— Não é como se eu fosse cego. — Ele da um pequeno gole do líquido escuro do seu copo.
— Por ter ficado quieto, imaginei que tivesse problemas de visão. Não seria uma novidade por aqui...
Seu olhar era rigoroso e sombrio. Mesmo que Aurora o encarasse profundamente, era nítido a falta de uma alma. Lorenzo não tinha há muitos anos.
— Então — Giovanni se colocou no meio da conversa um pouco desconfortável. É a primeira vez que ela o ve medroso. — Está tudo certo, De Luca?
— Por enquanto sim, ela é minha agora. - Larga o copo no balcão e molha os lábios tirando vestígios do álcool. De alguma forma, Aurora achou isso sexy.
Ele não precisava se esforçar para ser desejável.
Um barulho alto das portas, faz com que a maioria olhe na direção... Lorenzo ainda estava com os olhos fixados na morena a sua frente. Não se deu ao trabalho de olhar. Sabia que com os homens ao seu lado e uma arma na cintura, era intocável. Destemido.
— Giovanni. — O mais novo entrou ofegante.
Seu olhar foi diretamente para a morena. Os olhos esverdeados dela se arregalam assustada, isso seria suicídio. Se ele falasse algo, Lorenzo era capaz de arrebenta-lo ali mesmo, ele não, seus seguranças, que em momento nenhum saiam do seu lado.
— Maninho — O mais velho riu irônico — Catarina está te esperando.
Foi até o irmão o empurrando para os fundos. Pietro mirou os olhos na Aurora, que abaixou os mesmos assim que o viu. Nada poderia ser feito no momento e em hipótese alguma, ela arriscaria a segurança dele.
— Não deixa, por favor — Sussurrou o mais novo.
— Não deixo não...você morrer seu i****a. É babaca? Eu odeio ser o irmão mais velho sabia? Odeio cuidar de crianças! — Brigou indignado - Tem noção de quem é aquele homem?
— Isso vai acabar comigo. — Se soltou e suspirou cansado.
— Estou salvando a sua vida! — Deu uma pausa — Agora fica ai, e não me de trabalhos. Se não quem vai mata-lo, sou eu! — Apontou o dedo e voltou para o De Luca.
— Estou sem tempo — Arruma o paletó — Fizemos um bom negócio, Moretti — Esticou a mão direita.
— Sem dúvidas, De Luca — Apertou a mão do loiro.
Aurora observou o trato feito e fechou os olhos respirando fundo. Mesmo que ela tenha saído de casa tão jovem e se jogado em um mundo desconhecido e perigoso, ir com Lorenzo parecia ser ainda pior... Olhou para a loira, que estava parada no pole dance a olhando triste.
— Adeus — Moveu os lábios para a amiga que respondeu o mesmo.
{...}
Saíram daquele lugar, que provavelmente, ele jamais iria ver. Do lado de fora uma Porsche Canamera preta parada os aguardavam, e atrás, Range rover sport, também na cor preta. É como se o Presidente estivesse na boate.
— Você. — Lorenzo segurou Aurora pelo pulso, brutalmente, fazendo ela soltar um gemido de dor.
Dirigiu-se até a Porsche como se ela fosse uma criança, sendo arrastada.
— Garoto, me solta! — Se soltou do loiro.
Os dois seguranças pararam, antes de entrar na range rover e a olharam surpresos. Ela tinha feito algo errado, muito errado.
O loiro cerrou os olhos e molhou os lábios. Seu cenho estava franzido, e o olhar cada vez mais sombrio. Se é que isso era possível...
— Não me teste, p**a. Entre no carro ou vai amanhecer com formigas na boca. — Ordenou irritado.
Aurora não falou mais nada e entrou do outro lado do carro, no passageiro. Era um carro luxuoso, bancos caramelos e cheiro de novo com uísque. Um pequeno monitor ligou, assim que ele deu contato no carro.
