Capítulo 14

1039 Palavras
Maike: Eu já estava com a paciência no limite quando Eduardo veio com aquela ideia absurda. Eduardo — Leva a Samanta com você. Eu vou subir depois. Franzi a testa, descrente. — Tá brincando, né? Eduardo — Não, papai está esperando vocês lá em cima. Eu cerrei os dentes. Eu não queria subir sozinho com aquela garota. Mas Eduardo já estava de costas, me ignorando. Bufei. — Anda, selvagem, entra logo. Ela revirou os olhos e entrou no elevador, resmungando algo sobre eu ser um cavalo. As portas estavam quase se fechando quando... Brenda — Maike! Espera! Antes que eu pudesse reagir, Brenda entrou, esbaforida, como se aquela fosse a chance da vida dela. Ótimo. Agora eu estava trancado com as duas. As portas se fecharam, e o elevador começou a subir. Foi só o movimento começar que Samanta se grudou em mim. — Ai, que troço é esse! Ai, ai! Nós vai cair! Eu arregalei os olhos. — O quê? Ela me apertava como se o chão estivesse se abrindo. Olhei pra baixo, vendo seus dedos cravados no meu paletó. E então, comecei a rir. — Não vamos cair, selvagem. Aproveitei e passei um braço pela cintura dela, só para provocar. E funcionou. Brenda arregalou os olhos, chocada. Brenda — Quem é essa garota, Maike? Logo se vê que não tem um pingo de classe. Samanta se afastou um pouco e apontou o dedo na cara dela. — Olha aqui, minha filha! Não se meta a b***a comigo, não! Sua ricaça de nariz empinado! Se vier pra cima de mim, você vai achá! Ai, esse troço vai cair, Mike! Me segura! Eu congelei por um segundo. — Você me chamou de Mike? Ela olhou pra mim, ainda grudada no meu braço. — Desculpa, saiu no susto... eu acho mais fofinho. Brenda bufou e, num movimento rápido, tentou acertar um tapa em Samanta. Um erro! Antes que o golpe chegasse perto, Samanta agarrou os cabelos dela. — Escuta aqui, dona! Não sei qual a sua, mas eu num apanho de ninguém não, viu?! Ela gritou. Brenda — SOLTA MEU CABELO, SUA... — CHEGA! Rosnei, separando as duas. — Larga ela, Brenda! Você ficou maluca? Está casada com o meu primo! Esqueceu? Ela me encarou, ofegante, os olhos brilhando de fúria. Brenda — Por que você está com essa trombadinha, marginal? Samanta, que ainda não tinha terminado, deu um passo à frente. — Vou te mostrà quem é trombadinha! Tive que me meter no meio de novo antes que o elevador se tornasse ringue. E, seu deixar... Samanta colocar ela para ir ao hospital. Ela me fuzilou com o olhar. Branda — Não me diga que me trocou por essa pobretona! Samanta bufou. — Sou pobretona mesmo! E você num passa de uma riquinha mimada e amarga! As portas do elevador se abriram, e Brenda saiu, tremendo de raiva. Antes de ir, virou-se e cuspiu: Branda — Leve essa trombadinha embora, Maike, antes que eu a faça engolir cada palavra! Samanta cruzou os braços. — Tenta! Só num reclama depois quando eu te devolvê nos sopapos com juro e correção! Segurei o riso. Eu não podia rir. Mas, por Deus, era difícil. Peguei na mão de Samanta e a arrastei para a cobertura, onde meu pai e o governador nos esperavam. Aquela festa já estava sendo um inferno... e m*l tinha começado. Assim que as portas da cobertura se abriram, Samanta deu um passo à frente e arregalou os olhos, maravilhada. — Puxa, que lindo... Revirei os olhos. Peguei seu braço e a puxei para perto do meu pai. Eu queria entregar logo esse problema e me livrar dela. Mas, claro, nada poderia ser tão simples quando se tratava dela. Ela tropeçou nos saltos e, numa tentativa desastrosa de se equilibrar, esbarrou na taça da esposa do governador. O líquido rosa voou direto para o vestido dela. Ótimo. O salão ficou em silêncio. Samanta, com sua delicadeza impecável, olhou para a mulher e perguntou: — Machucô? Se equilibrá nesses troço é um desafio. Vitória, a esposa do governador, piscou algumas vezes antes de esboçar um sorriso educado. Vitória — Não se preocupe, querida. Estou bem. Mas Samanta, achando que ajudar seria uma boa ideia, passou a mão na blusa dela para tentar limpar o vestido. Foi nesse exato momento que Vitória encarou Samanta de perto, arregalou os olhos... e desmaiou. Se eu não tivesse segurado, ela teria caído no chão. O governador Emiliano entrou no salão no mesmo instante e viu a esposa desacordada. Emiliano — O que aconteceu?! Samanta levantou as mãos, se explicando rapidamente: — Foi sem querê! Eu tropecei, derramei essa coisa rosa nela... Mas eu não achei que ela fosse caí dura! O governador franziu a testa e olhou para Samanta por um instante. Por um segundo, pareceu confuso, mas logo desviou o olhar e pegou a esposa nos braços. Ele parecia... perdido. — Será que ela vai ficá bem? Samanta perguntou, mordendo o lábio. — Poxa, não queria fazê m*l nenhum... Alessandro, o filho mais velho do governador, se aproximou, observando a cena com interesse. Alessandro — Mamãe vai ficar bem. Disse ele. — Ela anda muito emotiva nos últimos anos. Ele virou os olhos para Samanta e franziu o cenho. Alessandro — Quem é ela, Maike? Não me diga que resolveu encontrar um novo amor? Coitada! Revirei os olhos, cruzando os braços. — Meu pai pediu que meu irmão a trouxesse, mas apareceu um r**o de saia e ele se mandou, me deixando com esse desastre. Samanta, é claro, não aceitou calada. — Olha aqui, seu cachaceiro vira-lata, não me ofenda! Ele riu, se divertindo com a cena. Alessandro — Ah, eu amei ela! Qual é o seu nome? — Samanta! Ele estendeu o braço para ela, que enganchou sem pensar duas vezes. E saíram juntos, me deixando para trás, igual a um i****a. Cruzei os braços, observando aquilo sem gostar nem um pouco. Alessandro não costumava ser de muitas amizades. Desde que a irmã desapareceu, ele se fechou. Ele se culpa até hoje, afinal, ela estava com ele no parque quando foi levada. E agora, de repente, estava todo simpático com Samanta? Algo me dizia que aquela festa ainda ia render... e muito.
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