Capítulo Treze
THOMAS DINESH
Jane está me olhando de longe. Quando Jace sai para o banheiro, ela vem na minha direção.
— Quer dançar? — Pergunta.
Tudo está a girar, e o meu estômago revira. Bebibdas álcoolicas batem muito rápido em mim.
Gabriel passa os olhos por nós, mas volta a sua atenção para a banda. Theo é um ótimo cantor, e Max toca a bateria. Um garoto está mais no canto tocando teclado, e tem mais um tocando baixo.
Jane estende a mão, e eu aceito. Ela me guia até o meio das pessoas, e eu m*l consigo raciocinar, apenas sentir.
Tudo me atinge como um baque. O meu pai brigando comigo, Gabriel se aproximando de nós no refeitório extremamente abatido, Jace falando um tanto de baboseira sobre Jane.
Percebo que estou de olhos fechados, e sinto algo pressionar os meus lábios. É Jane. Retribuo calmamente o beijo, me lembrando de quando a beijei na minha casa. Sei que Jace a odeia, não a suporta, e eu nunca irei entender os seus motivos. Ela nunca fez nada para nos prejudicar. Eu não preciso da aprovação dele.
Posso não estar apaixonado por Jane, e é, admito que existe algo a mais quando penso em Jace. Mas ele... Ele nunca deu indícios de nada. Além disso, sempre está com Gabriel, os dois parecem ter coisas m*l resolvidas. Eu não posso.
Continuo a retribuir o beijo, e tento fazer esses pensamentos irem embora. Estou aqui. Com Jane.
No outro dia, a minha cabeça lateja como se eu tivesse a batido repetidas vezes na parede. Antes de começar a me arrumar para ir à escola, desenho eu e Jane na multidão. Tomo um banho, e, diferente de outros dias, meu pai e minha mãe estão em casa. Os dois. Ao mesmo tempo. Em silêncio.
— Estávamos esperando você. — Ele diz. — Temos que conversar.
— Não, não temos. — Ainda estou morrendo de sono. Abro a geladeira e pego o leite. Alcanço o sucrilhos no armário, pego uma tigela e uma colher. — Agora tenho que comer.
— Sente-se para comer, então. Aqui. — Sua voz está mais grossa que o normal.
Isso é ridículo.
— Você está a compactuar com isso, querida mãe? — Pergunto, sentando ao lado dela.
Ela não responde.
— O que foi agora?
— Sei que saiu com Jace. Já te falei que não quero que ande com ele.
Dou uma colherada no sucrilhos.
— Acho que às vezes você se esquece o quão inteligente o seu filho é. — Digo de boca cheia. — Se pensa que sou gay, ou sei lá o que, estou me cagando. Literalmente, tem m***a no chão. — Sorrio. — Já conversei com você sobre isso, e não vou deixar de ver Jace. Vai fazer o que? Me bater? Jogar minha bateria no meio da rua? Me colocar de castigo e me proibir de usar o celular? Voltar para a Índia? Ligar para a polícia? Você decide. — Continuo a comer.
— Que desrespeito, mocinho. — A minha mãe me adverte.
— Desrespeito? — Rio ironicamente. — Vocês dois estão sendo tão ridículos que isso até os cegou. Você — olho para o meu pai — está tão preocupado em manter as aparências para agradar estadunidenses xenofóbicos, que está trazendo preconceito para nossa casa. Acha que Maya iria gostar disso? Jace é gay, e um dos motivos de ter tentado se m***r foi o medo de contar aos seus pais. Você sabe como é difícil lidar com o suicídio de um filho. Sabia que ele me disse que prefere me ver morto do que eu falar que sou homossexual? — Perguntei à minha mãe. Ela voltou a ficar calada.
— Thomas... — O meu pai respirou fundo, e gesticulou com a mão para que eu me acalmasse.
— E agora estão fazendo o quê? Uma intervenção? Contra o quê? — Dou uma risada. — Fazer este tipo de coisa só me prova que não posso confiar em nenhum de vocês. Só me mostra que vale muito mais a pena mentir do que contar a verdade. E mãe, você virou fantoche de homem? Sempre que o meu pai está por perto, você se cala. Obedece tudo o que ele diz. Mas quando está perto de mim, é uma pessoa doce e compreensível, que fala que posso contar para sempre. Que vergonha de vocês dois. — Empurro a tigela de sucrilhos. — Que se f**a.
