Capitulo 23

952 Palavras
Pedro & Jho – Entre o silêncio e o cuidado O restaurante já estava fechado quando o último funcionário foi embora. As luzes principais apagadas deixavam apenas a iluminação suave do balcão e da cozinha semiaberta. O lugar, normalmente barulhento, respirava um silêncio confortável. Jho recolhia algumas taças enquanto Pedro fechava o caixa. — Você não cansa nunca? — ela brincou, encostando no balcão, observando-o. Pedro sorriu de lado. — Canso… mas gosto quando sobra alguém pra dividir o fim do dia. Ela entendeu exatamente o que ele queria dizer. Jho aproximou-se devagar, sentou-se em uma das banquetas altas e apoiou o queixo na mão. O olhar dela estava mais calmo do que o habitual, quase vulnerável. — Hoje foi um dia cheio — ela comentou. — Mas bom. Pedro trouxe duas taças e abriu uma garrafa de vinho que guardava para momentos especiais — não por luxo, mas por significado. Serviu com cuidado, como fazia com tudo que importava. Eles brindaram sem palavras. O vinho aqueceu a conversa, mas não trouxe euforia. Trouxe proximidade. Pedro falou dos planos para o restaurante, das dificuldades que nunca compartilhava com a equipe. Jho falou da adaptação em São Paulo, da saudade de casa, dos sonhos que ainda tinha medo de dizer em voz alta. Em algum momento, o assunto cessou naturalmente. O silêncio não era vazio — era cheio. Pedro estendeu a mão por cima do balcão, tocando de leve os dedos dela. Jho não afastou. Pelo contrário, entrelaçou a mão na dele, sentindo aquele gesto simples carregar mais i********e do que muitas palavras. Eles se aproximaram, sem pressa, respeitando o tempo um do outro. O beijo veio suave, quase cuidadoso — como quem confirma algo que já vinha sendo construído há muito tempo. Não havia urgência. Havia pertencimento. Quando se afastaram, Jho encostou a testa na dele e sorriu. — Às vezes eu esqueço que já estou em casa — ela sussurrou. Pedro apertou a mão dela com carinho. — Então fica. E naquele restaurante vazio, entre cheiro de café, madeira e luz baixa, eles dividiram algo raro: i********e, afeto, cumplicidade e tranquilidade a dois. O restaurante permanecia envolto numa quietude quase sagrada. As luzes suaves refletiam no vidro das janelas, criando sombras alongadas que dançavam lentamente conforme o vento noturno passava pela rua. O mundo lá fora seguia seu ritmo acelerado, mas ali dentro o tempo parecia suspenso. Jho ainda sentia o calor da mão de Pedro entrelaçada à sua. Tocando sua pelo como se fosse seda da mais pura alta costura. Era um gesto simples, mas carregado de uma i********e que dispensava explicações. Ela observava o rosto dele com atenção, como se estivesse descobrindo detalhes novos — a leve ruga no canto dos olhos quando sorria, o jeito concentrado ao ouvir, a serenidade que contrastava com a responsabilidade que carregava diariamente. Pedro quebrou o silêncio com a voz baixa: — Você fica diferente quando está tranquila… parece mais em casa do que imagina. Jho sorriu, um sorriso sincero, quase tímido. — Talvez porque com você eu não precise provar nada — respondeu. — Aqui eu posso só… existir. Ele absorveu aquelas palavras com cuidado. Para Pedro, acostumado a ser o pilar de tudo e todos, ouvir aquilo despertava um senso de proteção e, ao mesmo tempo, de entrega. Aproximou-se mais, sem pressa, respeitando o espaço dela, mas deixando claro o quanto desejava aquela proximidade. O toque dele em seu rosto foi leve, quase como uma pergunta silenciosa. Jho fechou os olhos por um instante, permitindo-se sentir o momento sem defesas. Quando abriu, encontrou o olhar dele carregado de algo mais profundo do que simples atração — havia afeto, respeito, vontade de permanência. O beijo que veio em seguida foi lento, cuidadoso, como se ambos estivessem confirmando algo que já existia há tempos. Não havia pressa, nem necessidade de exageros. Era um encontro de respirações, de confiança, de reconhecimento mútuo. Quando se afastaram, Jho apoiou a testa no ombro dele e soltou um suspiro leve, quase um riso contido. — Engraçado… — murmurou. — Eu vim pra São Paulo achando que tudo seria difícil. E foi. Mas nunca imaginei que encontraria um lugar seguro em alguém. Pedro passou o braço ao redor dela, trazendo-a para mais perto, sentindo aquele corpo que já fazia parte da sua rotina de forma natural, sem imposições. — Segurança não é só estrutura, parede e teto — ele respondeu. — Às vezes é só ter alguém que fique quando o dia termina. Sentaram-se juntos em uma das mesas próximas à janela, ainda de mãos dadas. O vinho já estava quase no fim, mas a conversa continuava fluindo com suavidade. Jho contou pequenas histórias da infância, das mudanças constantes, da sensação de sempre ter que recomeçar. Pedro falou do medo de falhar, da solidão que acompanha quem lidera, da responsabilidade que pesa quando se ama o que se constrói. A noite avançava, e o cansaço vinha acompanhado de uma sensação boa — aquela que surge quando se compartilha algo verdadeiro. Em um gesto espontâneo, Jho apoiou a cabeça no peito dele, ouvindo o ritmo tranquilo de sua respiração. Pedro passou a mão lentamente pelos cabelos dela, num carinho silencioso, quase protetor. Não era apenas desejo. Era cuidado. Era acolhimento. Era a construção delicada de algo que não precisava ser nomeado ainda. Ali, entre o cheiro de café, madeira e vinho, eles entenderam que aquele encontro não era apenas mais uma noite. Era um ponto de virada — o tipo de conexão que não grita, mas permanece. E quando finalmente apagaram as últimas luzes do restaurante, saíram juntos, lado a lado, com a certeza silenciosa de que algumas histórias começam exatamente assim: sem promessas, sem pressa, mas com verdade.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR