ver o que o Ben ou a Lou me querem, talvez até sejam os dois. Entro na sala divertida. — Vocês não vivem mesmo sem mim! — digo a rir. Mas o meu sorriso desaparece, quando vejo quem realmente está à minha espera na minha sala de estar. Não é a minha amiga Lou, nem o meu amigo Ben. — O que tu queres aqui? — falo perplexa e um pouco ríspida. — Maggie? — a minha mãe me repreende ao entrar na sala com uma bandeja. — Isso lá são maneiras de se tratar as visitas? — Olá Maggie! — Ethan sorri um pouco sem jeito. — Filha? Os modos! — minha mãe me adverte. Eu saio do meu estado de completa surpresa. O seu sorriso me hipnotizou, caramba, ele é bonito. — Olá, Ethan! — falo desconfiada. O que raio faz o Ethan Smith na minha casa?
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