Assassinato no Escuro

3590 Palavras
Capítulo Dezesseis THOMAS DINESH O que está acontecendo entre Jace e Gabriel passou da minha compreensão. Não faço ideia do que está acontecendo com aquele garoto, que age da forma mais esquisita possível, mas isso não deveria ser da conta de Jace, que fica correndo atrás dele e implorando por respostas. Ademais, não posso falar isso publicamente, porque Jace tem todos os argumentos possíveis para acabar comigo. O fato de sermos um segredo, e o outro fato de eu não ter resolvido o lance com a Jane Rainbow. Tudo isso tornou-se um circo de horrores, onde todos pensam que podem fazer o que quiserem com a vida dos outros. Quando Travis perguntou sobre a vida amorosa de Jace, é claro que eu não estava esperando que ele fosse falar sobre nós, mas uma parte de mim queria que ele pelo menos tivesse feito algo, mesmo que de forma discreta, sei lá. Agora, depois do que aconteceu no refeitório, m*l olhei para ele. Enquanto tomo um banho e me preparo para deitar na cama de cima, já que Jace é um insistente insuportável, penso nas mil possibilidades que podem estar acontecendo com aqueles dois. Talvez Jace nem saiba. — Desse jeito a água do mundo vai acabar mais rápido! — Travis grita. — Anda logo, Dinesh! Saio do banheiro já com a roupa trocada, e o meu cabelo molhado pingando por onde passo. No quarto, Gabriel está deitado virado para a parede, e Jace, que está deitado na outra beliche, está de barriga para cima, olhando para o nada. Nem repara em mim. — Jace, preciso conversar com você — digo. Ele me olha, e levanta as sobrancelhas como se dissesse ''pode falar''. — Em particular. Ele reclama, mas me segue para fora da cabana. — O que está acontecendo? Jace faz uma expressão de desentendido. Me seguro para não revirar os olhos. — Entre você e Gabriel, Jace. Toda hora ele fica com cara de choro, olha de canto para você a todo momento, como se fosse um cachorro pedindo comida. Depois do que ele falou na fogueira, ainda rolou aquele climão no refeitório. Parece que ele tá com algum problema relacionado a você. — Bom, isso é verdade... Mas não faço ideia do que seja, porque ele não me conta. — E agora você tá todo para baixo, m*l fala comigo porque tá preocupado com o que o seu ex deve estar pensando. Ele não é uma criança, Jace. Se quisesse falar e resolver, já teria feito isso. — Você vai me julgar por estar preocupado, Thomas? É sério? — Não é por isso. Estou te julgando porque você está fazendo tudo para entendê-lo, quando ele claramente quer espaço. Toda a sua atenção está voltada para ele, e não vem me dizer que é mentira. O garoto de cabelos escuros se apoia no corrimão de madeira da cabana. — Claro que estou, e talvez faço isso mais do que deveria. Eu conheço Gabriel de uma forma que você não entende, ele passou por muita coisa e tenho medo do que possa fazer caso se sinta sozinho, como eu já me senti. Não vou descansar até que eu possa o ajudar. Nós somos apenas amigos, e você sabe disso, Tommy. Não precisa se preocupar, de verdade — segura minhas mãos. — E não venha me dar lição de moral, porque você ainda não resolveu os seus problemas com Jane. — Eu sei, eu sei... — Separo nossas mãos e me encosto no outro corrimão, de frente para ele. — Quanto a isso, eu ainda estou pensando no que fazer e dizer. — Que tal começando com a verdade? Que você não sente nada por ela, que devem seguir a vida... — É, tem razão. Agora eu só quero descansar e apagar na cama. — Esfrego os olhos. — Vou fingir que isso não foi uma desculpa esfarrapada para fugir do assunto. — Fala, e volta para o dormitório. Continuo ali por mais uns minutos, aprecisando o clima e a paisagem. O acampamento em Newland é realmente uma das coisas mais lindas já feitas. Não combina com a minha vida, ou comigo. Acho que a maioria das coisas bonitas do mundo não fazem muito sentido para mim. O céu noturno está cheio de estrelas, e não posso deixar de pensar em Maya. Ela