Saio de casa sem nem escovar os dentes. Estou tão puto, que nem pensei direito. Saio andando pelas ruas até chegar no colégio, onde irá ter mais uma palestra sobre a viagem.
Jace está sentado ao lado de Gabriel. Tyna e Travis estão ao lado deles, mas estão tão grudados que nem prestam atenção nos dois garotos.
— Ei, gente — os cumprimento.
— E ai, cara! Deu uns pegas na Jane Rainbow, não é? — Travis sinalizou para que eu sentasse ao seu lado.
O meu rosto ficou vermelho automaticamente. Como eles sabem?
— Que orgulho! Finalmente deu o primeiro beijo na boca! — Tyna aperta as minhas bochechas, e me afasto.
— Vocês viram? Mas vocês estavam lá na frente...
— Não é bem isso, mas as notícias se espalham rápido. — Travis sorriu.
Gabriel e Jace murmuram sobre algo que não consigo entender. Gabriel nota a minha presença, sorri e acena, mas Jace nem se importa em olhar na minha direção.
Talvez ele não tenha me visto.
— Bom dia, alunos. — O diretor aparece no palco do auditório e começa a falar no microfone. Não gosto desse sujeito. — Como sabem, a viagem está se aproximando. Vocês passaram por uma intensa semana de provas, e semana que vem vocês irão saber quem passou e não passou. Os alunos que estão de recuperação poderão escolher entre ir conosco para Blue Springs ou realizar a prova.
— A gente vai só porque lá tem comida gostosa. E falam que é lindo. — Tyna sorri olhando para Travis.
— Para quem já tem alguma noção se pegou recuperação ou não, e escolher a viagem, saiba que este ano vocês deverão contribuir com a condução e com os alimentos. Hospedagem e demais coisas são por conta da escola. E agora, vocês devem estar curiosos quanto... O que ocorreu mais cedo, envolvendo um estagiário ex-aluno da instituição, Ian Anderson. O que precisam e podem saber, é que a polícia está a cuidar de tudo. Iremos evitar, a todo e qualquer custo, tocar em assuntos que são de responsabilidade do governo.
O diretor continuou a falar, mas era como se eu não estivesse mais aqui. Meus olhos não se desgrudam de Jace, e não é possível que ele não percebe isso.
— Jace? — O chamo. Ele não se vira para mim.
Gabriel o cutuca e indica que estou o chamando, e só assim Jace olha nos meus olhos de volta.
Ele apenas acena com a cabeça, e me encara esperando que eu diga algo. Não sorri, não fala, nada.
Forço um sorriso, e ele volta a sua atenção para o diretor.
Sei que ficarei de recuperação, e fiz isso apenas para viajar com os meus amigos, mas, pensando na situação em que estou agora, quero voltar atrás. Talvez a prova seja a melhor saída.
Na hora de ir embora, sigo Travis e Tyna, e eles param no estacionamento quando me veem.
— Oi, Thomas. Quer uma carona? — Ele pergunta.
Os dois são muito bonitos juntos, isso é fato.
— Não precisa, obrigado... Na verdade, queria saber por que Jace está me ignorando. Sério, ele não me trouxe para a escola como costuma fazer, não me mandou mensagens, no intervalo conversou apenas com vocês, m*l olhou na minha cara. Ele não é assim comigo. O que aconteceu?
Travis faz uma careta e passa a mão pelo cabelo.
— Ele está meio puto pelo que aconteceu na festa.
Jane.
Como não pensei nisso antes? Ele deve ter visto, ou alguém viu e contou para ele. O meu coração se aperta, e sinto o ar ir embora dos meus pulmões. No momento, eu não liguei para o que ele ligaria. Mas eu ligo. Muito.
Procuro desesperadamente por seu carro no estacionamento, e felizmente vejo que ele ainda não foi embora.
