Amizade Inusitada

3487 Palavras
Capítulo Quinze THOMAS DINESH Quando Jace me dá um peteleco na cabeça, me despertando, vejo que já estamos em Blue Springs. O sol ilumina o lago azul do acampamento, estamos cercados por uma linda floresta e, apesar de parecer que estamos no meio do nada, há várias cabanas e tendas ao redor do ônibus. — Que lugar lindo — ele sussurra ao pé do ouvido. — Retirem o cinto de segurança, crianças. Quando descerem, formem uma fila porque realizarei mais uma chamada. — Derisse falou. Billie estava com a cara fechada, e Jane não parava de a consolar. Os seus olhos encontraram os meus, mas ela apenas me olhou com pena. O que aconteceu com Billie foi algo realmente f**o. Toda essa situação me faz pensar que simplesmente não tem como responder ódio com mais ódio, porque isso se torna um ciclo vicioso. Você machuca alguém, esse alguém vai querer te machucar de volta, e assim continua. O que fizeram com ela foi covardia, e o pior é que não sabemos quem foi que gravou o vídeo, muito menos quem o compartilhou, porque a pessoa apagou quase que instantaneamente a mensagem, apenas deixando o vídeo na galeria de todos. Isso já deveria ter acabado. Formamos a fila assim como a professora pediu e, depois, pegamos as nossas malas. Fomos instruídos a montar um quarteto para o dormitório, e assim fizemos. Eu, Jace, Travis e Gabriel ficaremos juntos em um dos dormitórios da ala B, enquanto Tyna, Stacy, Jane e Billie ficarão na ala A. — Eu não escolhi isso — Tyna revirou os olhos — a professora Ella me colocou junto com essas esquisitas porque nenhuma outra esquisita me chamou. É um saco ser julgada por qualquer mulher existente nessa escola. — Sinto muito. — Digo. — É, vai ser meio que um inferno. Mas talvez você consiga boas fofocas lá dentro — Travis tentou amenizar a situação. — De qualquer forma, é apenas para dormir. Só tome cuidado para não ser morta durante a noite. — Isso é muito relaxante, obrigada. — Ela faz uma careta para ele e sai andando. — p***a. — Travis a olha espantado, enquanto Tyna sai andando em direção aos outros alunos. — Você não pode reclamar. Está a assustando com esse papo, Travis. Pelo amor de Deus. — Jace ajeita o cabelo e vai até Tyna, para tentar reverter a situação e acalmá-la. Depois de um tempo, cinco pessoas entre 25 a 34 anos apareceram uniformizados com uma espécie de colete azul escrito Newland Summer Camp. Eles se apresentaram, nos levaram às cabanas e pediram que guardássemos as nossas malas. — Eu fico na cama de cima — Gabriel apontou. — Fico na de baixo, então. — Travis sentou-se no colchão. — De baixo. — Eu e Jace falamos ao mesmo tempo, apontando para a segunda beliche no quarto. Nos entreolhamos, como se fosse uma competição. — Eu fico com essa cama porque sou mais bonito. — Eu fico porque sou mais inteligente. — Retruco. — Mas ainda assim está aqui. Eu... Eu fico com ela porque sou mais velho. — Mostra a língua. — Não, você não é. — Dou uma risada. Os outros dois nos olham como se fôssemos idiotas. — Alunos, venham todos ao refeitório. É só seguir as plaquinhas de madeira. — Escutamos uma voz soar por aparelhos fixados nas árvores. — A discussão continua mais tarde. — Semicerro os olhos, e o garoto faz o mesmo. O lugar é esplêndido. Juro que nunca vi um lago tão belo, e há pequenos animais em volta. Sei disso porque, afinal, estamos numa floresta, e, além disso, consigo os ouvir. É um ambiente tranquilo, onde até o ar é diferente. O refeitório não é muito grande como o do colégio, mas é o suficiente para abrigar todos nós. Estamos em aproximadamente vinte pessoas, sem contar com os monitores e as professoras. Tudo aqui é rústico, feito de madeira e coisas um pouco antigas. — Podem se sentar — uma monitora alta, ruiva e de olhos azuis fala. — Muito obrigada pela presença, sei que gostarão da estadia no acampamento tanto quanto