adorava observar a lua. — Não vai entrar? — Jace abre a porta. — Sim, claro. Antes de passar pela porta do dormitório e apagar de sono, vejo as estrelas pela última vez naquela noite. Amanheço com uma música tocando nos alto falantes pregados nas árvores, e demoro um pouco para me lembrar que estou no acampamento. Com cuidado, desço da beliche e percebo que os garotos ainda estão a dormir, e isso é ótimo porque posso levar o meu tempo na ducha. Lavo os meus cabelos, troco de roupa e estou pronto para tomar o café da manhã no refeitório. Gabriel está dormindo como se tivesse passado duas semanas com insônia, Travis ronca baixinho e nem consigo ver o rosto de Jace, que está tampado por seu cabelo bagunçado. Tento sair de lá fazendo o mínimo de barulho possível, e vou até onde a maioria dos alunos já se reune. — Nada de Travis, hum? — Tyna ignora completamente a minha existência e olha por meus ombros, procurando o seu namorado. — Lembra de quando éramos amigos e você falava comigo? — Brinco. — THOMAS! — Ela arregala os olhos, como se subitamente se lembrasse de que estou parado na sua frente. — Precisamos conversar! Ouvi coisas insanamente bizarras naquele dormitório, e Billie anda mais estranha do que nunca. Mas quero esperar os meninos para não precisar repetir a mesma história duas vezes. — Disse e, como se não fosse nada demais, virou-se, pegou uma bandeja e a lotou de muffins. Fui atrás dela, colocando uma quantidade decente de comida na minha bandeja. — É sobre quem? — Pergunto, curioso. — Espera, é só esperar eles volt... — Dizia irritada enquanto se sentava à minha frente, mas sua expressão se desfez quando Travis e Jace se sentaram conosco. — Cadê o Gabriel? — Disse que já vem — Travis me responde. Ele cumprimenta Tyna com um selinho e senta ao seu lado, pegando um muffin. — Ei! — Faz careta. — Tyna disse que tem algo para nos contar — falo — bom, já estamos todos aqui. Ela olha para os lados para se certificar de que ninguém esteja ouvindo. Numa mesa mais afastada, Billie conversa com uma garota que não conheço, e Jane dá toda a sua atenção para Stacy, como se a sua irmã não estivesse lá. — Bom, Jane e Billie tiveram uma briga f**a anteontem, e não disse nada porque ainda estava... Bem... Recolhendo mais informações... — Escutando fofoca, você quis dizer! — Travis riu e passou a mão no cabelo de Tyna. — E você tá aqui fazendo a mesma coisa. Agora, shhh! Enfim... Tudo começou quando Jane se cansou de consolar Billie, disse que ela deveria aceitar que Ian é um i****a e teve o que mereceu. Elas brigaram muito sobre isso, só fiquei ouvindo enquanto Stacy tentava apaziguar a situação. — E? — Jace aparenta estar muito curioso com a situação. É claro, se tem uma Rainbow se ferrando, ele está feliz. Imagine duas, então. — Elas soltaram algumas farpas, foi um belo show. Agora, elas se ignoram por completo, e até por isso Jane vem tentando conversar mais comigo. Quando olho para a mesa onde Jane está, ela me olha de volta e acena. Dou um pequeno sorriso, mas logo volto a minha atenção para Tyna. — Mas essa não é a parte boa da fofoca. Billie ficou tão brava que começou a jogar as coisas de Jane para fora do dormitório, dizendo que não queria dormir no mesmo lugar que ela. E... Dentro da sua mala tinha uma BONECA. Isso mesmo. Mas não qualquer boneca. — Larson nos olhava como se estivesse fazendo muito suspense. — Lembra quando fomos numa festa na casa dela? — Oh, isso foi quando... Eu ainda estava no hospital, e você me mandou uma foto. — Jace lembrou-se. — Exatamente! Jane nos levou em um quarto que supostamente era de Billie, mas, na realidade, era seu próprio quarto. Claro que naquela época ela não entregaria a irmã tão fácil. De repente, a minha mente parece se clarear. É claro que não era o quarto de Billie. — Óbvio. Desde quando Billie Rainbow sequer lê livros clássicos? — Travis está com a mesma expressão que eu. — Desde quando ela simplesmente lê? Admito