Os dias seguintes à noite do incêndio foram estranhamente calmos. Dante passava as manhãs no escritório, reconstruindo o Inferno pelos telefones, mas as tardes eram nossas. Almoçávamos juntos na copa pequena, onde ninguém nos interrompia. Ele me ensinou a fazer massas que aprendeu com o avô. Eu o ensinei a rir de si mesmo quando queimou a terceira tentativa de molho. O estúdio começou a tomar forma na sala vazia. Operários vinham e iam durante o dia, instalando o piso de madeira, preparando as paredes para os espelhos. O poste, um cilindro de aço cromado impecável; chegou numa manhã, embalado em caixas de madeira, e Dante mesmo supervisionou a instalação, com uma seriedade que beirava o cômico. — Mais à esquerda — ele ordenava aos técnicos, os braços cruzados, a expressão concentrada. —

