Newland

3677 Palavras
Capítulo Quatorze THOMAS DINESH Na casa de Travis, descubro que Gabriel e o seu pai fizeram as pazes (quase que à força), e por isso Gabriel nem chegou a morar com Jace. Acho bom que eles tenham se reconciliado, mas também tenho medo de que seja por pouco tempo. Nos sentamos na sala de sofás vermelhos e uma televisão enorme, onde Travis e Jace estão jogando videogame. Tyna está a mexer no celular enquanto espera por um deles morrer no jogo de lutinha, e Gabriel está apenas observa tudo. Por pouco, não morro de tédio. Esses jogos não são muito a minha praia, então apenas aproveito as frutas na minha frente e mexo no telefone. No momento em que apareço online, recebo uma mensagem de Jane. ''Desculpa ter sumido! Billie ainda está muito m*l por conta da prisão do Ian. m*l sai da cama.'' 17:32 Se eu fosse um b****a, teria apenas visualizado. ''Tudo bem. Não se preocupe.'' 17:32 ''Mas agora que já estou aqui... Queria dizer que gostei muito de ter ficado com você. Estava pensando se poderíamos dar outro passo... Se me entende.'' 17:33 ''Não entendo.'' 17:37 O que ela quer dizer com isso? Está esperando que eu apareça com um buquê de rosas e alianças? ''Sinto uma conexão muito forte entre a gente, e talvez eu tenha dito para Billie e... Para metade da escola que estamos namorando. Mas você também sente isso, não é?'' 17:37 Me impressiona como ela responde imediatamente as minhas mensagens, como se pregasse os olhos ali e não os tirassem mais. Quando leio a sua mensagem, bufo. Foi só um beijo. ''Mas isso não é verdade, nós não estamos namorando. Por que você fez isso?'' 17:38 E ela não responde, apesar de ter lido. Isso faz o meu sangue ferver, porque parece que é de propósito. Me arrependo de não ter sido um b****a quando tive a chance. — Tudo bem aí? — Jace senta ao meu lado, e vejo que ele perdeu no jogo, já que Tyna está no seu lugar. — Você não vai acreditar — digo, mostrando a conversa a ele. Observo Jace, tentando ler a sua expressão. Ele parece bravo, decepcionado, ou sei lá. — Então? — Pergunto, quando vejo que ele ficou calado por muito tempo. — O que eu faço? — Vocês estão juntos? — Ele sorri de canto. É óbvio que sabe a resposta, mas não sei se devo dizer tudo. — Claro que não. — O olho fixamente. Se isso é um jogo, tudo bem. — Por que não? Você não gosta de loiras? — O seu sorriso se intensifica. — Não gosto de malucas. — Lhe dou um soco fraco na perna. — Pare com isso, estou falando sério. Ele analisa novamente as mensagens. — Se ela te ignorou, não tem muito o que fazer. Talvez ela esteja triste por pensar que você sentia o mesmo. Talvez esteja planejando seu assassinato, sei lá. Só não diga que eu não te avisei, tudo bem? Suzie parecia saber do que estava falando. Não respondo, apenas reviro os olhos. Não consigo pensar muito nisso, porque seja lá o que Jane esteja pensando ou sentindo agora, não é bom. Mesmo que essa Suzie que eu nunca tenha ouvido falar antes esteja certa, se Jane já foi parada outras vezes, será agora também. O que mais me preocupa é ela ter contado para todo o mundo, e como isso pode influenciar as coisas entre mim e Jace. É claro que não temos nada sério, Jace sabe que ainda estou tentando me entender e me encontrar. Ele, por outro lado, se assumiu para todos. Não estou pronto para fazer a mesma coisa que ele, quer dizer, eu nem sei o que está acontecendo comigo. Só sei que gosto muito, muito, muito mesmo dele. — Aproveitando que estamos todos aqui reunidos... — Travis se levanta do sofá, e vejo que Tyna ganhou dele. — O que você está fazendo? Assumindo que é um perdedor? — Ela ri. Travis olha para Tyna, que está sentada no chão. Ele estende a mão para que ela se levante, e assim o faz. — Melhor que isso. — Coloca a mão no bolso e de lá tira uma caixinha de veludo em formato de coração. — Não me diga... — Jace sussurra ao meu lado. Estou feliz, mas não surpreso. Da forma que eles estavam colados ultimamente, eu sabia que algo iria acontecer. Jace, por outro lado, está