— Vou conversar com ele. — Antes que eu possa ir até a sua picape para esperá-lo, Tyna me chama.
— Thomas... — Me pega pelo braço e se nos afastamos um pouco de Travis. — Todos nós já sacamos o que tá rolando. Ou você resolve isso, ou vocês nunca mais irão conversar novamente. Eu te garanto. — Sussurra. Em seguida, os seus olhos me encaram em desafio, e ela volta para Travis.
Ando até a picape vermelha, que se destaca nesse estacionamento cheio de carros sem cor e sem vida. Observo o casal entrar no carro, e Travis acena através do vidro. Agora é só esperar.
Jace sai pela porta do prédio, naquele amontoado de alunos. Sei que ele está me vendo, mas está sem expressão no rosto, como se eu fosse invisível.
O engraçado é que passei muito tempo da minha vida querendo ser invisível, querendo que ninguém me enxergasse e apenas me deixasse em paz. Mas não ele. Quero que ele me veja, mais do que qualquer outra pessoa.
— Posso te ajudar com algo? — Ele pergunta assim que me vê.
— Vamos lá, Jace. Deixa disso. — Coloco a mão em seu braço. — Nós dois sabemos que você não é assim. Não fala comigo deste jeito.
— Não sei do que está falando. Deixe-me entrar no carro. — Ele balança a chave da picape no ar.
— Enquanto nós não conversarmos, você não vai sair daqui.
— p***a! — Ele bate a mão no capô. — Quer a verdade? Tudo bem! Eu vi você beijando Jane. Vi como você a segurou, estava nítido que você queria mais. É a primeira vez que vocês se beijam? Tem certeza que apenas estudou com ela naquele dia? — Diz, nervoso.
— O que você tem a ver com isso, Miller? Por que se importa tanto se a beijo ou deixo de beijar? Que inferno! — E estamos discutindo. Por sorte, nenhum aluno está perto o suficiente para ouvir ou para se importar.
— EU JÁ TE FALEI! — Bate novamente no capô. — Ela não é uma boa pessoa pra você.
— Isso porque uma esquisitinha da biblioteca te contou? Você nem sabe se é verdade! As cartas não provam NADA! Por que você tá atrás de qualquer prova de que Jane seja uma psicopata maluca? Por que está se agarrando a qualquer informação? Isso não faz sentido!
— Sai da minha frente. — Jace tenta passar por mim para abrir a porta do carro. — SAI! — Está tão perto que grita no meu rosto.
Os meus olhos se enchem de lágrimas, mas eu não saio.
— Eu já disse que não vou sair.
Ele se afasta, anda um pouco e parece que está a um ponto de surtar comigo.
— Quando acontecer alguma m***a, Dinesh — se aproximou novamente, apontando o dedo na minha direção — na hora que ela f***r a sua vida, você não me procura. Você fez a sua decisão.
— m***a, JACE!
Eu não consigo mais lidar com isso. Ele não responde as minhas perguntas, não tem argumento algum, mas mantém as mesmas falas. É como conversar com uma parede. Não sei mais o que fazer para que ele me escute.
— Ou você fala agora que p***a é essa que está a acontecer com você e a gente conversa, ou eu saio de perto dessa m***a de picape e você nunca mais vai me ver. É sério. Faço questão de me mudar de escola para não cruzar o seu caminho de novo.
Algumas lágrimas caem por minha bochecha. Aquele grito que ele deu... Realmente mexeu comigo. Ele nunca me tratou dessa forma.
— E ainda gritou comigo. Na minha cara. — Passo a mão no meu rosto para enxugar as lágrimas. Jace se mantém em silêncio. — Eu odeio você.
Começo a me afastar da picape. Se ele quer ir embora, que vá. Que nunca mais fale comigo, ou olhe no meu rosto. Mas por que dói tanto? Por que sinto como se uma parte de mim estivesse ficando lá? Por que o meu coração está partido em vários pedaços, como se Jace tivesse o quebrado?
Não olho para trás. Não quero saber que ele está me olhando ir embora, e de repente me sinto ridículo. Ridículo por sentir o que sinto, ridículo por fazer toda essa cena por nada.