nós, — gesticula para os outros monitores — e será um prazer passar esse tempo com vocês. Como sabem, os dormitórios são separados em ala A e B, para diferenciar as cabanas femininas e masculinas. Todos os dias, vocês serão acordados às sete da manhã do jeito tradicional: com a música oficial do acampamento. Estará bem alta, então não duvidem da capacidade do time. — Sorri. Observo que todos possuem, no colete, seus nomes. A mulher que fala se chama Rave. — Tomarão o café da manhã 07h30, e começarão a realizar as atividades propostas pelas professoras a partir das 10h, com uma pausa para o almoço, que é servido 12h. As atividades duram até 16h. Após isso, vocês terão um tempo para descansar, para recreação, tirar foto, e aproveitarem. O toque de recolher é às 19h25. É importante que saibam que temos câmeras por todo o acampamento, exceto florestas. Portanto, é extremamente proibido que vocês entrem lá sem a presença de um monitor. Até mesmo vocês, professoras. — Ela sorri de forma simpática para Derisse e Ella. — Vai ser pesado. — Tyna diz. — Mas todo o mundo diz que o guarda que fiscaliza as câmeras é um dorminhoco. — Shhhh! — Isso vem de algum lado do refeitório, mas não consigo localizar. — Continuando... — Rave apenas ignora o comentário feito por Tyna — Podem contar conosco para o que for necessário! Agora, podem se servir em fila, por gentileza. Gostei desse pessoal. Eles são legais, pelo menos essa Rave. Me levanto e, atrás de Jace, pego uma bandeja e coloco meu almoço. — Macarrão, frango cozido, salada de grão de bico. — Travis me julga. — Vai cuidar do seu prato, seu i****a. O que tem aí? Ovo, batata doce e frango? — Ah, cala a boca. — Ele ri, e nos sentamos em volta da mesa. Outros alunos estão do nosso lado, mas estamos juntos, e é isso que importa. Gabriel está rindo, Tyna parece esquecer por um momento que ficou num dormitório h******l, Jace não para de fazer carinho na minha mão por baixo da mesa, e Travis devora três pedaços de frango que colocou no seu prato. Até parece que não somos os mesmos adolescentes de Kansas City. Até isso Newland deixa mais bonito. Estou suando, e apesar da terra no meu tênis me incomodar, quero encontrar o tesouro. — Vai acabar ficando para trás nesse ritmo, mas você já está acostumado com isso, não é? — Billie diz enquanto passa por mim. Estou curvado, com as mãos apoiadas nos joelhos, tentando controlar a respiração. Essa é apenas a primeira atividade, e já estou cansado feito um burro de carga. Apesar de o comentário de Rainbow ter sido feito apenas para tentar me desmotivar, ele acaba causando o efeito contrário. Dou uma última arfada, recupero o fôlego e corro como se a minha vida dependesse disso. São os meninos contra as meninas, e em cada grupo há um líder, e só ele recebe um mapa enigmático apontando a direção e localização do tesouro (que não sabemos o que é), e antes de partirmos na sua busca, o líder teve que desvendar o enigma e nos dar as direções. Muitas pessoas já passaram na minha frente, mas estou longe de ser o último. Não sou a pessoa mais atlética daqui, mas estou me esforçando bastante. O meu pé parece afundar no chão enquanto corro o mais rápido possível, e sei que estou perto do objetivo quando me aproximo de mais pessoas que também correm na mesma direção. Após a corrida, o próximo passo seria cavar os diversos pontos marcados no chão, porque o tesouro pode estar em qualquer um deles. — Faz alguma coisa, sua i****a! — Billie empurra Stacy para frente, que estava com dificuldade para manter o ritmo. — Billie Rainbow, desclassificada. — Derisse, que está com roupa de academia e uma faixa na testa assopra um apito, e Billie é obrigada a ficar ao seu lado até o jogo acabar. Conforme as instruções que recebemos mais cedo, alunos desclassificados por infringir alguma norma recebem um raio ao lado do nome. Se o aluno