— Onde você pensa que vai? Wilson indagou vindo para cima de mim.
— Wilson, você me obrigou a procurar trabalho. Então, não faça pergunta i****a. Vou indo para porta e ele me puxa com brutalidade. Você está me machucando seu i****a. Grito. Ele me leva para sala e me joga no sofá.
— Não adianta, você não vai conseguir e nunca vai sair daqui. Então, sugiro que você pare de sair daqui de casa e chegar tarde.
— Você não manda em mim. Seu advogado está aí e pode confirmar o que a juíza disse. Eu posso ir e vir, desde que durma em casa. Ele me olha com mais raiva.
— Você não vai sair daqui de casa mais. Nem que para isso eu te tranque aqui. Dou um sorrisinho.
— Experimente. Eu ligo para a polícia e te denuncio por cárcere privado. Falo firme e saio andando. Ele me puxa pelo cabelo e me joga com força no chão. Sinto uma dor.
— Wilson, para com isso. Você pode se complicar e me complicar. Seu advogado diz e eu me levanto com os olhos cheios de lágrimas.
— Ela não vai mais sair daqui. Ele diz olhando para seu advogado.
— Você não pode me impedir.
— Wilson, olha, ela tem razão. Se ela te denunciar por maus- trato, você perde tudo. Essa tutela pode ser anulada. Vou andando para porta escutando isso. Então tem um jeito de sair sem ser provando para o juiz um emprego?
— Será minha palavra contra a dela. Ou será que você vai depor a favor dela? Ainda escuto Wilson dizer e tenho certeza que ele é capaz de tudo. Mas eu não vou desistir da minha liberdade.
Saio com um dor nas costas e na b***a. Ele é um animal. Ele não vai ganhar essa. Eu quero minha vida de volta e ninguém vai tirar isso de mim.
Mais uma vez cheguei atrasada. Eu estava custado a andar.
Fui logo me arrumar e passei um batom.
Passei pelo bar, deixando minha mochila lá e me encaminhei para o bar.
Vir os olhos estranhos de Tales sobre mim, porém não dei importância.
A música começa e logo estou dançando com o ritmo da música.
Novamente homens se aproximam, me desejando, passando a linha em seus lábios e eu não dou importância. Eu prometi que iria contornar qualquer investida e farei. Não quero perder esse emprego. Agora mais do que nunca eu preciso dele.
A noite foi tranquila. Nenhum engraçadinho veio para cima de mim.
As duas horas da manhã eu estava cansada, e com dor nas costas.
— Você está bem? Tales indaga com um rosto preocupado. Seu semblante está franzido e eu não entendo por quê.
— Estou sim. Só estou cansada. Digo me levantando. Eu vou trocar de roupa e vou embora. Você pode chamar o taxi para mim? Pedi me levanto. Ele continua olhando para mim. O que foi?
— Nada. Eu só quero que você saiba que aqui somos todos família e se precisar de ajuda, é só dizer. Sorrio com carinho para ele.
— Obrigado! Vou me lembrar disso. Vou saindo e dou de cara com o Sr Markos.
— Boa noite! Ele diz e eu respondo.
— Boa noite! Passo por ele e sinto os olhos dele atrás de mim.
Eu fui embora e quando cheguei em casa a tempestade estava formada por Wilson.
Ele me disse que o advogado dele iria entrar com um recurso para que eu não saísse de casa mais.
Não dei importância. Ele não vai conseguir me manter aqui.
Um mês se passou e me vida estava um inferno.
Wilson não aceitava a hora que eu chegava. Uma semana inteira ele me prendeu em casa e eu pulei a janela, acabando dormindo no jardim. E como disse antes, ele não iria conseguir me prender.
Eu só volto para essa casa devido à justiça. Porque não quero me complicar com nada.
Porém, o que está me deixando com raiva e que cada dia que passa eu tenho uma marca no corpo e ainda o Sr Markos não me deu o papel para me livrar desse tormento.