boquiaberto. Gabriel nem pisca. — Não estou assumindo que sou um perdedor. Muito pelo contrário, Tyna Larson. — Ele ajeita o cabelo loiro. — Estou afirmando que, desde que começamos a ficar juntos, sou um ganhador. — E abre a caixinha. Não consigo ver os detalhes dos anéis de onde estou parado, mas são duas alianças douradas. Eca. — Você aceita ser minha namorada? Tipo, para sempre? — Sorri. — Quer dizer, não para sempre, assim, mas até eu comprar aquele outro anel que é mais importante, você entend... Tyna o interrompe com um beijo. É uma cena fofa, mas talvez hoje seja um dia que não consigo apreciar nada relacionado a namoro. Continuo contente por eles, apesar disso. — Isso foi um sim. — Ela diz quando se separa dele. Travis a ergue pelo ar após lhe entregar a aliança e colocar o outro anel no seu dedo, enquanto todos nós vibramos de felicidade e gritamos sem parar. Pedimos pizza e bebidas, e ficamos conversando até a noite terminar. Com certeza foi um dia agitado para todos nós. Jace me levou de volta para casa, e foi triste ter que sair do seu carro. — Dorme bem, cabeça de bagre. — Ele sorriu. — Hoje foi uma noite. — É, fico contente por eles. Te vejo amanhã? — Pergunto enquanto saio da picape. — Como sempre. — Deu uma piscadela e saiu, seguindo seu caminho. Quando entrei em casa, me assustei com a minha mãe e meu pai sentados na sala de estar, encarando a televisão, que está desligada. — Que programa legal. — Estávamos te esperando, filho. — Minha mãe diz, finalmente levando os seus olhos aos meus. — Gostaria de pedir desculpa. Ah, provavelmente devido à discussão que tivemos. — Sei que não agimos da melhor forma, e... Mas é só ela que está falando, que hipocrisia. — Não gostamos do seu tom ofensivo. Você foi muito desrespeitoso conosco, mesmo que tenha razão sobre o que aconteceu. — Finalmente o meu pai falou algo. Ele levanta-se e anda na minha direção. — E então? Você vai me perdoar, eu vou te perdoar, mas contanto que eu não seja homossexual tudo ficará bem? — Digo sarcasticamente. — Pare com isso. Estamos tentando resolver as coisas, deveria tentar também. — A minha mãe parece decepcionada. Tenho que respirar fundo para não surtar. Adultos são difíceis. Parece que nunca lidam com os seus problemas, mas estão sempre a se intrometer na vida dos outros. — Desculpa por ter sido tão duro com você. Falei coisas que não deveria por... Medo. Eu nunca te mandaria embora de casa ou te odiaria por... Qualquer motivo. Talvez eu precisasse ouvir tudo aquilo que você disse, por mais que desejo que não se repita. — Também te devo um pedido de desculpas. Eu... Não falei nada. Fiquei calada, porque parte de mim não sabe lidar com desavenças familiares. É tão difícil discutirmos, é tão raro... Mas farei o possível para não acontecer novamente, eu prometo. — A mulher na minha frente prende o cabelo num coque, e me dá um sorriso aconchegante. — Depois do que aconteceu, eu e a sua mãe conversamos sobre praticamente tudo... Sobre você, Maya, Jace, nossa briga... E temos que prestar atenção no que realmente importa. É um pouco complicado para nós, mais velhos, vermos o mundo em constante mudança, e podemos ser relutantes. Isso não é desculpa por ter lhe tratado daquela forma, espero que possamos superar tudo isso. — Meu pai passa a mão em minhas costas. Apesar de ainda estar um pouco assustado, isso é totalmente familiar para mim. Como sei, o meu pai é uma pessoa difícil de se irritar e chegar no ponto que ele havia chegado comigo, mas sempre que temos desavenças familiares nós conseguimos resolver, então nunca brigamos pelos mesmos motivos. Espero que isso continue. Alguns dias se passaram até o dia de hoje, e durante esse tempo, Jane m*l me olhou na escola porque estava a todo momento preocupada com a sua irmã, inclusive, deixou a sala de aula diversas vezes por saber que Billie estava a chorar no banheiro. Resumindo, ela tinha outras preocupações. Eu e Jace estamos... Juntos. Mas ninguém sabe, e espero que continue assim por um tempo, até eu