A manhã amanheceu suave, com a luz dourada escorrendo pelos telhados antigos da Capadócia. O vento trazia o perfume das flores de damasco, e os balões começavam a subir no céu, colorindo o horizonte como uma pintura viva. A antiga casa de pedra — onde tudo começou e terminou — estava silenciosa, mas não vazia. Ecos de vozes femininas pareciam ainda passear pelos cômodos, como se cada parede guardasse histórias sussurradas, lágrimas compartilhadas e risadas que desafiaram o tempo. Miguel, agora com vinte e dois anos, entrou devagar no escritório da avó. A madeira antiga rangia sob seus pés, e os livros cercavam a mesa de carvalho, onde Esperança escreveu seus últimos capítulos. A vela que ela sempre acendia ainda estava ali, como se tivesse sido apagada há pouco. Sobre a mesa repousava o