Wilson, está cada dia mais violento. Ele puxa meus cabelos. Já me bateu na cara e também já me jogou várias vezes no chão. Eu não aguento isso mais. Eu quero minha liberdade.
Hoje estou indo mais cedo para conversar com ele.
Ele precisa me dar esse contrato de trabalho para que eu possa me livrar das garras de Wilson.
Assim que cheguei, perguntei Tales se o Sr Markos estava.
Ele me disse que sim. Fui até o escritório dele.
Bate na porta e não escutei nada. Bate de novo e nada. Bate de novo e só escutei um grito de lá de dentro. Entrei achando que ele havia me pedido para entra.
— Quem mandou você entrar? Ele grita tirando uma das meninas de cima dele.
— Desculpe! Eu achei que o Sr tinha pedido para entrar.
— Droga! Você não pode entrar aqui e interromper uma transa minha. Ele está totalmente bravo.
— Eu vou esperar o Sr terminar. Digo me levantando.
— Pode ficar. O meu t***o morreu assim que vi essa sua roupa de freira. Vejo a menina dando um sorriso. Eu não tive tempo de comprar nada, mesmo porque, o salário desse mês eu paguei minha dívida com ele. Então, hoje vim com uma bermuda que vai até os joelhos e uma camisa florida. Saia, Brida. A Menina passa por mim nua e sai. Ele se levanta com seu m****o dentro da camisinha, ainda para fora. Viro meu rosto. Esse homem é um monstro. Estou esperando você me dizer o que quer.
— Sr Markos, eu preciso do meu contrato de trabalho.
— Há, meu saco. Eu não acredito que você, venho interromper minha f**a para isso. Ele está verdadeiramente irritado.
— Me desculpe mais uma vez, porém, eu preciso desse papel.
— Daniela, eu não vou te dar isso. Meu coração fica pequeno com essa informação. Meus olhos enchem de lágrimas.
— Não faça isso comigo, por favor.
— Eu sou dono de um bordel. Como você quer que eu coloquei isso em um contrato de trabalho? Deixo lágrimas cair. Eu preciso arrumar um outro trabalho. Não posso continuar aqui se não terei um contrato de trabalho.
— Obrigado! Digo saindo da sala dele. Não é possível isso.
Vou para o banheiro e lavo meu rosto. Eu estou desesperada por dentro. Wilson vai continuar me mantendo como ele quer na sua casa e ainda pode continuar com sua violência. Deixo meu choro sair e eu me sento no chão.
Eu estou tão cansada disso. Estou tão chateada com o rumo que eu deixei ser levada. Se eu não puder tomar as rédeas da minha vida, eu não sei o que será de mim. Ou talvez sei, já que se não conseguir um contrato valido de trabalho, eu estarei nas mãos de Wilson pelo resto da vida.
Me visto e vejo as marcas no meu pescoço e braço. Isso foi a dois dias atrás, onde Wilson estava verdadeiramente alterado por eu ter chegado mais uma vez de madrugada. Eu só não apanhei dele, porque eu fugir e me tranquei no quarto. Mesmo assim, eu fiquei com medo, já que ele ficou chutando a minha porta.
Eu dancei, mas parecia que eu não estava ali. Eu não acreditava que meu destino é ser uma marionete nas mãos de Wilson. Eu não posso crê que Thomas concordasse com as coisas que o pai dele está fazendo comigo, se ele fosse vivo.
Depois de dançar e de todos irem embora, eu me sento no bar.
— Uma bebida? Tales indaga e eu aceito. Ele me dar uma cerveja. Você não parece bem.
— Não estou mesmo.
— Precisa de ajuda?
— Infelizmente você não pode me ajudar. Falei olhando para minha garrafa de cerveja. Vejo Markos se sentando do meu lado e não digo nada.
— Você não aceita que os homens te encostem com desejo, mais aceita que um i****a deixe marcas em seu corpo? Markos indaga e meus olhos enchem de lágrimas. Não digo nada. Mesmo porque não tenho nada para dizer.
— Eu vou me trocar. Tales, você pede o taxi por favor?