ter certeza que o meu pai não mudou de mente sobre tudo isso e me dê um soco no rosto, como o pai de Gabriel fez. Travis e Tyna, por outro lado, estão mais felizes do que nunca. Se já estavam grudados antes, o namoro só apareceu para reafirmar isso, e não posso negar que eles são lindos juntos. — Está acabando de arrumar as coisas? — Meu pai aparece no batente da porta do meu quarto. — Vou te dar uma carona. É sábado, dia da viagem para Blue Springs, que fica a menos de duas horas de Kansas City. Quando coloquei o nome no Google, não esperava que seria um lugar tão bonito. — Só vou escovar os dentes e estou descendo. Vou com pressa ao banheiro, e me encaro. A cor dos meus olhos chama a minha atenção, sempre me esqueço que eles são a parte favorita em mim. Neles, vejo animação. Escovo os dentes, arrumo o meu cabelo, finalizo a minha mala e desço com tudo até a cozinha, onde a minha mãe apressou-se em fazer três sanduíches e suco natural de abacaxi. — É para você comer no ônibus. — E enfia tudo numa sacola, depois me entrega. — Mãe, são só duas horas até Newland, em Blue Springs. Vai ficar tudo bem. — Segure essa sacola. — Ela me olha f**o. — Tudo bem... Jesus. — E bufo. — Vá em segurança. Não entre sozinho na água, se tiver água para nadar. Não fique sozinho na floresta. Não saia de perto de ninguém. Se alimente, durma cedo, não fuma e nem beba álcool, sei que é proibido, mas vocês adolescentes sempre dão um jeito de fazer coisa errada. — Segurou as minhas bochechas. — E não engravide ninguém. Na verdade, irei orar para que caso você sequer... — Mãe! — Arregalo os olhos. — Já chega! Eu não sou uma criança. Saio de perto, fazendo com que ela me solte. Em seguida, ando até a saída, em direção ao carro do meu pai. — Mande mensagem se precisar de qualquer coisa! — A escuto gritar da cozinha. Quando me viro, aceno com a mão e dou um largo sorriso. Em poucos minutos estou no colégio, e tem um ônibus de viagem no estacionamento. Não tem muitas pessoas, apenas aquelas que ficaram de recuperação e optaram por viajar ao invés de fazer a prova. E eu, que sou um i****a e errei tudo de propósito para estar com os meus amigos. — Estamos aqui. — O meu pai fala ao parar o carro na porta. — Acredito que a sua mãe já te falou mil coisas. — Sorri. — Nossa, pode ter certeza. — Então vou te poupar disso tudo. Você é um garoto inteligente, sei que vai saber se cuidar. Não é tanto tempo assim, além do mais. — É quase durante as férias inteiras. — O corrijo. — Acho um bom tempo. — Umas três semanas, é — parece pensativo — tem certeza que quer fazer isso? — Absoluta! Começo a sair do carro para evitar que ele diga mais alguma coisa ou, até mesmo, mude de ideia. — Boa viagem, filho. — Me dá um beijo no topo da cabeça. — Obrigado. Pego a minha mala, e enquanto ando em direção à escola, não consigo conter um sorriso ao ver que Jace já está lá. JACE MILLER É um saco ter que parar com as sessões presenciais de terapia, mas pelo menos irei continuar de forma remota. Consegui explicar isso ao diretor, e ele assegurou que lá terá sinal e internet para que eu tenha acesso às minhas consultas. Esperar também é um saco. Ter que aguentar Dylan na minha casa é... Um saco. Ele anunciou que a sua namorada, ou esposa, sei lá, está grávida. Eba, serei titio. Que dó dessa criança. Depois, fiquei sabendo que a mulher vai passar um tempo na casa da mãe, o que quer dizer que Dylan ficará por mais tempo. Ainda bem que sou h******l na maioria das matérias, e isso me rendeu uma viagem! Não sei em que parte da minha vida o meu irmão se tornou um peso. Não sei quando que paramos de conversar, de nos gostar. Eu só sei que algo aconteceu, mesmo que não me lembre. Algo nele não me parece certo, e sei que os meus pais sabem de algo, mesmo que evitem o assunto. Ou, talvez, seja neura minha. Talvez eu apenas esteja puto porque ele passou anos sem me visitar, sem falar comigo, sem... Nada. Mas não consigo continuar com esse pensamento, porque Tommy está vindo na minha direção, segurando