— A CARTA — Oi, minha filha do coração, Se hoje você está lendo essa carta, é porque eu já não estou mais aí para te contar tudo pessoalmente. Me perdoa por ter escondido algumas coisas de você… como a casa dos seus pais. Eu nunca vendi, nunca aluguei, nunca mexi em nada. Manti tudo do jeitinho que estava. Porque você sempre falava que, um dia, queria ver como era a casa deles, e eu prometi a mim mesma que iria respeitar isso. A única funcionária que não dispensei foi a Noêmia, a moça que continua indo lá só pra limpar. Os outros, infelizmente, tive que mandar embora, porque não tinha como manter. Eu mesma nunca consegui pisar naquela casa de novo. As lembranças da sua mãe e do seu pai — que era como um irmão pra mim — ainda doem demais. A morte deles foi um baque enorme. Mas eu jurei q