Ela se encostou no banco, e ele saiu com o carro que fazia um barulho oco e ao mesmo tempo, forte. Aurora estava acostumada com a luxúria, mas nunca uma como esta... Nunca esteve em uma máquina potente e com um mafioso Italiano no volante. Um mafioso provavelmente irritado, que cortava os carros sem o menor esforço.
Lorenzo parecia inquieto e raivoso, suas duas mãos estavam no volante. Seu dedão parecia acariciar o mesmo, como se estivesse ansioso. Como se segurasse para não fazer alguma coisa.
Pelo retrovisor, ela percebeu que a range rover o acompanhava na mesma velocidade, que não era pouca. O De Luca ultrapassava o 100km em uma avenida comum. A morena se segurou no banco e engoliu seco.
O perfume do homem já emanava no carro inteiro, um perfume forte e bem masculino. Era sedutor e atraente, como se fisgasse mulheres. Os cabelos desengrenados e o olhar fixo na avenida.
Depois de alguns minutos, entraram em uma quadra que tinham apenas mansões. A velocidade já estava menor, e apenas uma mão segurava o volante enquanto a outra descansava na própria coxa. Mãos grandes. Parecia estar mais calmo, e Aurora agradeceu por isso.
As casas iam ficando cada vez mais distantes das outras, a rua começou a ficar estreita e com muitas árvores. Depois de mais alguns minutos, quase sem nenhuma casa, algo chamou a atenção dela.
Duas pilastras rústica segurava um portão enorme preto no meio. Era da mesma altura que as pilastras, que deveriam ter mais de dez metros. Bem mais...
Portão desenhado, com lanças afiadas na ponta. O carro parou na frente, e os dois portões se abriram pra dentro automaticamente.
Assim que o carro adentrou o denso quintal, homens de preto eram vistos com armas que AK, metralhadoras ou pistolas. Estavam espalhado pelo quintal e não eram muitos simpáticos. Estavam armados até os dentes.
O caminho até a entrada principal da casa, era contornado por coqueiros. que tinham uns dois metros de distância cada. Faziam uma sombra perfeita no local, deixando cada vez mais luxuoso.
No final, Aurora ficou com a boca entreaberta quando viu a casa. Era tão escondida e tão bela, perfeita e sonho de qualquer pessoa. Parecia estar naqueles filmes americanos, que as garotas pobres conhecem o palácio real. A diferença é que ela não estava com o mocinho, e sim com o vilão.
Lorenzo deu a volta no chafariz na porta da casa, e brecou o carro desligando o mesmo.
A mansão é tão branca que parecia ter sido pintada recentemente, tinha janelas por todo lado. Parecia algum tipo de filme do futuro, onde tudo era concreto e vidro.
Ele desceu, e em seguida a morena também abriu a porta. Alguns homens surgiram e foram os acompanhando até o interior da casa.
— Mostre-a o canto dela, preciso resolver alguns problemas — Ordenou se retirando do hall.
Começava apenas com uma escada no meio, e mais pra cima dividia em duas perfeitamente. Corrimões pretos que contornavam até o andar superior e escadas brancas. Uma luz fraca e um lustre intimidante bem no meio. Inevitavelmente ela da um suspiro... Extremamente bonito.
— Vem comigo — Chamou um loiro, que estava com ele a alguns minutos atrás.
Aurora ajeitou a mochila no seu ombro e foi o seguindo.
— Deixa eu... — Ele se oferece para pegar sua mochila.
— Não. Posso carregar a minha própria bolsa. — Evitou o toque.
— Tudo bem — Deu os ombros.
Os dois subiram e seguiram por um corredor, que tinha cinco portas. Na última ele parou na frente, e abriu para que ela entrasse.
Obviamente, assim como tudo naquela casa, exageradamente grande. A cama era encostada do lado direito do quarto, de frente para um suporte bege escuro de madeira, na parede direita, que carregava uma televisão de aproximadamente 60 polegadas.
As paredes eram brancas, e o chão tinha um piso de mármore. Seria possível encarar o próprio reflexo.
