O táxi chegou e eu fui embora. Me despedir de Tales que ainda estava arrumando as coisas no bar. Eu estava cansada demais. Só queria dormir.
Eu passei o meu endereço para o taxista e fui embora de olhos fechados. Como sei que iria demorar, eu acabei cochilando.
Eu estava tão cansada que dormir o caminho tanto. Só acordei com o motorista me chamando.
— Me desculpe. Eu estou realmente cansada. Digo bocejando.
— Não tem problema. Ele fala meio sem jeito e eu dou o dinheiro da corrida para ele.
— Obrigada! Desço do carro pegando a minha mochila. Abro o enorme portão e vou caminhando para dentro de casa. O meu dia foi muito cansativo, mas eu não poderia está mais feliz, pois eu vou me livrar desse lar e todo tormento.
Entro na casa de Wilson e logo já sou atacada verbalmente por ele.
— Onde você estava? Ele indaga nervoso.
— Procurando emprego? Respondo subindo as escadas.
— Essa casa tem hora. E você não pode entrar aqui a hora que quiser e principalmente uma hora dessa. Ele grita com raiva e eu não dou a mínima.
— Simples resolvermos. Você abre mão dessa tutela e eu não apareço mais na sua vida. Digo sorrindo.
— Você não vai conseguir o que quer. Você pode procurar emprego em tudo quanto é lugar, que não vai conseguir.
— Boa noite! Digo não dando trela para ele.
Vou para meu quarto e tranco a porta. Tiro todas a minhas roupas e vou para o banheiro. Eu preciso de um banho e cama.
No outro dia acordei já era quase duas da tarde. Eu estava realmente cansada. Porém, agora estou com fome. Muita fome, pois ontem não come o dia todo. Mas eu não pretendo comer aqui. Vou para rua. Eu não tenho muito dinheiro, mais um café com algum biscoito ou pão, não vai me deixar mais pobre.
Me levanto e tomo banho. Faço a minha higiene.
Olho para meu closet e nada me agrada. Eu realmente preciso de um estilo novo.
Logo me lembro do Senhor Markos falando sobre as minhas roupas parecerem com as da vó dele. Sorrio. Porque ele deve ter razão.
Pego uma camisa e r***o um pedaço dela e amarro as pontas após me vestir. A minha barriga fica um pouco de fora, porém, eu nem ligo. Pego uma calça diz e corto também. Faço um short. Ele ficou um pouco largo nas minhas coxas. Fiquei muito melhor. Agora sim, parece para minha idade.
Calço os meus tenis. Coloco a minha roupa de dança na minha mochila e também uma calça e jaqueta para mais tarde. Desço.
Assim que apareço na escada, Wilson estava lá. Suspiro. Ele me olha de baixo em cima. A sua cara é de horror, e fico feliz por isso. Pelo menos não é de desejo.
— Onde você pensa que vai desce jeito? Pior, onde você arrumou essas roupas?
— Então, eu não te devo satisfação de nada. Digo super tranquila. Eu tenho um sentimento que eu sairia dessa tutela ridícula. Passo por ele, porém, ele me agarra. Me Solta.
— Você não vai sair daqui de casa assim. Ele me joga no sofá.
— Wilson, eu quero que você vai a merda. E se você encostar em mim de novo, eu vou à delegacia abrir uma queixa contra você. E outra, a tutela te dar direito de me manter dentro dessa casa, mais nada. Não te dar o direito de me dizer o que vou ou não vestir, usar ou passar. Você não é nada meu, e nunca será. Me levanto com raiva.
— Cadê as suas roupas? Ele pede com raiva.
— Serão todas customizadas para roupas da minha idade.
— Você não vai fazer isso e nem vai sair de casa assim. Sorrio.
— Experimenta me prender aqui, para você ver o que acontece. Pego a minha mochila e vou para cozinha. Pego um copo d’água e saio pela por de lá. Ele não vai me prender aqui nunca.
Saio e vou andando. Eu poderia tirar minha carta de motorista e comprar um carro usado.
São tantos planos, que quero ver se consigo realizá-los. Mas o primeiro de todos, é sair dessa tutela, e também conseguir um lugar para morar.
