A luz noturna do hall banhava os degraus da escada em um brilho suave e fantasmagórico. Eu desci, não com os passos leves e cautelosos de uma prisioneira, mas com a cadência medida de quem conhece seu território. O vestido preto, um simples tubo de malha, escorria sobre meu corpo como uma segunda pele, cobrindo as marcas, mas não a memória delas. Era uma escolha deliberada. Uma afirmação silenciosa de que eu não me esconderia. Ele estava na sala de jantar. Não à cabeceira da mesa longa e imponente, mas sentado em uma das cadeiras perto da lareira apagada, um copo vazio de uísque na mão, os olhos fixos nas brasas imaginárias. O perfil dele, iluminado por uma única lâmpada de pé, era uma escultura de tensão e cansaço. Parecia ter envelhecido dez anos desde a manhã. O som dos meus salto