A cama parecia ser confortável e estava bem arrumada. Ainda cheirava amaciante e mais um aroma que só se encontra em casa de pessoas muito ricas.
— Pensei que ele me deixaria na dispensa — Admitiu jogando a mochila na cama.
Ouviu uma risada baixa do segurança do Lorenzo, e se virou-se pra ele.
— Meu nome é, Donovan — Ofereceu a mão, para ser apertada.
— Aurora. — Respondeu virando-se de costas.
Se tem uma coisa que ela aprendeu durante todos esses anos, é que nunca, em hipótese alguma deve-se confiar em um homem. Principalmente os bonzinhos, na maioria das vezes, são os piores.
Caminhou até uma cortina clara, que era bem carregada do teto ao chão. Abriu a mesma, e a porta de vidro, que do outro lado tinha uma sacada. Sentiu um vento quente entrar, assim que abriu. O céu já estava alaranjado, anunciando o final de tarde. Ela tinha uma vista privilegiada do pôr-do-Sol por de trás das montanhas.
— Vou deixa-la sozinha, estou aqui fora — O loiro se retirou.
Aurora observava o horizonte, tinha montanhas com árvores verdes fortes a alguns km dali.
Embaixo era o fundo da casa, acompanhada por uma piscina enorme e muito bem tratada de borda infinita. As luzes dela se acenderam deixando aquilo mais lindo.
Viu ele se aproximar com um cigarro na mão, andava de um lado para o outro e ela acompanhava cada passo com os olhos. Ele era tão misterioso e ao mesmo tempo tão sexy. Tinha os ombros largos e andava como se fosse o dono do mundo. Talvez ele fosse, e sabia disso.
Parou na ponta da piscina e guardou o celular no bolso. Deu uma longa tragada no seu cigarro, e em seguida soltou a fumaça.
Ele virou-se e olhou pra cima, como se soubesse que estava sendo observado. Ela permaneceu ali, vendo a fumaça sair entre os lábios dele avermelhados, e por um segundo sentiu desejo por ele. Era tão proibido.
— Está olhando o que? — Perguntou em um tom grosseiro — Vai tomar um banho e desça, muito bem limpa! — Falou e entrou na casa novamente.
— e******o — Sussurrou virando os olhos e voltou para o quarto.
Sua arrogância poderia destruir cada centímetro da sua inexplicável beleza. Contudo, porque não destruía para Aurora? Talvez porque ela não seja uma garotinha ingênua, e lidar com esses tipos de homens não seja novidade...
{...}
Lorenzo entrou na sua sala e sentou-se na sua poltrona preta. Ouviu passos descendo as escadas e olhou para Donovan.
— É só uma garota, Lorenzo — Sentou-se no sofá preguiçoso.
— Você é meu melhor amigo, não meu conselheiro — Resmungou.
— Você tem vinte e cinco anos, e ela dezenove. Não precisa agir assim. Você tem quantas mulheres quiser.
— Donovan, você é muito irritante — Se levantou — E não dei nenhum direito, pra você se intrometer na minha vida. Se não estiver satisfeito do modo que a trato, retire-se quando ela estiver aqui — Pegou uma garrafa de uísque, servindo-se em uma copo redondo e pequeno — E ainda, você não viu nada — Deu um gole olhando para o amigo.
Ah, ele com certeza saberia o que Lorenzo faria com a pobre garota no andar de cima.
— Enfim — Suspirou — A mulher do Tyler apareceu ai mais cedo, Lucca falou que ela fez a maior baderna ai na porta.
— Como sabe onde eu moro ? — Arqueou uma das sobrancelhas.
— Não sei — Deu os ombros, inclinando-se no sofá.
— Mate-a! — Apontou com o copo na mão.
— Certo.
— Bom trabalho, tire a noite de folga hoje. Vai com o Jeremy comer algumas putas. Quero privacidade na casa hoje.
— Lorenzo — Sorriu triste, abaixando a cabeça — Não faça isso!
De Luca levanta o dedo indicador e pede silêncio ao amigo.