Mais Velho narrando Eu tava parado no alto da laje, sentindo o cheiro de pólvora que o vento trazia lá da direção da casa do Nathan, e o meu peito tava parecendo uma bateria de escola de samba, batendo num ritmo que eu não sentia há anos. O radinho na minha cintura não parava de chiar, era informe toda hora: "Caveirão recuando!", "Equipe tática batendo em retirada!", "O Falcão tá possuído, Mais Velho!". Eu olhava pras luzes do asfalto lá embaixo, aquele tapete de neon da Zona Sul que parece tão calmo, mas que esconde tanta sujeira, e só conseguia pensar no tamanho da merda que o Vitório Montenegro tinha acabado de fazer. Mano, papo de visão, eu conheço o Vitório há décadas. O cara sempre foi um magnata metido a sabichão, sempre olhou pra gente do morro como se a gente fosse ferramenta pr

