Pré-visualização gratuita Dormi com o medo , acordar com o silêncio
ATENÇÃO LEITORE’S ..
ESSE É O PRIMEIRO LIVR.O COM ESSE TÍTULO NA PLATAFORMA, QUALQUER OUTRO QUE APARECER E PLÁGIO , NÃO EXISTIA OUTRO QUANDO O MEU FOI LANÇADO..
-DENUNCIE OS PLÁGI.OS-
CAPÍTULO 1
BELA NARRANDO
Tem dia que a gente nasce só pra sobreviver.
Foi isso que eu entendi com doze anos, quando minha mãe me deixou sozinha com aquele traste que ela chamava de amor. Desde então, o que eu mais faço é tentar não morrer por dentro.
Moro no Complexo do Alemão desde que me entendo por gente. Nasci ali, em meio aos tiros e ao funk alto de sábado à noite. Gente gritando “perdeu, perdeu” num beco e, logo depois, silêncio. Um silêncio que pesa. Porque no morro, o barulho é vida. Quando silencia, é porque alguém tombou.
Meu nome é Isabela . Tenho 17 anos, sou loira, olho verde, daquelas que o povo olha torto na rua, como se eu tivesse nascido no endereço errado. Pequena, magrela, 1,54 de altura, cheia de sardinhas nas bochechas. Todo mundo diz que pareço boneca. Mas boneca quebrada também sorri, né? E eu aprendi a sorrir até sangrando por dentro.
Eu moro com o Djalma. Não é meu pai, nunca foi. É o ex da minha mãe. Ela morreu tem cinco anos, de pneumonia, no hospital público. Desde então, fiquei com ele porque não tinha pra onde ir. Tentei morar com a avó, mas ela nem me reconheceu na porta. Voltei pro barraco.
O Djalma cheira pedra. Bebe pinga até cair no chão. E quando bebe, ele olha pra mim como quem vê um corpo, não uma menina. Só que ele nunca encostou de verdade. Nunca passou disso. Mas o olhar… o olhar pesava mais do que mão.
Djalma — Tá ficando bonita, hein, Isabela ? Tá virando mulher — ele dizia, com o copo de cachaça na mão e o dente amarelo escorrendo baba. Eu travava.
Nessas noites, eu não dormia em casa. Pegava minha mochila e ia embora. Sem rumo. A praça do morro era o único lugar onde eu me sentia invisível. Deitava no banco, abraçava a mochila e tentava dormir. Às vezes chorava baixinho. Às vezes só encarava o céu e pedia pra Deus me esquecer de vez.
Não tinha coragem de bater na casa da Lais, minha melhor amiga. A gente estudava junto desde o fundamental. Ela já tinha me oferecido um quarto mil vezes. Mas eu tinha vergonha. Como é que eu ia explicar? “Oi, amiga, posso dormir aí porque meu padrasto parece que vai me estuprar qualquer dia desses?” Não dava.
Então a praça virou meu refúgio.
Na escola, eu era a certinha. Boletim limpo, uniforme passado, tênis branco. Mas por dentro, era bagunça. Ninguém via. Nem queriam ver. Eu aprendi a esconder bem. Me escondia até de mim.
Lá no alto do morro, sempre teve uma lenda. Diziam que o verdadeiro dono dali era um cara chamado Morte. O vulgo falava por si. Ninguém dizia o nome de batismo dele. Só “Morte”. Eu ouvia falar desde pequena. Diziam que ele era frio, matava sem tremer o dedo. Que comandava tudo — as bocas, os soldados, os olheiros, até os pastores do morro tinham medo dele. Mas estava preso. Pelo que eu soube, fazia mais de dez anos.
Mesmo assim, o nome dele ainda fazia sombra. Porque no morro, tem nome que não apaga. Só cochila.
Essa noite, o Djalma chegou mais alterado que o normal. Entrou chutando a porta, derrubando as latinhas no chão, falando com o vento. Me olhou. Aqueles olhos vermelhos, tortos, nojentos.
Djalma — Vai dormir de shortinho hoje de novo, Bela ? — ele falou, rindo com a língua presa.
Eu não respondi. Peguei a mochila que já estava arrumada e saí pela porta dos fundos. Já tinha aprendido que o silêncio me salva mais do que qualquer grito.
Na praça, o frio cortava. Deitei no banco, sem medo de bandido. O morro tem regras. Criança e mulher não se mexe. E eu ainda me escondia nessa linha. Mas mesmo assim, eu tinha medo. Não do morro. Do que morava dentro de mim.
Fechei os olhos.
Foi aí que escutei os passos.
Não corri. Nem abri os olhos. Se fosse minha hora, que fosse de uma vez.
Xxx — Ei… você tá bem? — Abri os olhos devagar. Um menino. Devia ter uns 15 anos .. n***o, alto, casaco preto e olhar firme. Eu nunca tinha o vista antes
Xxx — Tá perdida? — ele perguntou, se abaixando ao meu lado.
Eu não respondi. Ele não insistiu. Só me olhou por alguns segundos.
Xxx — Se quiser, te deixo dormir no galpão. É ali na esquina. Não tem ninguém. É seguro — Eu ri. Seguro? No morro?
— Valeu. Mas já tô acostumada com esse banco aqui — Ele sorriu de leve. Um sorriso triste. De quem já dormiu no chão também.
Xxx — Tá certo. Mas se mudar de ideia, é só bater na porta azul ali. Última da viela. Eu sou o Wander mas pode me chamar Larva ..
Wander — É como me chamam por aqui — Fiquei olhando pra ele, tentando entender. Não tinha cara de traficante. Nem de crente. Mas tinha algo nele… uma firmeza.
Ele se levantou e foi embora. E eu fiquei ali, com a cabeça girando.
Era só mais um nome no morro?
Ou era mais um nome que ia me tirar o sono?
Naquela noite, eu sonhei com uma arma. E um homem de preto me tirando do banco, me cobrindo com um casaco e dizendo: “Agora você descansa.”
Mas quando acordei, ainda era eu. Ainda era a Isabela
E o sol ainda batia no meu rosto como se estivesse debochando da minha dor.
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