— Claro. Saio de vou para o banheiro.
Volto e já estou arrumada. Dou boa noite para Tales e o Sr Markos. Entro no taxi.
Assim que cheguei em casa, eu não entrei pela porta. Vi pela janela que Wilson estava andando de um lado a outro na sala, então resolvi escalar pelo lado de fora e abrir minha janela. Entrei e tranquei a porta. Estou cansada desses maus tratos.
Mais dias tem se passado. Eu estava indo para rua mais cedo para ver se conseguia arrumar outra coisa, para assim ter meu contrato de trabalho. Mas como antes, eu não arrumei nada. Todos foram comprados por Wilson.
Na boate, eu vivia no automático. Somente dançava e tentava fazer com que os clientes não se metessem comigo.
Cheguei mais uma vez em casa e dessa vez eu não tive chances. Mesmo pulando a janela. Wilson estava dentro do meu quarto. Ele estava fora de si. Me bateu muito e disse que a parti de hoje eu não sairia de casa.
Ele me trancou dentro do meu quarto.
No outro dia, eu estava sem forças para nada. Meu rosto estava machucado, meu corpo estava doído.
Vi ele entrando meu quarto e colocando grades. Depois ele saiu sem dizer nada e me trancou dentro do quarto.
Mais tarde vi a porta sendo aberta por ele. Ele estava com uma bandeja.
Sentou na minha cama.
— Trouxe uma sopa para você. Não pode ficar sem comer. Ele diz, porém, eu não quero nada que venha dele. Esse homem é capaz de me matar. Apesar de ter certeza que se eu continuar aqui, eu vou morrer de qualquer jeito. Me viro para outro lado da cama e deixo lágrimas sair. A culpa disso é sua. Você não precisava e nem precisa de nada. Eu posso te dar tudo. Continuo calada. Eu vou te dar seu tempo, mas você não sai daqui mais. Sinto ele se levantar. Vou deixar a sopa aqui. Você precisa comer. Ele sai e ouço ele trancar a porta.
Eu acredito que não terei mais nada o que fazer. Minha vida será resumida a isso.
Já tinha quatro dias que eu estava trancada nesse quarto sem comer. Mesmo Wilson me trazendo a comida, eu não quis comer nada. Só levanto para tomar banho e cuidar do meu rosto e os hematomas pelo corpo, já que ele me trouxe uma pomada.
Choro todos os dias tendo ciência que esse será meu destino. Se eu não acabar com a raça dele, o mesmo nunca vai me deixar sair daqui.
Me olho no espelho e meu rosto está inchado ainda.
Volto para o quarto e me deito. Deixo as lágrimas banhar meu rosto.
Nunca tive alguém que se importasse comigo. Nem mesmo no orfanato. Eu era jogada em qualquer canto. Ninguém queria me adotar e depois que eu fiz dezessete anos, eu quis fugir.
Fugir e me envolvi com Thomas, e parece que nada até hoje fez sentido na minha vida. Porque eu sempre estive presa. Sempre estive vivendo o que queriam que eu vivesse.
Thomas nunca foi um homem muito gentil. Sempre me vi em função dele. Sempre fazia tudo que ele queria e nada podia falar.
Nem nessa cama, que eu achei que seria amada por ele. Ele foi um marido relapso. Não se importava com que eu queria ou que eu gostava.
Outro dia estava conversando com Coby, e ela me questionou se eu já tinha gozado alguma vez. Claro que fiquei sem graça com a pergunta. E depois me coloquei pensativa. O que é isso? O que significa gozar? Eu verdadeiramente não sabia e nem sei. E sei que nunca vou descobrir.
Isso se eu continuar dando minha vida para os outros dominar. Eu preciso ter força para bater de frente com Wilson. Eu preciso me levantar, me erguer e ter o controle da minha vida. Coisa que nunca fiz, porém, essa é minha vida, e eu a quero de volta.
Do nada escuto um estrondo. Me assunto e me encolho na cama, tapando meus ouvidos.
— Daniela?