O meu braço é puxado para trás, e Jace não me deixa reagir à tempo. A sua boca está colada na minha.
Meus olhos estão arregalados, e os dele estão fechados. Não sei o que fazer. Não sei se nos afasto ou... Se continuo como estou. Então, os fecho, e retribuo o seu beijo.
JACE MILLER
A boca de Dinesh tem gosto da pasta de dente que usou depois do intervalo.
Por que fiz isso? Porra... Que i****a. Mas ele está me beijando de volta, então acho que está tudo bem.
Não ligo se tem alguém vendo, apenas não ligo. É como se... Sinto como se eu tivesse sede desde quando o conheci, e, agora, ela foi saciada.
Seguro o seu rosto, e quando o toco, nos separamos. Seu rosto ainda está um pouco molhado por causa das lágrimas. Colo as nossas testas, e os seus olhos extremamente azuis encaram-me de volta. Não dizemos nada por um bom tempo.
Ele me abraça, e é como se um peso fosse retirado dos meus ombros. Pego a sua mão e ando até a minha picape.
— Eu não sabia que... — Tento procurar palavras para expressar o que estou pensando. — Você...
— Nem eu. — Thomas respira fundo. — Só sei que sempre senti algo a mais. Achei que era devido à nossa forte e maravilhosa amizade, mas esses pensamentos eram... Como enxergar uma prova, pensar que sei a resposta porque estudei a matéria mil vezes, mas todas as opções são diferentes.
Saio do estacionamento do colégio, me pergunto se tudo aquilo realmente aconteceu.
— Mas e você? — Me encara.
— Bom... Digamos que isso já estava óbvio para todos. Até mesmo para Gabriel. — O olho de relance. — Você é o único i****a que não percebeu. Desde o primeiro dia em que te vi no refeitório, sentado sozinho na pior mesa, comendo aquelas batatas ridículas... Falando nelas, nunca, NUNCA mais encoste em uma de novo.
— Você está me dando felicidade para em seguida a tirar toda de mim.
— Estou falando sério, Dinesh! O meu irmão já viu como elas são fritas. Em óleo antigo, provavelmente de mais de duas semanas, e aquelas velhas babonas ficam em cima, nem touca usam. Um dia, uma delas até deixou a dentadura cair no óleo quente, e é óbvio que ela não pegou. — Ele faz uma careta.
— Você comeu tudo.
— É, eu costumo ser um palerma.
Ele sorri.
É tão bom quando sei que está sorrindo por minha causa.
Dirijo até a sua casa, e confesso que fiz um pouco de hora apenas para passarmos mais um tempo no carro.
— Até amanhã, eu acho. — Falo. É triste me despedir quando eu gostaria de ficar mais.
— Obrigado pela carona. Te vejo amanhã, Jace.
— De nada, Tommy.
Ele desce do carro e o observo até que passe pela porta e a feche. Ele vai até à janela e acena novamente.
Acho que todo o mundo faz isso. Comparar a sua experiência amorosa atual com uma experiência passada. É normal, não é?
Quando penso em Gabriel e em Thomas, eu diria que Gabriel nunca foi meu, ou nunca me quis de verdade. Não naquela época. Eu era um i****a que corria atrás dele, e ele sabia dos meus sentimentos. Depois que... O beijo aconteceu, ele passou a me odiar. O meu beijo e o de Thomas não estragou nada entre a gente.
Por mais que Gabriel Willis tenha se desculpado por tudo e se redimido, não sinto nada por ele. Tudo que sinto está bem aqui, dentro desta casa.
— Andar por aquela casa é como estar num labirinto — escuto antes de abrir a porta. É uma voz que reconheço, mas... — Jace!
Ele vem na minha direção. Dylan.
Instintivamente dou um passo para trás.
— Dylan?
Os meus pais se levantam do sofá, e parecem atentos.
— Bom, eu fiquei sabendo o que aconteceu. Sinto muito por ter passado por tudo aquilo... O que importa é que agora você está bem, não é? — Ele percebe que tentei me afastar. Sei disso apenas pela forma que me olha.
— Pensamos que você iria direto da escola para a terapia. — A minha mãe aperta as mãos.
