Falcão Narrando Eu ainda estava tentando digerir o xeque-mate que o Vitório tinha me dado quando a Beatriz surgiu no corredor. No momento em que ela pisou na sala e deu de cara comigo, eu vi: o olho dela arregalou por um milésimo de segundo, aquela faísca de pânico de quem sabe que o castelo de cartas está balançando. Mas a minha coroa não é de plástico. Eu nasci nesse ninho de cobra e aprendi cedo que, se você for pego na mentira, tem que dobrar a aposta. — Oi, meu filho! — ela soltou, a voz saindo um tom mais alto que o normal, tentando disfarçar o susto. — Pô, mãe... — eu interrompi, já mudando a postura, jogando o corpo pra frente com aquela marra de quem está cobrando uma dívida. — Ontem você foi embora da Rocinha e me deixou dormindo lá sozinho? Tomei um susto quando acordei, tiv

