Capítulo 24

773 Palavras
Maike: Raul franzia a testa a todo momento ao me ver na sala, observando tudo de perto enquanto cuidavam de Samanta. Claro que eu entraria. Precisava monitorar se estavam fazendo o trabalho corretamente. Ele negou com a cabeça, focando no ponto exato onde o laser passava. Troquei o peso de uma perna para outra, ansioso para que tudo terminasse logo. A saúde dela não estava nada bem. A garota tinha um pouco de anemia, mas isso nem era o pior. Suas plaquetas estavam um pouco baixas. Nada que uma reposição de vitaminas não ajudasse, mas, mesmo assim, era perigoso. Passei as mãos pelos cabelos e respirei fundo. Então era por isso que ela é tão magrinha. Andei de um lado para o outro, esperando Raul terminar. Eu sabia que demorava, mas estava nervoso. Raul — Maike, você está atrapalhando. Disse ele, sem tirar os olhos do que fazia. — Se continuar assim, terei que colocá-lo para fora da sala. Fique calmo, meu amigo. Sua amada ficará bem. Eu sei que sim, é um excelente médico, apesar de não exercer a profissão. Ele riu baixinho e voltou ao trabalho. Bufei, irritado. — Ela não é minha amada, p***a. E provavelmente eu seria preso, acho que ela não passa dos dezessete anos. Meu pai enfiou essa selvagem no meu território só para me irritar. Ele gargalhou. Raul — Vou fingir que acredito. Sabe que o conheço bem o suficiente para afirmar que, se quisesse, já teria dado um jeito de colocá-la para fora. Você está encantado por ela, meu amigo, só não se deu conta ainda. Nunca o vi preocupado assim, nem mesmo quando estava com a Brenda. A garota conseguiu fazer você sair da sua fortaleza para trazê-la ao hospital. Nem mesmo seu pai conseguiu isso. Espero que ela seja a sua nova felicidade. Você é um bom homem, Maike. E parece que ela está conseguindo o que seu pai vem tentando há anos: trazer o bom e velho Maike de volta. Olhei para Samanta na cama, tão pálida e imóvel. Neguei com a cabeça. Isso não podia ser verdade. Raul gargalhou, desligou o aparelho e, antes de sair do quarto, deu um tapinha amigável no meu ombro. — Era apenas algumas pedrinhas, não um filho. Pode se acalmar agora, ela está bem. Vou mandá-la para o quarto que você solicitou. Quando saí da fase de negação, perceberá que encontrou a mulher para sua vida. Ele saiu, me deixando com suas palavras ecoando na cabeça. Lancei uma última olhada para Samanta e saí do quarto. ** Uma hora depois... Sentado na cafeteria do hospital, as palavras de Raul pairavam sobre minha cabeça como uma bomba. Tomei o último gole do meu chá e me levantei para ver se Samanta já estava acordada. Não podia mais protelar esse momento. E, do jeito que ela é maluca, era bem capaz de tentar fugir do hospital. Com esse último pensamento, levantei num pulo e caminhei a passos apressados até o quarto onde solicitei que a colocassem. Antes de entrar, soltei uma lufada de ar e então entrei. Mas ela ainda dormia. Aproximei-me da cama e a observei mais de perto. Ela se parecia com alguém, mas não conseguia identificar quem. Fiquei tão imerso velando seu sono tranquilo que não percebi quando meu pai entrou no quarto. Rodolfo — Ela é linda, não é? A voz dele me assustou, dei um passo para trás. Afirmei com a cabeça. Não podia negar. Mas isso não significava nada. — Ótimo que o senhor chegou. Falei, voltando minha atenção para ele. — Os fofoqueiros já devem ter corrido para contar que a trouxe para o hospital. Agora o senhor cuida dela. Estou indo para casa. Esse problema é seu e não meu, já fiz muito não permitindo que ela morresse. Ele sorriu de lado, como quem não acreditava em uma única palavra que saía da minha boca. Revirei os olhos sem paciência, todos agora resolveram encher o saco por causa dessa garota. Rodolfo — Há seguranças em todo o hospital. Você rebaixou uma funcionária e saiu debaixo de uma chuva torrencial para trazê-la até aqui. Ele riu e negou com a cabeça. — Mas tudo bem, eu cuido dela. Continue agindo como um covarde e fingindo que não se apaixonou por ela desde o momento em que a viu. Sem me dar tempo para responder, ele me deu as costas e saiu, me deixando sem palavras. Saí do quarto e do hospital. Eu não voltaria para casa. Ficaria hospedado em um hotel próximo. Mas ninguém precisava saber disso, não quero que fiquem enchendo a minha paciência dizendo coisas que não existem.
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