obter três raios, ele não possui chance de passar de ano com a viagem. Terá que ficar o resto das férias aqui, sendo obrigado a cumprir as atividades como todos nós, mas deverá fazer a prova de qualquer forma. Acho justo. Continuo a correr e passo de alguns alunos com a mesma estatura e físico que eu. Travis está na frente de todos, e é o primeiro a alcançar uma das dezenas de pás. Em poucos minutos, todos nós nos juntamos a ele, e cavamos buracos aleatórios em busca do tesouro. — Eu encontrei! Eu encontrei! — Jane dava pulos de felicidade enquanto abanava as mãos. As meninas juntaram-se a ela, e a envolveram num caloroso abraço. Que nojo. — Acabou! — Tim, um monitor, grita. Jane enfia a mão na terra, e de lá tira um baú do tamanho das suas mãos. Ao abri-lo, ela pega uma carta e começa a ler em voz alta. — Parabéns por ter me encontrado! Por isso, você e o seu time irão ganhar uma tarde na piscina aquecida. Sob supervisão dos monitores, é claro. — É isso, galera. Todas as atividades trarão recompensas, então se esforcem! Garotas, parabéns pela vitória. Agora, vão para o dormitório tomarem um bom banho. Nos encontramos no refeitório! Todos começam a dar meia volta, e Jace se aproxima do meu lado. — Estranho ela ter encontrado de primeira. — Foi sorte, Jace. Não tem como ela ter descoberto. — Nossa, olha a cara da irmã dela — Jace vira o meu rosto em direção à Billie, que anda de volta para os dormitórios de braços cruzados. O seu olhar fuzila Jane — Achei que ela estaria feliz pela vitória da irmã. — Sei lá o que acontece entre essas duas. — Respondo. — Vamos logo tirar toda essa terra do seu rosto, o que acha? Você fica bem mais bonito quando está limpo. — Sorrio. Jace tromba levemente no meu ombro, e andamos juntos até a nossa cabana. Enquanto as meninas passam o restante da tarde na piscina, tivemos que fazer uma fogueira e contar histórias de terror. Tim, que ficou conosco, disse que a pessoa com a melhor história iria ganhar um bônus para a próxima atividade. — Tudo bem, eu começo! — Gabriel levantou a mão. Isso chamou a nossa atenção, já que ultimamente ele está fugindo dos holofotes, ao contrário do que fazia antigamente. Tim o entregou uma lanterna, mesmo que o sol ainda estivesse se pondo. Jace está ao meu lado, com a cabeça escorada no meu ombro. Travis parece cansado, ou apenas com saudade de estar grudado em Tyna. Gabriel começa a contar uma história familiar, e percebo que é a sua própria história, porém de forma um pouco mais sobrenatural. — Ele está mesmo fazendo isso? — Cochicho para Jace. Travis nos encara, confuso. — Sim. Bom, não dá para negar que é uma história assustadora. As pessoas não precisam saber que é verdade. Em sua fala, Gabriel cria um personagem chamado Noah, que era um vampiro apaixonado por um lobisomem chamado Benjamin. Ele diz sobre tudo que já aconteceu em sua vida até hoje, até mesmo dramatiza o t**a que Noah recebe do próprio pai. As pessoas não parecem muito interessadas, entretanto. — E ele está mundo afora, vivo, enquanto todos à sua volta não tiveram a mesma sorte. Noah acabou perdendo todos ao seu redor, inclusive aqueles que mais amava. É um destino c***l que não desejo para ninguém. — Gabriel parece se esquecer dos garotos ao seu redor, e perde-se nas chamadas laranjas da fogueira na sua frente. — Foi bem intenso, acho que todos nós podemos concordar nisso. — Tim arregala os olhos. Talvez ele não estivesse preparado para isso. — Não gosto de romance gay. — Um garoto mais novo que nós, diz. — Bom... — O monitor está desconcertado, e deve ser o acampamento mais esquisito que ele já teve que monitorar. — Quem é o próximo? JACE MILLER Os contos na fogueira estão ficando entediantes. Na minha opinião, a melhor história contada foi de um nerd esquisitinho, que contou sobre a experiência que teve ao visitar uma selva no Canadá, onde supostamente