que não estou surpreso, mas Jane conseguiu me enganar. — Falo. — Que surpresa. — Jace me olha com o rosto mais sarcástico de todos, mas rapidamente se desfaz para dar lugar a uma carranca. — Mas esse não é o ponto. Ela literalmente trouxe uma daquelas bonecas esquisitas para cá. Uma boneca idêntica a ela. Essa garota é muito esquisita, eu juro por tudo que é mais sagrado. — Por que ela iria trazer uma coisa dessas para cá? — Sei lá, talvez ela não consiga ficar longe, e seja muito apegada. Não faço ideia. Na hora em que Billie tirou a boneca de dentro, começou a rir como uma hiena. Ela sempre faz isso, não é? Mas nunca a vi humilhar a própria irmã. Derisse até veio nos questionar, mas nós resolvemos não contar o que aconteceu. Não me surpreende que Billie esteja fazendo piada de Jane, já que é a única pessoa que não pode evitá-la para sempre. Isso é tortura. — Alunos, daqui a cinco minutos iremos iniciar uma atividade bem divertida! — Ella diz, animada. Francamente, tenho medo do que pode acontecer nessas férias, e não completamos nem uma semana nesse lugar. Assim que a professora anuncia, Gabriel aparece na porta do refeitório. JACE MILLER A minha preocupação com Gabriel atrapalha as coisas entre mim e Thomas. Porém, não consigo parar de pensar no que pode estar acontecendo na mente daquele garoto. Enquanto andamos em direção à saída do refeitório, não posso deixar de tentar mais uma vez. — Demorou bastante — o questiono — o que aconteceu? — Não estou com fome. — Tenta sorrir. — Você não me engana. — E não quero te enganar. Só não é da sua conta. Depois dessa resposta, tento não parecer abalado. Talvez realmente seja a hora de parar de insistir de uma vez por todas. — Wow. Essa é sua nova técnica para fazer amigos? — Não foi para ofender. É que se eu quisesse a sua ajuda, teria pedido. — Entendi, Gabriel. Entendi. Passo por ele, seguindo os outros alunos, que se reúnem com os monitores e as professoras. ''Não foi para ofender''... Não me venha com essa. Quando eu estava no hospital, ele enchia-me de mensagens perguntando sobre como eu estava, insistindo em me ver e tentar começar uma amizade. Fez de tudo para ter o meu perdão. E, agora, quando ele é a pessoa que precisa de ajuda, me fere. Mas conheço Gabriel muito bem para saber que ele está um caco. — Vocês deverão dividir-se em dois grupos, e sentarem-se na grama, um atrás do outro. Serão duas fileiras. — Uma instrutora disse. — Isso, ótimo! Agora, cada um vai segurar um balde de água em cima da cabeça. O objetivo é que o primeiro de cada fileira passe a água para trás, e assim continue até chegar na última pessoa. Quem tiver mais água por último, será o time vencedor. No começo, foi bem chato, mas depois que as primeiras pessoas começaram a se molhar, inclusive eu, o jogo ficou mais interessante e engraçado. Gabriel, no grupo oposto, não tinha nenhuma expressão facial de alegria. Apesar de estar encharcado de água, era como se não ligasse. Definitivamente há algo muito errado com ele. O sol está bem forte, e é a primeira vez que me exponho tanto na frente desses porquinhos do colégio. Estou deitado numa boia, sem blusa, com óculos de sol e braços cruzados, aproveitando esse lago maravilhoso. Os outros estão brincando e jogando água uns nos outros. Thomas, do meu lado, aproveita uma água geladinha. Acho que nunca tivemos tanta paz antes. Tyna e Travis estão entre os idiotas jogando água em todo o mundo, Gabriel optou por não nadar, e está sentado no cais, nos observando. — Descobriu? — Pergunta. — O que? — O que há com ele. Não o respondo. Não quero que jogue nada na minha cara. — Eu já falei para você parar! — Escuto Billie gritar. Está gritando com Stacy. — Você é estúpida, garota?! — Stacy retruca. — É você quem tem que parar de tratar a sua própria irmã como... Como se fosse sua inimiga. Ela não fez nada para você, entendeu? — Ótimo, agora todos os esquisitinhos já estão olhando para o show que você