O silêncio entre Bianca e eu era denso, mas não desconfortável. Era o silêncio de quem compartilha um segredo perigoso, de quem reconhece, sem palavras, as regras de um jogo que ninguém mais vê. Eu tomava o último gole do chá, agora morno, quando o som de passos firmes e familiares ecoou na alameda de pedras. Dante apareceu na entrada do pavilhão. A luz baixa do fim de tarde pegava nos seus ombros largos, mas não conseguiu suavizar a linha tensa de sua mandíbula. Ele vinha da reunião com os irmãos, e o peso das decisões tomadas ainda estava sobre ele, visível nos ombros levemente curvados e na sombra mais profunda sob seus olhos. Ele parou sob o arco de glicínias, seu olhar passando por Bianca com um aceno de cabeça breve, um sinal de respeito, mas também de que sua presença ali estava