viu o Pé-grande. — Quer dar uma volta? — Sussurro para Thomas. Ele me olha de um jeito óbvio, como se não fosse possível. — Tim — chamo a atenção do monitor — minha mãe está me ligando. Deve estar preocupada se tomei meus remédios. Tudo bem se eu atender a ligação? — Tiro o celular do meu bolso. — Ah, claro! Sem problemas. Quinze minutos é o suficiente? — Ele observa seu relógio de pulso. — Sim — me levanto — Ah... d***a! Minha bateria está acabando... Thomas, pode me emprestar o seu celular? Por favor, você pode vir comigo se quiser, não vai demorar. — Finjo implorar. Thomas é um garoto desajeitado, e h******l em enganar as pessoas. — C-claro, mas não confio meu celular desbloqueado em suas mãos. — Vão logo, garotos, vocês estão atrapalhando as hitórias. Quinze minutos, ouviram? — O homem de bigode grosso e óculos redondos diz, impaciente. Com um sorriso vitorioso, ando até os banheiros. — O que você está fazendo? — Thomas se assusta quando o pego pelo pulso. — Não me diga que você estava gostando dos contos. — Sorrio. Quando entro no banheiro masculino, vou até uma cabine e fecho a porta atrás de Thomas. — Agora somos só nós dois. Finalmente! — Ergo os braços para cima. Ao observar Dinesh, sei que ele está a um ponto de gritar comigo por ter escapado da atividade. Mas e dai? As meninas estão aproveitando uma piscina quentinha e eu não posso ter um pouco de privacidade? Antes que ele pudesse reclamar, levo as minhas mãos ao seu rosto e me aproximo com delicadeza, juntando os nossos lábios. — Viu? Não foi tão r**m assim. — E lhe beijo novamente. Ele retribuiu com certa insegurança. Talvez esteja com medo de que alguém apareça. — Relaxa, não tem nem cinco minutos que estamos aqui. Quinze minutos, certo? — Não reclamei — Thomas sorri e coloca a mão em meu cabelo. Ficamos dessa forma por um tempo, aproveitando a companhia um do outro enquanto fugíamos do pessoal. — Isso não te dá nem um pouquinho de adrenalina? Estar beijando outro garoto em um acampamento, escondido de todo o mundo. — Solto uma risada. — Um pouco, sim — responde — mas quando estou com você, parece que todas as coisas ruins são reduzidas. Não sei explicar. — Não estamos exatamente num local romântico para declarações de amor, Dinesh. Ele sorri de canto e bate em meu braço. — A minha cama é a de baixo. — Seu sonho. — Reviro os olhos — Já falei que é minha. Falei primeiro. — Nós falamos juntos! — Mas escutei a minha voz primeiro. — Mostro a língua. Desta vez, ele que me puxa para um beijo demorado. Passamos treze minutos na cabine daquele banheiro, até nos separarmos e decidirmos que é hora de voltar. — Sabe, Thomas — puxo conversa enquanto voltamos para a fogueira — eu acredito que tem alguém aqui, menino ou menina, que odeia Billie mais que eu. — Por causa do vídeo? — Sim, por causa do vídeo. A pessoa que enviou estava no ônibus, porque só assim saberia o tempo exato dos celulares receberem o vídeo para depois apagar do grupo. — Reflito. — Concorda? — Eu não sei, pode ser que tenha sido Tyna. Ela sabe de umas paradas sinistras do pessoal da escola, não é? Está aqui desde sempre. — Pode ser... — Tudo certo? — Tim pergunta quando estamos perto o suficiente para escutar. — Cem porcento. — Olho para Thomas, e sentamos novamente nos nossos lugares. Um garoto aleatório chamado Yan acabou contando uma história aterrorizante (de arrepiar os cabelos daquele lugar) enquanto estávamos no banheiro - ou, supostamente, ligando para a minha mãe - acabou ganhando o tal bônus, que nada mais é do que tempo extra. Uau. Tim apaga a fogueira, e somos direcionados ao refeitório para jantarmos. As garotas ainda estão falando sobre como foi ótimo estar na piscina, e estranhamente Tyna conversa com Jane. — Isso não é esquisito? — Travis se aproxima com os braços cruzados, olhando na mesma direção que eu. — Ei, Tyna! Não vai se sentar com