a sua mala. Está com um sorriso bobo no rosto, e tenho vontade de lhe beijar aqui mesmo. Mas me controlo, é claro. — Por que você está com essa cara? — Ele pergunta. É porque você me deixa assim, é o que tenho vontade de responder. — Estou feliz por finalmente ver alguém legal. Sabia que a sua namorada já entrou? A irmã dela também. Fico contente que Billie esteja focada em sofrer pelo Ian do que em atormentar as nossas vidas. — Primeiro, nunca mais repita que Jane Rainbow é minha namorada. Segundo, sabe se Tyna e Travis estão chegando? — Não é culpa minha, Dinesh. Todos estão falando sobre isso, sabe? — O encaro. — Mas... Ah... — Limpo a garganta. — Eles já chegaram, devem estar se pegando em algum canto. Mas vamos logo antes que a gente perca a chamada. Sei que pareci meio irritado com essa situação da Jane ter espalhado para todos essa mentira ridícula, mas Thomas não fez nada sobre isso, e parece que ele simplesmente não liga. Andamos até o pátio, onde foi combinado o encontro de todos. — Ai estão vocês — Derisse se aproximou e puxou eu e Thomas para perto dos outros alunos — por que demoraram tanto? — Na verdade, estamos bem na hora. — Respondo. O diretor está com uma lista de nomes na mão, e assim que nos vê, realiza a chamada. Entre vários nomes que não conheço, estão os nomes de todos os meus amigos, e daquelas outras duas que nem gosto de pensar. — Como vocês sabem, não estarei na viagem com vocês. A professora Derisse ficará responsável por avaliar os seus desempenhos, bem como de aplicar as atividades. A professora Ella irá supervisioná-los, e caso tenhamos qualquer problema, ela ficará encarregada de me alertar, além de também auxiliar Derisse. — Nunca tive aulas com Ella. Só sei que ela é francesa e tem um sotaque muito forte, e, se não me engano, ela dá aula de artes. — No acampamento vocês também irão contar com uma equipe especializada para dar apoio, bem como uma ala de farmácia caso ocorra algum pequeno acidente. Esperamos que isso não ocorra, mas, se for preciso, há uma ambulância no local caso alguém precise ser encaminhado com urgência ao hospital mais próximo. — Lá tem internet? — Billie perguntou enquanto mascava um chiclete. Que nojo. — Sim! E sinal também. Vocês estarão livres para fotografar o local e conversar com familiares, e também é importante caso precisem fazer uma ligação de emergência. Porém, estaremos a acompanhar cada passo. Não pensem que vão para lá festejar. Pensem que é um trabalho imersivo de recuperação. Mais alguma pergunta? Gabriel está ao lado de Travis, mas não para de olhar para os lados, como se estivesse incomodado. Quando olha para mim, dá um sorriso e volta para a frente. — Como a gente vai dormir lá? — Um aluno aleatório perguntou. — Os dormitórios são separados em alas A e B. A ala ''A'' é feminina, e a ''B'' é masculina. Cada cabana possui duas beliches, então serão quatro pessoas por dormitório. Não se preocupem, são bem espaçosos. Bom, agora vamos entrando no ônibus. Encontrem um lugar e sentem-se. Fizemos uma fila e, de pouco em pouco, todos nós estávamos sentados. Thomas sentou-se ao meu lado, Travis ficou com Tyna, Jane com Billie, Gabriel com o garoto aleatório que havia feito a pergunta anteriormente. Todos aqui. Depois que Ian foi preso, Billie deu uma aquietada bem suspeita, como se estivesse a preparar o terreno. Sinto como se, a todo momento, tivesse que tomar cuidado com ela. m*l ela sabe que essa viagem será a oportunidade perfeita para acabar com tudo que ela já conquistou dentro dessa escola. — Os namoradinhos não vão sentar juntos? — Uma garota ri. Quando me viro para trás, é uma das amigas de Jane. Ela olha para Thomas, e em seguida diz: — Por que não cuida da sua vida, Stacy? Jane parece irritada, mas Thomas faz cara de quem nunca a conheceu na vida. Ele realmente tem o dom de ignorar o que quiser. — Você não vai fazer nada? — Pergunto. — Se você acha que vou gritar para todos que não estou com Jane Rainbow como se fosse um grande anúncio, não vou. Alguma