está dando, Stacy. E cuida da p***a da sua vida, você não sabe nada do meu relacionamento com ela. v*******a. — Ei, ei, ei! — Um dos monitores que está na água se aproxima das duas. — O que é isso? Saiam já da água. Vamos. — Diz de forma imperativa. Os três saem da água, Billie e Stacy seguindo o homem, que teve o seu momento arruinado por duas adolescentes chatas. Jane continua a nadar e a conversar com outras meninas, como se nada tivesse acontecido. — A paz foi embora mais rápido do que eu imaginava. Depois daquela discussão ridícula, que atrapalhou a nossa felicidade e harmonia social, pouco fiquei sabendo sobre o que aconteceu entre as duas. Tudo que sei é o que observei até agora e, claro, o que Tyna está descobrindo, já que ela é uma fofoqueira daquelas. — Quando fui no quarto para me trocar, Jane estava penteando os cabelos enquanto Billie e Stacy continuavam a discutir. Ambas ganharam raios. Então meio que se Billie receber mais um, f**a-se toda a viagem para ela, porque terá que fazer aquela prova enorme e super difícil. Tipo, será que é tão difícil assim tentar ser menos arrogante? — Revirou os olhos. — Pessoas como ela não merecem nem o chão em que pisam — falo — quanta babaquice numa pessoa só. Ainda desejo tudo de r**m para Billie e Jane, e admito que nem estou tão tocado com a briga das duas, porque são duas pessoas que odeio fazendo m*l uma para a outra. Como eu poderia estar triste? — E argh, eu m*l consigo adormecer com aquela boneca bizarra. Ela fica guardada de baixo da cama de Jane, mas só de saber que ela está no mesmo cômodo que eu, me dá arrepios. — Tyna resmunga, e Travis ri. — Eu prometo que aquela boneca não vai te m***r — e beija a sua testa — mas talvez apareça nos seus piores pesadelos. Tente descansar, tudo bem? É sério, olha só onde estamos! — Abriu os braços. — É um paraíso. Temos que aproveitar o possível. — É, você tem razão — diz Thomas — ficar ocupando as nossas cabeças com coisas que não podemos mudar é inútil. — E me olha. — Bom, pior ainda é quando temos o poder de mudar algo, e não o fazemos por pura conveniência. — O encaro de volta. — Nossa, o que tá acontecendo entre vocês? Agora ficam trocando farpas e se olhando f**o, credo. Daqui a pouco estão brigando igual aquelas duas. — Bufa. — Bom, vou andando para a sala da cabana principal, a próxima atividade já vai começar. Achei que eu e Thomas já estávamos bem depois da conversa que tivemos ontem a noite, mas pelo visto nenhum de nós está satisfeito. Talvez seja porque apenas conversamos, mas não fizemos nada sobre isso. Talvez não conseguimos agradar um ao outro. Tyna sai andando, enquanto eu, Travis e Thomas continuamos parados no mesmo lugar. É estranho estar com Thomas. Desde quando o conheci, ele era tudo o que eu queria e, agora... Não sei. Parece que desejá-lo era muito mais divertido do que realmente tê-lo. — O que é? — Travis altera o seu olhar entre nós. — Ao mesmo tempo que vocês estão mais grudados do que nunca, também m*l se olham. Que m***a é essa? — Só... Tenhos umas coisas para resolver. — Thomas responde. — Sinto falta de quando éramos mais unidos. Parece que quanto mais problemas aparecem, mais distantes ficamos. — Fala tão baixo que tenho dificuldade em entender todas as palavras. Não espera uma resposta, e segue até a sala também. — Quer conversar? — O garoto me olha com os seus olhos azuis. Um turbilhão de coisas se passa na minha mente. É como se eu lembrasse de todo o meu passado, de tudo o que já passei para estar até aqui. Conhecer Gabriel, me apaixonar por ele, me desapontar, conhecer Thomas, me apaixonar, e... — Não no momento. Na verdade, acho melhor darmos um tempo com... Isso tudo. — O olho, decepcionado. Afasto-me, deixando-o sozinho. Admito que estou me segurando muito para não chorar, e admito que isso me afeta mais do que eu esperava. Gostei de Thomas por tanto tempo, e acreditei que ele sentia o mesmo. Mas se não está colocando as