Duas horas depois...
Eu estava começando a ficar desesperado. Samanta não apresentava melhoras, o que significava que havia algo além da febre.
O pior de tudo era que ela começou a gemer e se retorcer. Andei de um lado para o outro, tentando ligar para a maldita emergência do hospital do qual meu pai é sócio.
Com essa chuva, tudo ficou ainda pior. Enquanto tento completar a ligação, observo a garota frágil suar e gemer de dor.
Pela minha visão clínica como médico, diria que ela está com cálculos renais. O que faz todo sentido. Quando chegou aqui, estava desidratada e precisou uma bolsa de soro. Há pouco, quando toquei no local, ela gritou.
— Merda! Praguejei baixinho, mas sem tirar os olhos dela.
Não posso ligar para outras pessoas. Não quero que saibam dela. Não sou i****a, tenho certeza de que aconteceu alguma coisa naquela festa.
Samanta não é do tipo que se intimida facilmente, ela enfrenta tudo de frente. Também pedi para Alessandro avisar a todos os nossos conhecidos que não deem informações sobre ela para ninguém.
Aperto o botão verde mais uma vez e, desta vez, a ligação é conectada.
Ligação:
— p***a! Esbravejo. — Para que diabos existe o telefone de emergência?!
Atendente: Senhor, se não se acalmar, terei que encerrar a ligação sem resolver seu problema.
Minha mandíbula trava, meu coração bombeia forte. Falo baixinho, mas em um tom ameaçador:
— Experimente, sua desgraçada. No minuto seguinte, você estará na rua. Você é paga — e muito bem paga, para apenas atender essa p***a de telefone. Mas, pelo visto, devia estar na ala de descanso dos médicos, se oferecendo. Avise o piloto que quero um helicóptero aqui em menos de cinco minutos, na residência de Maike Cartney.
Atendente: E-e-eu vou a-avisar… Mas, com essa chuva, não sei se será po…
— Será possível. Se não for, considere-se na rua.
Atendente: M-me des…
Encerro a ligação na cara dela. Não estou afim de bajulação. Esse helicóptero é bom chegar rápido, ou ela estará fora do hospital antes do fim do dia.
Do hospital até aqui de carro são vinte minutos. Pelo ar, no mínimo dez, por causa da chuva.
Aproximo-me da cama e levo a mão até a testa de Samanta. A febre cede, mas logo volta.
Avisei aos seguranças sobre a chegada do helicóptero e informei que estava descendo com Samanta.
Fui até o guarda-roupa, peguei uma camisa minha e a vesti nela. Assim que a ergui nos braços, ela gemeu de dor.
— Calma, já vou levá-la ao hospital. Só mais um pouquinho… Aguente firme, você é forte, garota.
Aninhei-a nos braços e deixei o quarto. Quando cheguei à sala, a porta já estava aberta, e um dos meus seguranças me aguardava.
Saí para a área externa e fiquei de pé com ela nos braços. A chuva parecia estar ao nosso favor, diminuindo aos poucos. Logo, meus seguranças foram informados da aproximação do helicóptero.
Assim que ouvimos o barulho das hélices, caminhamos a passos largos em direção ao local de pouso. Samanta gemia a todo instante, e isso me deixava inquieto.
Foi nesse momento que percebi que não gosto de vê-la assim. Prefiro a Samanta que me enfrenta e diz a verdade na minha cara.
Soltei um suspiro pesado e esperei impaciente o helicóptero terminar de pousar, enquanto meu segurança segurava um guarda-chuva sobre nós.
Perdi a paciência e me aproximei. Um enfermeiro desceu com a maca, e, com toda delicadeza, coloquei Samanta deitada. Em seguida, embarquei e me acomodei ao lado dela.
— Aproveite a calmaria da chuva, voe baixo, fora das nuvens, e chegue nessa merda de hospital em dois minutos. E quanto à paciente… total sigilo.
O piloto apenas balançou a cabeça e seguiu em frente.
Três minutos depois, estávamos pousando no heliporto do hospital, onde uma equipe médica já aguardava.
Descemos, e assim que entramos no maldito hospital, a primeira pessoa que apareceu no meu campo de visão foi a atendente. Aproximei-me dela e disse:
— A partir de hoje, você trabalha no setor de limpeza. Isso aqui é um hospital, e não queremos que os pacientes morram por serem negligenciados por uma atendente v***a, que, em vez de estar no setor dela, fica correndo feito uma c****a no cio atrás dos médicos de plantão. Para garantir que isso não volte a acontecer, você foi rebaixada para a limpeza.
Dei as costas e segui em frente. No caminho, encontrei Raul, o médico que atenderia Samanta.
Raul — Nunca pensei que você prestaria socorro a uma mulher e rebaixaria uma funcionária por causa dela. Comentou, com um tom divertido.
Bufei, irritado.
— Não foi por causa dela, mas pela ousadia daquela incompetente em fazer um m*l atendimento.
Ele ergueu uma sobrancelha, mas não respondeu. — Faça seu trabalho e não diga asneiras. Continuei. — Acho que ela está com cálculos renais. E, Raul, não quero que nenhuma informação sobre ela vaze.
Ele franziu a testa, mas concordou.