Chego no centro de New York, e vou em uma lanchonete. Peço um café com pão e queijo.
Como e ainda não estou satisfeita, porém, é o que posso pagar no momento. Me levanto e compro somente uma água.
Vou andando sem rumo. Eu fico olhando todas as lojas, todos os lugares até passar o tempo.
Quando olhei em meu relógio já era cinco da tarde. Então eu fui para o Brooklin. Fui andando mesmo, porque eu preciso economizar para a minha volta.
Cheguei na boate uma seis e meia. Andando parece mais longe.
Cheguei até o balcão do bar e vi Tales.
— Boa noite, Tales!
— Boa noite, Daniella. Ele fala e eu sorrio.
— Eu já vou me arrumar.
— Vai lá. E você poderia ter chegado mais cedo para passar uma maquiagem nesse rosto.
— Eu tentei, mas eu vim a pé. Então demorei mais.
— Entendo, mas hoje a sua cara está bem melhor do que ontem. Portanto, vai lá e arrasa como ontem. Sorrio mais.
— Obrigada pelo apoio. Saio do balcão e fui para o banheiro. Tomo um banho rapidinho e depois me arrumo.
Vou até o quarto de Coby para pedir um batom.
— Você pode me emprestar um batom?
— Claro gata. Você poderia ter me chamado para fazer uma maquiagem.
— Eu cheguei tarde. Mas acredito que um batom resolva.
— Tudo bem. Seu rosto é muito bonito, então não precisa de tanto. Fico sem graça com que ela fala.
— Obrigada! Passo o batom e entrego para Coby.
— Não. Pode ficar. Te dou de presente.
— Obrigada! Agradeço e olho no meu relógio. Está na hora na minha hora. Agradeço mais uma vez e saio do quarto dela.
No salão, tudo já está no seu lugar. Vou para o meu lugar também e fico esperando tudo começar.
Tales coloca uma música mais lenta e eu começo a dançar. Preciso ver umas coreografias na internet e ensaiar.
Vejo o salão ficar lotado e as meninas indo até os homens.
Alguns homens vêm até a mim e ficam me olhando com desejo.
Um faz sinal com o dedo me chamando, porém, eu não dou trela, e continuo dançando.
— Que isso Gatinha! Fazendo de difícil? Hoje você é minha. O tal homem diz passando a língua em seus lábios e eu continuo não dando a mínima. Vou dançando conforme a música.
— Markos trouxe essa linda garota, para gente ficar babando nela? Um outro homem indaga.
— O pior não é isso. O pior é ela se fazendo de difícil para nós. O primeiro homem fala dando uma tragada em seu cigarro.
— Acredito que ela está querendo que tiremos ela dali no colo.
— Se é assim, eu estou mais que disposto a isso. Não faço nenhum gesto. Espero que esse louco não encoste em mim.
— Vamos lá, gatinha. Você tem que dar alguma coisa para gente aqui. Você não pode ficar aí, somente atiçando a gente, sem dar o que queremos. Ele joga seu cigarro no chão e sobe no meu palco. Vem, gatinha. Prometo que será especial. Ele diz pegando em mim e eu o empurro.
— Me larga. Eu não sou uma prostituta. Somente uma dançarina. Digo e ele me agarra de novo.
— Uma dançarina? Não me importo. Você pode dançar no meu p*u, bem gostoso. Ele gargalha e vai me puxando. Tento me soltar dele, porém, ele é mais forte que eu.
— Me larga, seu i****a. Já disse que sou somente uma dançarina. Ele gargalha e me segura com mais força.
— Você é bem gostosa, e eu vou provar você. Ele já iria me pegar no colo, mas eu não o deixei. Pelo contrário, eu aproveitei que ele se abaixou um pouco e dei uma joelhada em suas partes íntimas. Ele agarra as suas joias, e grita de dor. Malucaaaaaa. Vejo o Sr Markos aparecer do meu lado.
— O que você fez? Ele indaga com raiva.
— Eu disse que só era uma dançarina, mas ele não me escutou, então tive que fazê-lo me ouvir de outra forma. Digo com raiva do ser caído a minha frente.
