O silêncio na limusine a caminho de casa era de uma qualidade diferente. Não era o silêncio cortante da ira, nem o silêncio pesado da estratégia. Era um silêncio exausto, lavado pela tempestade de emoções que havia varrido a suíte privativa. Dante não me tocava, mas seu corpo, recostado no banco oposto, estava voltado para mim, seus olhos fixos na minha silhueta contra a janela em movimento. As luzes da cidade deslizavam sobre seu rosto, revelando e escondendo a batalha que ainda acontecia por dentro. As palavras dele ecoavam: "É um vício que eu não sei como parar." Elas deveriam assustar. E assustavam. Mas, de uma forma perversa, também acalmavam. Era a verdade mais crua que ele já me dera. Não uma promessa vazia, não uma ordem. Uma confissão de impotência diante do que sentia. O ca