minhas necessidades à frente desses rumores causados por Jane, então me enganei o tempo todo. Se ele realmente gostasse de mim, não me deixaria sem respostas. Não me faria sentir como segunda opção. Até... Até parece que me usou todo esse tempo como parte de uma fantasia bizarra, e enquanto isso manteve Jane por perto para se mascarar. Talvez eu tenha enxergado apenas o Thomas que quis enxergar, e não o real. Tudo dentro de mim se torna um amontoado de sentimentos, como um furacão. Não consigo respirar, m*l consigo enxergar a minha frente, e até esqueço o que eu estava indo fazer. Os meus pés tropeçam em algo que não consigo identificar. As lágrimas atrapalham a minha visão, e m*l tenho tempo de tocar o chão quanto sinto ser segurado. — Wow, você está bem? Cara... Você quase caiu no chão. — É a voz de Travis. — O quê? — Tento olhar em volta, mas tudo está escuro e borrado. Ele não responde, mas sou envolvido num abraço apertado. Parece que meu corpo se desmonta, e me permito ser segurado totalmente. O choro se intensifica, e a cada lágrima que escorre por meu rosto, sinto que talvez eu seja o problema. Que, na verdade, nunca deixei de ser. — Coloca tudo para fora. Tá tudo bem. Eu estou aqui. — Disse. Mas não quero chorar mais, e não quero me sentir fraco. Não quero me sentir culpado, e nem nada disso. Respiro com calma, tentando recuperar a minha dignidade. Aos poucos, as lágrimas vão embora e consigo enxergar. Estamos na porta da cabana principal, que está fechada. — Obrigado, Travis. — Me separo do abraço. — Amigos são para isso — sorri — está melhor? Se quiser, podemos m***r essa atividade e conversar, ou só nos distrair. Roubar alguma comida do refeitório. — Não precisa, tá tudo bem. Vamos nessa. — Passo as mãos pelo rosto, tentando acobertar o que aconteceu. — Esse jogo se chama Assassinato no Escuro. — Megan, uma das monitoras, está sentada no círculo conosco. — Todos irão pegar um papel sorteado. Existem três assassinos e dois detetives, tudo bem? O resto, serão os civis. Os assassinos devem m***r todos os civis sem serem pegos pelos detetives para ganharem o jogo, e os detetives devem encontrar os assassinos para ganhar e salvar a população. — E como os assassinos devem m***r? — Com uma piscadela, apenas. O civil, antes de morrer, deve olhar para os lados, fechar os olhos e pronunciar a sua morte, para que não entregue o assassino. — Megan se levanta e apaga a luz. A única fonte de luz e calor que temos vem da lareira. — Iremos sortear os papéis. Travis está sentado ao meu lado, e Gabriel do outro. Apesar disso, o garoto nem sequer trocou uma palavra comigo. Thomas está afastado, perto de uns garotos que nem conhece. Sei que está desconfortável, e admito que até sinto uma pontada de dor ao vê-lo dessa forma. Tyna está do outro lado de Travis, e Jane à sua esquerda. Ela sorri para Thomas, e vejo que ele dá um sorriso amarelo, como se estivesse sendo obrigado. Talvez esteja. Talvez Jane saiba de algum segredo, talvez saiba de nós, e está o chantageando com essa informação e o forçando a compadecer com as suas mentiras malucas. — Jace — Travis chama a minha atenção, e vejo que a monitora está com o pote de papéis em minha frente. — Pegue um. A, de assassino. O primeiro que consigo m***r é um garoto de aparentemente treze anos, e logo percebo que Billie é a outra assassina, quando ela tenta me m***r, mas pisco para ela de volta. Em seguida, Thomas é morto. Tento reconhecer o outro assassino, mas a cada minuto que se passa, a noite fica cada vez mais escura. Está mais difícil do que eu pensei. — Você está presa, maninha. — Escuto Jane dizer. — Tentou m***r a pessoa errada. — Ela se joga para trás e começa a rir. Billie a olha com seriedade no rosto, observando a sua irmã rir de sua cara. — As duas estão fora do jogo, portanto vamos continuar. — Megan diz. Elas continuam na roda, enquanto o jogo prossegue.
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