— Vai para meu escritório agora. O Sr Markos grita comigo e eu dou de ombros. Vejo ele pegar o homem do chão e levar até um sofá.
No seu escritório, fico andando de um lado ao outro, só pensando o que ele vai fazer comigo.
Será que ele vai me mandar embora?
— Droga, não. Ele não pode me mandar embora. Eu preciso desse emprego. Eu preciso sair das garras de Wilson. Se eu perder esse emprego, vou ter que voltar novamente para as ruas e nem sei se terei chances de outro. Vejo a porta ser aberta brutalmente e me assusto.
— Você é louca? Sr Markos indaga dirigindo sua fúria a mim.
— Ele e nem ninguém vai me tocar. Digo com raiva.
— Você não sabe contornar a situação sem ser agredindo? Ele está com muita raiva.
— Ele não me escutou. Digo e ele levanta a mão para eu parar de falar.
— Escuta bem. Você não pode agredir nenhum dos clientes. Se você não sabe contornar a situação sem ser agressão, eu terei que te mandar embora. Merda, não.
— Não. Por favor. Eu prometo que isso não vai acontecer novamente. Digo desesperada.
— Não vai mesmo. Eu tive que dar bebida de graça para ele e tive que dar cinquenta por cento de desconto em qualquer garota. Agora, além do dinheiro da roupa que você está me devendo, está me devendo também os outros cinquenta por cento e a bebida. Bufo. Entendo que você é uma virgenzinha do interior. Entendo que você, não goste de ter um contato com um homem, mas isso não te dar o direito de atacar ninguém. Ele é duro em suas palavras.
— Já disse, não vai mais acontecer. Por favor, não me manda embora. Suplico e ele fica me olhando.
— Uma única fudida chance. Eu não sou de dar chances a ninguém, então se atente a isso, porque se houver uma coisa como essa de novo, você está fora.
— Prometo. Vou tentar uma outra abordagem. Digo e ele abaixa a cabeça.
— Saia. Ele diz e eu saio. Volto para o salão e vejo que o homem não está mais lá.
Volto a dançar e o resto da noite foi mais tranquilo.
Os homens que se aproximavam do meu palco, ficavam somente me olhando. E eu agradeci aos céus por isso. Não sei como terei uma abordagem diferente, mas eu preciso pensar, porque coisas como essa, vão acontecer sempre.
Duas horas da manhã e eu estava novamente esgotada. Meus pés estavam doendo e eu só queria um banho e cama.
Pedi novamente Tales para chamar um taxi para mim e assim eu fui embora depois de trocar de roupa, já que vim com um short e uma regata.
Como ontem, eu fui embora cochilando no taxi e quando cheguei em casa, só queria um bom descanso.
— De novo? O que você está pensando da vida? Está achando que minha casa é o que? Wilson grita com raiva. Não dou a mínima. Subo as escadas e só escuto ele gritando atrás de mim.
No meu quarto eu tranco a porta e vu para banheiro.
Tomo meu banho.
Saio do banheiro e me seco e passo um hidratante corporal.
Visto uma calcinha e sutiã. Me deito na cama me cobrindo.
Não lembro de mais nada.
Acordo com um clarão em meu rosto. Esquece de fechar as janelas. Viro meu rosto, querendo dormir mais.
Vejo no relógio que são quase uma da tarde. Posso dormir mais duas horas. E assim eu faço.
Acordo assustada. Olho no relógio e são três e meia. Droga, era somente duas horas de sono.
Como vou a pé eu acabo chegando atrasada ou em cima da hora, não posso fazer isso. Ainda estou conquistando a confiança do Sr Markos.
Tomo um banho rápido e visto um vestido longo.
Faço uma bolsa com calça e uma blusa e jaqueta. A hora que venho embora, está frio.
Amarro meus cabelos em um coque e saio do meu quarto.
Assim que eu desço as escadas vejo Wilson e seu advogado de merda na sala discutindo. Não quero saber do que se trata, porém, Wilson já vem logo para cima de mim. Só me faltava essa. Estou já atrasada, não quero chegar tarde.