— Estava aqui perto e resolvi tomar um banho primeiro...
Os meus olhos não saem dos de Dylan. Alto, corpo atlético, pele bronzeada, loiro, olhos brancos e perfeitamente alinhados. Um anel de casamento no dedo.
— O que está fazendo aqui? — Pergunto.
Me sinto ansioso, mas não faço ideia do motivo. É como se o meu corpo estivesse me avisando para manter distância dele. Mas ele é meu irmão...
— Papai e mamãe já sabem... Cristina está grávida. Um mês. — Os seus olhos brilham.
— Que ótimo, fico feliz por vocês. — Sorrio, tentando apaziguar essa situação esquisita. — Se me dão licença... Irei para o meu quarto.
Vou até o meu quarto, tranco a porta e me jogo na cama. Será bom falar sobre isso na terapia, mesmo que eu não entenda bem o que seja. A gente sempre se deu bem, e quando crianças adorávamos brincar pelo campo.
Talvez seja só a ansiedade de vê-lo de novo depois de tanto tempo. É, pode ser isso.
Tomo um banho rápido, me troco e, quando volto para a sala, ela está vazia. Quando olho pela janela, os três estão conversando com o caseiro enquanto observam os animais no campo.
Após passar uma hora conversando com o Sr. Clark sobre o meu irmão, Thomas, Gabriel, e tentar atualizá-lo sobre toda essa maluquice que foi minha semana. Estou cansado devido à terapia, e só quero fumar um pouco e dormir.
''Está ocupado?''
16:32
Recebo uma mensagem de Thomas, e isso faz um sorriso aparecer no meu rosto.
''Para você? Nunca.''
16:32
''Travis está nos chamando para ir à casa dele, acho que é para jogar videogame''
16:32
''Passo aí em alguns minutos''
16:33
Será bom me distrair um pouco, e imagino que Gabriel também estará lá. Vai ser estranho.
Paro de enrolar na picape e dirijo até a casa de Thomas, com Billie Marten cantando de fundo. Durante o caminho, alguns pensamentos ruins invadem minha mente. Não é porque estou tomando remédios, indo à terapia e tendo a maior atenção do mundo, que de repente estou curado. Não é assim que funciona.
Ter que lidar com tudo... É frustrante. É um saco.
Acordo, vejo a m***a que fiz nos meus pulsos, que sempre estarão marcados para mostrar uma parte de mim. Vejo a pessoa fraca parada na minha frente, ainda vejo aquele garoto. Ainda vejo uma pessoa com medo de tomar decisões, com medo de ser quem realmente é.
Ao contrário do que muitos pensam, dinheiro não é liberdade. Do que adianta nascer nesta m***a de família, se não posso ser quem sou?
Mesmo depois da minha tentativa de suicídio, o meu pai ainda me olha com cara f**a quando encosto nos meus instrumentos musicais. Ainda sai com a mãe de Travis, a Sra. Willis, nos sábados a noite. Eu escuto a minha mãe chorar todos os finais de semana quando isso acontece.
Algumas coisas não irão mudar, independentemente do fato de eu estar vivo ou não. Eu apenas... Gostaria de achar um bom motivo. Uma boa razão para estar aqui.
Quando volto para a realidade, Thomas já está dentro do carro.
— Mundo para Jace? — Ele balança as mãos na minha frente.
— Desculpa, desculpa. É que o meu irmão veio nos visitar hoje, e estou pensando muito nisso. — Minto.
— Dylan? — Concordo com a cabeça. — Pelo que você fala, ele parece ser uma pessoa legal.
— É. Não sei. — Tento parecer bem. Sinto que estou a cair de novo.
— Tem certeza que quer sair? Podemos ir para outro lugar. — Ele segura a minha mão. — Não acho que esteja bem.
Respiro fundo e encaro o teto da picape para evitar que as lágrimas caiam.
— Vai ser bom me distrair. Prefiro não falar sobre isso no momento, tudo bem? Acabei de voltar da terapia, e só preciso de um tempo.
— Claro, então vamos fazer isso. — Thomas aperta a minha mão.
Dou um sorriso, pego sua mão e dou um beijo na palma.