a gente? — Fala alto enquanto anda até a namorada. — Na verdade, vou jantar com as meninas hoje. Mas nos vemos antes de dormir, tudo bem? — Ela está com um sorriso enorme enquanto conversa com a garota de cabelos loiros. — Só um minuto — Travis se coloca entre as duas e puxa delicadamente Tyna até nós. — O que pensa que está fazendo? — Eu sei que é bizarro, tá? Mas... Na piscina, Jane e Stacy foram muito legais comigo. De verdade. Jane até falou m*l da sua própria irmã. E AH! — Ela se lembra de algo. — Elas até brigaram no dormitório. — Não acho uma boa ideia você ficar perto dela — digo, mas me recordo que apenas Thomas sabe os podres de Jane. — Não é uma boa companhia. — Sabe, pode até ser verdade... Mas é exatamente isso que as outras garotas falam de mim, e isso acaba me isolando. Vou descobrir sozinha se Jane realmente é o que você tanto prega, Miller. — Me olha com compreensão, e volta para a mesa onde estava. — Dá pra acreditar nisso? — Pergunto a Thomas, que ainda mantém os olhos em Tyna. — Não posso tirar a razão dela. — Dá de ombros. — Agora, vamos jantar logo antes que a comida esfrie. Colocamos as nossas comidas e, como de costume nos sentamos lado a lado. Um silêncio absurdo começa a me incomodar. — Então... Gabriel — o garoto olha para mim — gostaria de falar sobre o que aconteceu na fogueira? — Não. — Diz firmemente, e continua a comer. Ultimamente, tenho observado que ele está mais distante do que nunca, e, ao mesmo tempo em que parece me evitar, sempre está por perto. É como se ele fosse um fantasma que estivesse me assombrando. — Então tá bom... — Volto a comer. Se ele não quer conversar, não adianta insistir. Talvez ter dito isso na frente de Travis e Thomas tenha o deixado desconfortável. — Como andam as coisas com Tyna? — Pergunto à Willis. É quase impossível não perceber as veias saltitantes no seu braço. — Eu pensava que ela era incrível — disse de boca cheia — mas desde que começamos a namorar, tenho certeza de que quero essa garota para sempre. É difícil achar alguém assim, sabe? — Fico feliz por vocês dois. Quero ser o padrinho de casamento, não se esqueça disso. — Sorrio. — Já anotei aqui — aponta para a cabeça. — Mas e você? Algum gatinho chamando a atenção? Thomas parece se engasgar com o suco que está bebendo, e Gabriel deve ter pensado que não vi isso, mas ele olhou rapidamente para mim. — Que nada — respondo — não encontrei ninguém interessante. Dinesh se mantém em silêncio. Eu sei que ele m*l sabe o que acontece dentro de si, e que não está pronto para tornar isso algo público. Mas, simultaneamente, ele não parece ligar que todos pensem que ele e Jane estão juntos, mesmo que m*l olhem um para o outro. Afinal, é muito mais fácil manter essa farsa do que ser honesto consigo mesmo. As pessoas também são idiotas por acreditarem que eles estão juntos, quando está a todo tempo comigo. Escolhemos acreditar no que mais parece correto segundo as nossas crenças, e penso que talvez Thomas realmente queira que pensem que ele está namorando Jane porque, assim, a mentira dele, que no caso sou eu, consegue se manter em segredo por mais tempo. Nunca conversamos sobre isso, e acredito que a minha paciência está se esgotando. Ele não sabe o nojo que tenho por Billie e Jane, e não sabe até onde eu iria para afastá-las das nossas vidas. — Com licença — Gabriel afasta a bandeja de comida e se levanta — preciso ir ao banheiro. Me levanto, deixando a comida quase intocada na mesa. — Está tudo bem, Gabe? — Seguro o seu braço. — Não quero fazer uma cena aqui, então só me responde, por favor. Quando me olha, está lacrimejando. — Tudo ótimo. Antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele anda em direção ao banheiro e me deixa parado, tentando pensar no que pode estar acontecendo dentro da sua mente confusa.
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