hora isso perde a graça e as pessoas vão sacar que ela mentiu, e dai ela vai ser a errada, não eu. Então é melhor fingir como se eu nem soubesse. Ele tem um ponto interessante. — Tanto faz. É a sua vida. — Irei fazer a chamada novamente. — O diretor aparece em pé no meio do ônibus. m*l o vi entrando. Ele repetiu a chamada desde o começo, depois dobrou o papel e entregou para Derisse. — Faça novamente quando chegarem lá. E de novo na hora de ir embora. E de novo quando chegarem. — Pode deixar. — Ela sorriu, quase que desconfortável. As nossas malas foram colocadas num compartimento específico no ônibus, cujo nome eu nem sei. É a primeira vez que viajo de ônibus, já que viajei sempre de avião. Mas admito que não seja necessário para um passeio de duas horas. Quando o motor ligou, o diretor se despediu, colocamos os cintos de segurança e saímos do estacionamento. Thomas, que está do lado da janela, colocou o lado esquerdo do fone e me ofereceu o direito. Quando o coloquei na orelha, uma banda indie começou a tocar. — Se importa se eu fechar os olhos por alguns minutos? — Perguntou. — Pode encostar no meu ombro, se quiser. E assim fez. Não pude evitar, e a minha mão foi até o seu cabelo. Fiz um pouco de carinho, e depois também fechei os olhos. Tudo estava tranquilo demais. — Mas quem foi o filho da p**a que fez isso? — Fui acordado assim que Billie falou. Não chegou a gritar, mas foi estridente o suficiente com aquela voz ridícula para até fazer o meu coração acelerar. Tommy se levantou, assustado. — Que palavreado é esse, senhorita Rainbow? — Derisse, mais adiante, a olhou com raiva. — O que está acontecendo? Para ser bem sincero, não fui eu. Não pensei em nada para incomodar Billie durante a viagem de ônibus, mas queria ter pensado antes. — É só uma coisa que vi no meu celular. Um i****a espalhou um vídeo que... — Seus olhos brilhavam enquanto olhava a tela do celular. Antes que todos pudessem tentar entender, todos os celulares começaram a apitar. Eu e Thomas pegamos os nossos celulares quase que ao mesmo tempo e, quando dei play no vídeo que havia sido enviado no grupo da escola, até me surpreendi. — Que coisa h******l. — Escutei a professora francesa falar. — Com quantos caras você já ficou, Billie Rainbow? — Alguém gritou. — Sua v***a! — E risadas. Em pouco tempo, todos estavam a rir do vídeo. — Ei, ei, ei! Vamos parar com isso agora! — Derisse gritou. Ela já estava de pé, nos fuzilando com o olhar. Thomas assistia o vídeo e tentava reconhecer os dois caras com Billie, mas seus rostos não apareciam. Só o dela. Jane estava boquiaberta, e quando olhei para Tyna e Travis, ambos estavam com os rostos vermelhos de tanto rir. Tive que segurar a risada depois deles me olharem de volta. Gabriel, mais atrás, estava sério. — Vamos parar com as risadas e com as humilhações. Se não me engano, todos vocês estão de recuperação, então tratem de cuidar da própria vida antes que sejam todos expulsos! Além disso, compartilhar esse tipo de coisa é crime. Isso com certeza será levado ao diretor e iremos atrás do responsável. Que situação. Não digo que estou com dó dela, claro que não. Na verdade, acho que ela até mereceu. Se fosse com outra garota, o meu pensamento não seria esse, mas é a Billie Rainbow. — Que idiotas. — Thomas revirou os olhos e deitou novamente com a cabeça no meu ombro. Às vezes temos opiniões bem contrárias. Enxergo Tommy como um garoto que ainda há muito para descobrir, tanto sobre si mesmo quanto sobre as outras pessoas. Parece que ele não enxerga o que eu vejo. Ele tenta ver o mundo da melhor forma possível, mas essa forma não existe. Só os fatos existem, e esperar pelo carma nunca é uma boa opção, porque ele não existe. Depois do que Derisse disse, todos se calaram. Alguns cochichos ainda permaneceram, mas ela não deve ter escutado, ou só ignorou. Não sei quem deve ter compartilhado o vídeo, mas isso prova que existe alguém por aí que odeia Billie tanto quanto eu.
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